Publicado em 15/08/2013 as 12:00am

Inspirada em obra de Laerte, animação terá pirata crossdresser

Inspirada em obra de Laerte, animação terá pirata crossdresser


Otto Guerra, que está no Festival de Gramado para apresentar a animação "Até Que a Sbórnia nos Separe", falou também sobre seu novo longa de animação, inspirado nas tirinhas "Piratas do Tietê", do cartunista Laerte.

O roteiro está sendo escrito desde 2002 e já está na décima versão. "Em uma das leituras que fizemos para o Laerte, ele vira e diz que odeia o  Piratas do Tietê. Aí incluímos o Hugo no roteiro, que é um personagem que vai se transformando em Muriel. Esse personagem nada mais é do que um campo de experimentação do Laerte sobre a vida dele".

Para o diretor, Laerte foi muito transgressor ao criar aqueles piratas que cortavam as cabeças. "Isso foi naquela época. Hoje em dia, nada mais transgressor do que um pirata depilado e maquiado", disse ele.

Exibido nesta quarta-feira (14) no Festival de Gramado, "Até que a Sbórnia nos Separe" foi um dos filmes mais bem recebidos pelo público do evento até agora.

Baseado no espetáculo musical "Tangos e Tragédias", em cartaz há 20 anos, a animação retrata a história de um pequeno país chamado Sbórnia, que é separado do resto do mundo por um muro. Quando o muro cai acidentalmente, o país é invadido pela modernidade. O choque cultural bagunça a tranquilidade dos sbornianos e pode trazer graves consequências.

O longa conta com as vozes dos criadores do espetáculo Hique Gomez, Nico Nicolaiewskyo, além de André Abujamra, Fernanda Takai e Arlete Salles.

Na entrevista desta quinta-feira, Otto Guerra falou que a animação brasileira já é uma realidade e seu crescimento não terá volta. "Trabalhar com animação era desaconselhável há alguns anos. Passei fome, morei na rua, mas agora trabalhar com isso é possível no Brasil", brincou Guerra.

O diretor diz que não sabe como será a receptividade do público, mas a ideia é que a animação atraia muitas pessoas aos cinema. "A ideia é que o filme seja comercial sem ser idiota, mas achei a plateia de Gramado muito séria. Fiquei um pouco preocupado".

Com orçamento de R$ 4 milhões, Otto disse que o filme tem que, no mínimo, se pagar. "Não podemos brincar de fazer filme com dinheiro público".

Fonte: www.uol.com