Publicado em 10/12/2014 as 12:00am

Regina Benedetti, uma Sereia vinda do interior de São Paulo

Voz firme, macia e encantadora. Voz de fada,de sereia como foi chamada Regina Benedetti.

Voz firme, macia e encantadora. Voz de fada,de sereia como foi chamada Regina Benedetti. E “O Canto da Sereia”é o nome do seu último CD lançado em 2012. Sereia esta que encantou o público quando cantou no Festival da Independência neste verão de 2014,às margens do Charles River em Boston-MA. Regina Benedetti é dotada de uma voz suave,aveludada,com um toque e um timbre firme e gostoso de ouvir. Um apurado e marcante som comparável a um vinho de safra nobre onde o seu gosto incomparável nos delicia o paladar. Comparações fortes e um tanto quanto audaciosas, mas estas sãos as palavras chaves que encaixam direitinho ao perfil musical de Regina Benedetti.

“Aos 7 anos de idade começei a fazer Balé e aos 11 anos começei a fazer violão, com muita dificuldade.Meu pai pagando na única escola escola da cidade.Desde de pequena eu tinha em mente que eu queria ser cantora.Minha primeira composição fiz com 13 anos de idade.”

“Estar nos palcos é sagrado e é o que me fascina.”

Com vocês: Regina Benedetti.


BT: Como aconteceu de estar aqui em Boston-Massachusetts?

Regina: Aconteceu que o meu segundo CD “O canto da Sereia” foi indicado em 2012 para o Grammy da Música Latina, e como os Brasileiros não se enquadram no Grammy Americano,o Grammy Latino é o maior prêmio da música latina.A maior premiação que nós podemos receber como artistas.É uma valorização grande para o meu trabalho.

Meu esposo tem parentes aqui, e aí viemos juntos.


BT: Vocé é de onde do Brasil?

Regina: Sou natural de Mirassol, uma cidade de quase 60 mil habitantes do estado de São Paulo.Uma terra de muito Sertanejo.Cresci ouvindo Pena Branca e Chavantinho, Nalva Guiar, Chitãozinho e Xororó.Gosto muito do “Sertanejo raiz...”.


BT: De onde então veio o encanto pela MPB?De onde veio sua inspiração musical?

Regina: Eu não sei que “diabos”que coisa que foi que eu acabei indo pro lado do Samba,da MPB.Minha inspiração foi sempre ouvir boa música: Elis Regina,Carmem Miranda,Zizi Possi, Daniela Mercury, Elba Ramalho,Rosa Passos,Alcione, Beth Carvalho.


BT: Mas o seu primeiro CD fala de Amor...

Regina: Sim, meu primeiro CD se chama “Paixões” e fala sobre o Amor.

Além dele tenho um outro autoral, lançado em 2006/2007. Foi um CD mais romãntico, mais brando.

Minha primeira composição fiz com 13 anos,o nome da música era”Tento esquecer”.

Eu gostava de um menino e aí fiz a música prá ele.A letra saiu assim: “tento esquecer os momentos que fiquei com você.Choro em pensar porque você não consegue me amar.Prá que se perguntar se você vai me amar, vivendo sempre assim, não quero mais..”. Coisinha de menina..não sei se era amor, talvez paixão..


BT: Uma música profunda.Você já amava?

Regina: Quando a gente é adolescente não se tem muita noção.Mas uma coisa eu já sabia, que eu queria ser cantora. Aí fiz varios tipos de arte:começando pela dança, fiz o violão, foi aonde começei a cantar.Participava de festivais da cidade.Fui prá escola de música, fiz aula de canto em São Paulo,no Instituto Oswaldo Andrade.Enfim, fiz aulas particulares,sempre buscando alguma oportunidade dentro da música, sempre que tinha alguma coisa na televisão estava eu em busca.


BT: E o CD “O Canto da Sereia?” Tem muito axé, ginga e fala muito sobre o povo baiano.”Cargueiro vai, cargueiro vem..doce morena falou aos pes do ouvido,disse pro negrero seus desejos mais bonitos...”Você tem um pé na Bahia?

Regina: Risos...Este último CD, lançado em 2012, foi feito com muito carinho.

Foi um projeto feito a partir de um tempo de 3 meses quando estive por lá.Fiz o clipe em salvador, no berco da cultura afro-brasileira,fui viver um pouco desta cultura.Foi uma homenagem aos Zumbi dos Palmares.Besouro,Cordão de Ouro que foi o maior Capoeirista.Fui prá Salvador prá terminar de compor,fazer a capa do CD.

Estudei muito,sonhava a noite,sonhava com baianas...Os sonhos começaram a partir do momento que eu começei a me permitir a falar do Samba.Quando começo a compor eu me permito sonhar e este material começa a fluir.É muito vivo isso.Agradeço a Deus por isto.


BT: Quais são as sua músicas preferidas neste CD?

Regina: Eu particularmente gosto de todas, porque sou a criadora, a mãe...hehehe..mas gosto muito de Besouro,Zumbizeira e Maracatu Sampa.


BT: Você tem um curso Superior?

Regina: Fiz Faculdade de Psicologia, me formei pela Unorpe, São José do Rio Preto-SP.

Tenho minha formação.Trabalhei com música terapia, trabalhei com dependência química, trabalhei com Recuros Humanos.Mas no fundo eu sabia que era a música.

O estar no palco que é prá mim uma coisa sagrada e que me fascina.


BT: A artista Regina já está na estrada há muito tempo?

Regina: profissionalmente há uns 13,14 anos.


BT: Você se apresentou no Festival da Idependência,neste último verão em Boston-MA.Você se mostrou ousada e encantadora.Sua carreira veio fácil?

Regina: A estrada é árdua e longa...na época que começei compunha alguma coisa e fazia “demos”, CD’s de demonstração.Entrava no estudio, juntava um dinheirinho,pagava estes demos.Levava prá São Paulo,falava com o produtor,aí ninguém acreditava no trabalho.Sei que muita coisa tinha que amadurecer.Porque hoje eu posso falar que eu sou uma artista que estou pronta.Mas a gente sempre continua estudando e melhorando a cada dia.

Eu estou pronta hoje.Estou pronta prá estar no palco, para vender as minhas músicas.

Hoje eu sou uma profissional da música.E naquela época eu não era. Eu queria uma oportunidade,queria que alguém me desse essa oportunidade.


BT:Você já foi desacreditada por alguém?

Regina: Em São Paulo, encontrei este diretor,aonde depois dele ter ouvido o meu CD demo,virou para mim e me disse:”você não vai ser cantora nunca, no nível em que você está você não vai ser cantora nunca.”.

Ele me desencorajou, e eu tenho noção disso, naquela época precisava de muita lenha.Você tem um materia bruto,você precisa ser lapidado.E eu queria isso, uma oportunidade de ser lapidada.

Enfim, eu era uma menina e sei eu tivesse ouvido o que ele me disse...


BT: Nem por isto você desistiu...

Regina: Aquilo me doeu no fundo da alma.Eu me lembro que eu chorei.Juntei todas as minhas economias para ir prá capital.Fiquei muito sentida, mas aquilo ao mesmo tempo me deu muita força porque eu sempre acreditei no meu potencial, e quando alguém te deserncoraja a gente tem que se olhar e dizer: será que é realmente isso ou essa pessoa está vendo apenas um lado.Está olhando pelo buraquinho da fechadura e tá vendo só um ângulo.

Eu sabia que era muito mais que isso e sabia que não ia ser fácil também.

Foram muitas decepções e também muitas alegrias.Eu pude conhecer muita gente, fiz muitos amigos por causa da música, viajei prá vários lugares, morei na Itália,cantando, dançando.E tudo isso vem prá,de certa forma te dar suporte, pois eu acredito que você chega a um patamar que ninguém te derruba,que aquilo é seu.Não era prá ser aquela época e não aconteceu.

Hoje eu posso dizer com muito orgulho que hoje eu sou uma cantora, compositora, instrumentista.Eu posso dançar,fazer várias coisas no palco.


BT: Depois disso conseguiu uma gravadora?

Regina: Naquela época fui convidada para fazer parte do Grupo Banana Split, aparecer na televisão.E isso é uma coisa que não me encanta.Eu quero fazer a minha arte.Quem for no meu show vai gostar das minha músicas, não prá agradar a mídia, porque a mídia dá muito espaço prá quem paga,essa coisa do comercial,do que as pessoas ouvem.


BT: Nos explica isso direito.

Regina: A mídia tem essa coisa de mercado, o que as pessoas ouvem, mas se a mídia não te dá oportunidade das pessoas te ouvirem você nunca vai se tornar comercial.Acaba sendo massificante mesmo: se paga prá tocar,se paga prá tá na televisão,se paga de uma certa forma e aí o artista se torna conhecido.Com isso a gente tem que buscar formas alternativas prá se mostrar e ficar conhecido.Acredito mais neste trabalho de formiguinha mesmo,que é a formação de público, porque na minha região eu tenho o meu público.Aqui nesta terra tem muita gente que gosta de Samba e MPB,aí eu pude fazer a minha estrada aqui.


BT: Aqui você se apresenta aonde?

Regina: Estou no Oliveira’s Restaurante de Everett, todas quintas-feiras e também na Tremont Street-Boston, às sextas, no Beehive.


BT: E como é estar no palco hoje?

Regina: Estar no palco é uma coisa muito forte porque você é um espelho para um monte de gente.Temos que ter muito respeito quando o artista está no palco.Não gosto de artistas que fumam,bebem em cima do palco ou que dão mal exemplos,sem querer ser moralista.Não podemos ser moralistas.Tudo que você fizer ali vai gerar energia e vai gerar comportamento nas pessoas.


BT:Você ali, só cantando sem falar com as pessoas,se torna um alvo de influência?

Está relacionado com a postura?

Regina: Na sua postura,na sua forma de se vestir,na tua forma de olhar,no teu carisma com o público.

E isso é um ímã.Ou vão te amar, ou vão te odiar,entendeu?As vezes um timbre de voz pode não agradar,por issso que eu falo que o artista não é uma coisa só.

Mas aqui quem está cantando não é a Regina,é uma personalidade,é um corpo,uma alma que vai espelhar o que sou por dentro,minha vida, minha trajetória.

O palco é luz prá mim,é algo que significa muito.


BT:Quais são os seus planos musicais para o futuro?

Regina:Estou produzindo o nosso novo trabalho,com o “Samba de Três” que foi o Trio de Brazilian Jazz que a gente montou aqui.O CD vai ficar pronto no começo do ano que vem.Vai ser lançado aqui e no Brasil.

Com um novo clipe,uma nova música que gravei aqui: “Toda Menina”,que é uma pegada mais Pop,é uma mistura de Baião com Pop, produzida pelo Herbinho Cardoso.

Fazendo parcerias aí,porque eu acho que os Estados Unidos é uma vitrine muito grande.Parece que tudo que passa por aqui as coisas acontecem.Nas casas de show americana principalmente, porque a gente consegue levar todo o tipo de publico: americanos,chineses,tailandeses,japoneses,enfim, toda a massa,temos uma miscigenação muito grande.

Quando você fala da música brasileira,é um respeito muito grande.

Fonte: Da Redação do Brazilian Times