Publicado em 27/11/2017 as 11:00am

Selton Mello estreia na Big Apple “O filme da minha vida”

NYC foi a primeira cidade na qual o novo filme do talentosíssimo ator e diretor brasileiro, Selton Mello, entrou em cartaz. Na sequência ele faz uma tour por mais três Estados americanos levando um pouco da cultura do Sul do Brasil para encantar os brasileiros que vivem aqui e estrangeiros amantes do cinema.

Selton Mello estreia na Big Apple “O filme da minha vida” O ator e diretor Selton Mello.

Tive a honra de me encontrar co Selton Mello em NYC para uma entrevista exclusiva para o Brazilian Times. Em um bate-papo descontraído conversamos sobre sua obra mais recente “O filme da minha vida”, em cartaz no Village East Cinema. Falamos da importância do Cinema, do seu trabalho de direção e também como ator, e de detalhes da produção e da história deste filme que vai deixar você, querido leitor, encantado.

No filme, ele interpreta o personagem Paco, que tem papel fundamental na trama e ligação direta sobre a vida do protagonista Tony.

Assisti ao filme no mesmo dia da entrevista e a sutileza das palavras, a doçura de momentos sublimes da vida retratados neste filme faz a gente mergulhar em uma realidade atualmente sufocada pelas atrocidades que vemos no dia a dia dos noticiários.

Selton, que também é o roteirista do filme adaptado do romance chileno “Um pai de Cinema”, de autoria de Antonio Skármeta, dirigiu este filme de forma majestosa, valorizando detalhes sutis, em uma obra que é uma coletânea de pequenos, porém importantes, momentos e conquistas pessoais que fazem nossa vida mais interessante, momentos que possuem significados marcantes e muitos deles que moldam nossa personalidade.

O filme é recheado de detalhes que possuem significados impactantes, as memórias de infância do protagonista faz a gente viajar até a nossa própria infância, onde a gente revisita lugares, momentos e pessoas que ajudaram a construir a nossa história.

Confira a seguir como foi nossa conversa e delicie-se com o talentoso e querido Selton Mello!

O que representa para você estar NY, em cartaz, com um filme dirigido por você, no qual você também atua?

Isso é incrível, representa muito, tanto para mim quanto para minha equipe, estamos muito felizes pois é muito raro você conseguir estar em cartaz, muitos vão só para festival, não que seja mais fácil, participar de um festival é difícil também, mas entrar em circuito é muito difícil, e aqui vamos ter reviews, muita gente vai ver, vamos ter brasileiros assistindo mas também americanos e pessoas de outros países, isso é muito importante, claro que os brasileiros vão ver mais porque é a língua deles na tela, e está entrando justamente em um cinema de arte, que é o Village East. Há vinte anos quando eu vinha pra NY eu frequentava esse cinema, ir lá hoje e ver meu filme naquele cinema onde passa Taxi Driver, clássicos do cinema, cinema de arte francês, italiano, então é muito bacana, sabe? Estar num lugar de prestígio.

São três dias em NY?

Em cartaz mais tempo, mas eu estarei aqui por três dias, logo após as sessões, para conversar com o público, responder perguntas, a princípio eram 2 dias mas estendemos para três. O filme é lindo, sei que você ainda não assistiu, você vai ver aqui?

Vou sim, hoje à noite... Mas eu assisti o trailer e todas as matérias sobre o filme. Quais seus sentimentos com ele?

O filme é lindo baseado no livro do Antonio Skármeta, que é um chileno, ele queria que esse filme fosse feito no Brasil, na época O Palhaço estava fazendo sucesso, ai ele me procurou, foi muito maluco, e me ofereceu o livro, “Um pai de cinema”, achei a história linda, a original se passa no Chile na época dos anos de 1950, na serra, achei perfeito para o Brasil, Serra Gaúcha cai perfeita, só virou anos de 1960.

Por que essa diferença?

Por que existe dez anos de diferença entre a transição do rádio para a TV entre no Chile e no Brasil, lá aconteceu dez anos antes. Loco né?

A gente tem a percepção de que toda a América do Sul teve essa transição ao mesmo tempo, meio que junto. E tem essa diferença...

Pois é, olha a diferença, lá aconteceu dez anos antes. Aí começaram as pesquisas das músicas, eu acho também que tem muita coisa bonita, principalmente aqui, quando gringo vê e fica louco e acha incrível é o cenário diferente, pois a maioria dos nossos filmes, grande parte, é sobre favela, samba, tiroteio, violência, Rio de Janeiro e esse é doce, lírico, parece um sonho, filmado na Serra Gaúcha que parece a Europa, então quando o gringo olha ele fala “nossa, isso é Brasil também?”, é e é um lado do Brasil pouco explorado no cinema, um filme que celebra a família, que fala de erro e reparação, que celebra o lado bendito da vida, um filme bonito, humano, e muita gente diz que não esperava isso do Brasil, então é bonito apresentar um filme assim.

Você coloca no filme pequenos elementos que representam sucessos particulares, tais como aprender andar de bicicleta, qual a linha de sutileza você usou para representar esses pequenos sucessos particulares?

Eu acho que isso tem a ver com meu trabalho de diretor, como ator eu faço trabalhos muitos distintos, faço um pouco de tudo. Como diretor é meu terceiro filme, eu dirigi a versão brasileira do “In treatment”, que fez muito sucesso aqui pela HBO. Me encanta muito as histórias humanas, delicadas, onde os personagens são os destaques. Quando li pensei, tá aí algo que eu gosto, a história de um jovem virando adulto, o pai vai embora, ai ele fica ali descobrindo a vida, os primeiros amores, o que ele quer da vida, isso é reconhecível em qualquer lugar do mundo.

O filme também aborda as descobertas, né?

Exatamente, é a descoberta do mundo enquanto você está se descobrindo e é isso que fez do filme ter sucesso.

Sempre há trechos nos filmes que acabam por se destacar, mesmo sendo simples, qual deles destaca no Filme da Minha Vida?

Tem uma fala do Rolando Boldrin, que não atuava há mais de vinte anos e voltou a atuar no meu filme, ele faz o maquinista e em uma das cenas ele é questionado se ele acha o trabalho importante e ele diz que “meu trabalho é muito bonito, porque eu levo as pessoas para resolver as coisas”. Aí, em uma das estreias, que é quando a gente começa a receber o feedback das pessoas, teve um crítico que comentou: “Seu trabalho também é isso, você também leva as pessoas para resolver as coisas, fazer um filme é levar as pessoas para resolver as coisas porque durante esse tempo ela vai para uma viagem”. Quando você senta em uma sala de cinema por uma hora e meia você vê coisas ali que te faz refletir, “poxa, deveria ter resolvido de outra forma”, “nossa isso tem a ver com aquilo que passei” então é bonita essa analogia.

Você acabou de voltar da Europa, como foi lá na Festa del Cinema di Roma?

Sim, foi a primeira vez que nos apresentamos fora do Brasil, estivemos no Festival de Roma, a gente foi em competição e estávamos em competição junto com Soderbergh (Steven Soderbergh, cineasta), irmãos Taviani (leia-se Paolo e Vittorio Taviani), Kathryn Bigelow (cineasta americana) foi super chique, super bonito. Agora a estreia aqui nos EUA e depois vamos para Cuba.

Aqui nos EUA você vai para quais Estados?

Estamos com esta estreia aqui em NY, na próxima semana em Los Angeles na Califórnia, depois vamos para o Arizona, e depois Boston (MA), ai quando começa esse buxixo outros começam a buscar a gente, temos um namoro agora com Miami (Florida), é possível que a gente vá.

Resuma essa obra para você neste momento.

Esse filme é meu trabalho de amadurecimento como diretor, neste sentido tem uma identificação com o amadurecimento do protagonista, que é feito pelo ator Johnny Massaro, que é um ator maravilhoso, você vai ver o filme e vai ver que lindo que ele tá, e acho que por isso que esse livro me encantou, porque estamos sempre em amadurecimento. É o meu trabalho mais maduro.

Fonte: Marisa Abel