“Por quê?”
Se você convive com uma criança entre 3 e 6 anos, provavelmente já respondeu essa pergunta tantas vezes no mesmo dia que, em algum momento, só quis dizer: “Porque sim!”
Por que o céu é azul? Por que eu tenho que dormir? Por que a vovó morreu? Por que você está triste? Por que eu não posso? E eu sei… cansa.
Mas, no meio de tantos “porquês”, existe uma criança descobrindo o mundo, e descobrindo também que ela existe como alguém separado de você. Nessa fase, ela quer fazer sozinha, escolher a própria roupa, mudar de ideia, contar histórias que misturam fantasia e realidade e experimentar o poder de dizer “não quero”.
E é justamente aí que essa fase mais nos desafie, porque fomos educados para enxergar uma “boa criança” como aquela que obedece, não questiona e faz o que o adulto pede rapidamente.
Só que desenvolvimento infantil não acontece na velocidade da nossa pressa.
A parte cerebral (córtex pré-frontal) envolvida na regulação emocional e no controle dos comportamentos, ainda está em desenvolvimento. Portanto, esperar de uma criança pequena o autocontrole de um adulto é exigir uma habilidade que ela ainda está construindo. Isso não significa deixar a criança fazer tudo.
Crianças precisam de limites.
Mas limites claros, consistentes e seguros existem para oferecer proteção e previsibilidade, e não para ensinar submissão.
Onde mora nosso maior desafio: a sustentar as duas coisas - “Eu escuto você. E o limite continua.”
“Eu sei que você queria ficar mais tempo. Mesmo assim, precisamos ir.”
“Você pode ficar bravo. Eu não vou deixar você bater.”
“Eu ouvi seu não. E agora preciso cuidar de você.”
Isso é muito diferente de exigir silêncio ou obediência imediata. Os tantos “porquês” dessa fase também estão nos fazendo uma pergunta: você consegue continuar sendo meu adulto seguro mesmo quando eu penso diferente de você?
Entre 3 e 6 anos, nossos filhos não precisam de adultos que tenham todas as respostas, eles precisam de adultos que compreendam que questionar, experimentar, frustrar-se e precisar de ajuda para se regular também fazem parte de crescer.
Proteger uma criança começa na forma como você educa.





