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Coluna Jhenny Pacheco: Meu filho não come ou será que não quer ser controlado?

A colher vai atrás da boca que desvia. Você tenta mais uma vez. Insiste um pouquinho. Negocia o brócolis pela sobremesa e, quando percebe, a refeição que deveria ser um momento de encontro virou um campo de batalha. E…

Publicado em 08/23/26
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Coluna Jhenny Pacheco: Meu filho não come ou será que não quer ser controlado?

A colher vai atrás da boca que desvia. Você tenta mais uma vez. Insiste um pouquinho. Negocia o brócolis pela sobremesa e, quando percebe, a refeição que deveria ser um momento de encontro virou um campo de batalha. E eu sei que não é simples.

Quando uma criança não come, não é apenas o prato que preocupa. Vem o medo: “Será que comeu o suficiente?”, “E se ficar doente?”, “Será que estou fazendo alguma coisa errada?”

E, tentando cuidar, às vezes controlamos.

“Só mais uma colher.”
“Você não vai levantar enquanto não terminar.”
“Se comer tudo, ganha sobremesa.”

Não fazemos isso por maldade. Muitas vezes fazemos por amor, preocupação e até repetindo aquilo que aprendemos quando éramos crianças. Mas existe algo importante acontecendo ali: a criança também está construindo uma relação com o próprio corpo.

Desde muito pequenas, crianças apresentam sinais de fome e saciedade. Desviam o rosto, fecham a boca, demonstram interesse ou desinteresse. Conforme crescem, continuam aprendendo a reconhecer essas sensações.

Claro que nem toda recusa alimentar é sobre autonomia. Existem seletividade alimentar, questões sensoriais, fases do desenvolvimento e situações que precisam, inclusive, de acompanhamento profissional. Mas vale observar o que acontece quando transformamos cada refeição em uma disputa. Quanto mais pressionamos, mais algumas crianças resistem. E, de repente, já não estamos conversando sobre fome. Estamos discutindo quem decide sobre aquele corpo.

Uma das perguntas mais difíceis da parentalidade seja justamente esta: até onde vai o meu cuidado e onde começa o meu controle?

Nosso papel continua sendo oferecer alimentos, construir rotina, apresentar variedade e cuidar para que aquela criança tenha acesso a uma alimentação adequada. Mas também podemos ajudá-la a perceber: “Estou com fome.” “Já estou satisfeita.” “Não gostei disso ainda.” “Quero experimentar.” Educação protetiva também passa por ensinar uma criança a reconhecer e confiar nos sinais do próprio corpo.

E a mudança pode começar antes mesmo de mudarmos o prato quando seu filho disser “não quero mais”, observe também o que acontece dentro de você: ansiedade? Medo? Frustração? Às vezes, antes de ensinar uma criança a comer, precisamos compreender por que é tão difícil para nós quando ela decide que já comeu o suficiente. A mesa pode ser lugar de nutrição, mas também pode ser lugar de vínculo, conversa, descoberta e autonomia.

Proteger uma criança começa na forma como você educa.

Fonte: Da redação

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