Todo setembro, a cidade de Nova Iorque se transforma em um centro global de diplomacia e cooperação internacional, ao sediar a Assembléia Geral das Nações Unidas (AGNU). Este evento é um ponto focal para líderes mundiais, diplomatas e representantes de vários países se reunirem e abordarem urgentes questões globais. O evento serve também como uma plataforma para os países compartilharem melhores práticas, mobilizarem recursos financeiros e se comprometerem com metas climáticas ambiciosas que podem levar a um futuro sustentável para todos.
Nos últimos anos, a AGNU tem abordado uma série de desafios críticos, incluindo mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável, saúde global e segurança internacional. Compreender a importância desses eventos e os temas que eles tratam é crucial para reconhecer o papel da ONU na construção de um futuro melhor para a humanidade.
Como isso influencia a vida dos imigrantes vivendo nos Estados Unidos?
A Assembléia Geral da ONU é um dos seis órgãos principais das Nações Unidas, e uma plataforma para o diálogo global, onde todos os 193 estados membros têm voz. O Brasil é um deles e quando nossos representantes aqui comparecem, benefícios podem ser gerados para os brasileiros vivendo tanto em nossa terra de origem quanto no exterior. Portante, é fundamental estarmos por dentro das discussões, até mesmo para sabermos quem melhor nos representa e influenciar —através de nossos direitos de cidadãos —na escolha dos próximos representantes.
O que acontece durante esses dias cruciais? Durante a sessão de abertura, chefes de estado e de governo se reúnem para apresentar suas perspectivas e esta plataforma entre governantes serve também como um catalisador para a formulação de políticas internacionais e cooperação. É um enorme desafio, no entanto, encontrar reais soluções num encontro relativamente breve. Os ODS abrangem uma ampla gama de questões, incluindo erradicação da pobreza, igualdade de gênero, água limpa e saneamento, e ação climática. A urgência em atender a esses objetivos é sufocada pelos crescentes desafios impostos pelas mudanças climáticas, instabilidade econômica e desigualdades sociais.
Vale ressaltar que faltando apenas quatro anos até o prazo de 2030 para alcançar os “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável” (mais conhecidos como ODS), as discussões deste ano estão sendo fundamentais, e a AGNU se concentrou fortemente em ações práticas para promover o desenvolvimento sustentável.
As mudanças climáticas permanecem uma das questões mais importantes na agenda global. Os impactos catastróficos das mudanças climáticas já estão sendo sentidos em todo o planeta, desde eventos climáticos extremos até a elevação do nível do mar. Em 2024, os líderes mundiais enfatizaram a necessidade de ação imediata para combater tais problemas e promover a resiliência. A “Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas” da ONU (COP29), que também ocorreu em 2024, alinhou-se com as discussões na AGNU, focando na implementação do Acordo de Paris e na necessidade de os países intensificarem seus compromissos climáticos. As discussões prometem ser particularmente significativas este ano, à medida que as nações refletem sobre seu progresso na redução das emissões de gases de efeito estufa e na transição para fontes de energia renováveis.
No setor da saúde, a pandemia de COVID-19 destacou as vulnerabilidades nos sistemas de saúde globais e a necessidade de uma colaboração internacional robusta. À medida que o mundo continua a se recuperar da pandemia, a AGNU tem discutido a importância do fortalecimento dos sistemas de saúde e da garantia de acesso equitativo a cuidados de saúde e vacinas. As discussões também se concentraram em ameaças emergentes como a resistência a antimicrobianos e o impacto das mudanças climáticas na saúde.
A importância da segurança em saúde não pode ser subestimada, pois afeta diretamente a estabilidade econômica e a coesão social. A ONU defenderá um aumento do investimento em infraestrutura de saúde, pesquisa e desenvolvimento, particularmente em países de baixa e média renda que frequentemente enfrentam os maiores desafios.
Em um mundo cada vez mais polarizado, a necessidade de diálogo e cooperação para manter a paz e a segurança é crucial. A AGNU abordará conflitos em andamento, na intenção de promover o desarmamento e fomentar o diálogo entre as nações. Questões como terrorismo, ameaças cibernéticas e a proliferação de armas de destruição em massa serão novamente parte da agenda em 2026.
Além disso, o evento costuma abordar as crises humanitárias que surgem de conflitos, com foco em fornecer ajuda e apoio às populações afetadas. O papel da ONU em operações de manutenção da paz e resolução de conflitos destaca a importância da diplomacia na resolução de disputas e promoção da estabilidade.
Como Pessoas Comuns Podem Participar?
Saibamos que outro aspecto vital da AGNU é a inclusão de organizações da sociedade civil, grupos de jovens e outros interessados nas discussões. Sua participação garante que perspectivas diversas sejam representadas e que as vozes de comunidades marginalizadas sejam ouvidas. O envolvimento da sociedade civil é essencial para responsabilizar os governos por seus compromissos e fomentar movimentos de base que impulsionem a mudança.
Não é interessante que um acontecimento tão político e magnânimo, que parece longe da nossa realidade, possa ser simultaneamente tão interconectado ao dia a dia de todos nós? Sem dúvida, os eventos da ONU todo setembro em Nova Iorque são, acima de tudo, uma oportunidade de pensarmos que embora pequenos, podemos fazer parte dessa cooperação internacional. Que reconheçamos ao refletir sobre cada um dos assuntos dessa pauta global, a responsabilidade coletiva que compartilhamos na construção de um mundo mais justo, equitativo e sustentável.
Liza Andrews é jornalista e apresentadora de TV em Nova Iorque. Acompanhe e envie perguntas e sugestões para a colunista pelo Instagram @LizaAndrewsOficial





