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Coluna Saúde da Mulher Lídia Ferreira: Estado de Alerta - Os Danos da Violência Verbal Contra a Criança

Gritos constantes, xingamentos, palavras depreciativas, comportamento agressivo podem ser ameaçadoras além de devastadoras para o cérebro da criança que convive com pais abusivos. Na última semana do mês de outubro, a…

Publicado em 10/29/26
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Coluna Saúde da Mulher Lídia Ferreira: Estado de Alerta - Os Danos da Violência Verbal Contra a Criança

Gritos constantes, xingamentos, palavras depreciativas, comportamento agressivo podem ser ameaçadoras além de devastadoras para o cérebro da criança que convive com pais abusivos.

 

Na última semana do mês de outubro, a coluna Saúde da Mulher não poderia deixar de tratar um assunto ainda pouco discutido, a violência infantil. A violência contra a criança infelizmente também vem ganhando uma proporção catastrófica nos lares onde deveria ser o local mais seguro para quem não tem como se defender.

 

Estudos de neuroimagem realizados recentemente pela University College London, (UCL) comprovaram dados assustadores dos efeitos nocivos ao cérebro infantil quando vivenciam discussões agressivas dos pais.

 

O cérebro de uma criança, quando exposta a violência sofre danos irreparáveis, especialmente quando é presenciada dentro do lar por parte daqueles que deveriam protegê-la. Gritos, insultos, palavras que machucam não somente o adulto mas principalmente as crianças.

 

Dados da UCL revelaram que quando a criança presencia a violência verbal dos pais durante uma discussão duas áreas cerebrais são severamente ativadas: a amígdala (o botão de pânico) e a ínsula anterior.

 

Durante a exposição à violência, o cérebro da criança entra no modo de sobrevivência ("luta ou fuga"), inundando o organismo de cortisol (o hormônio do estresse). Essa reação do organismo é comparada ao de um soldado em meio a zona de combate.

 

Submeter uma criança ao ambiente hostil constantemente gera reações de curto, médio e longo prazo, podendo prejudicar todo o desenvolvimento cerebral, emocional e até físico. Pais que costumam brigar, bater porta, jogar objetos estão, indiretamente atingindo os filhos quando escolhem agir desta maneira na frente de quem não tem maturidade para compreender tamanha irresponsabilidade dos adultos.

 

Campo de guerra - efeitos de curto, médio e longo prazo

O desentendimento entre os pais, quando manifestado de forma violenta ou com hostilidade gera um ambiente de guerra no subconsciente da criança. Os efeitos podem ser observados a curto e longo prazo, porém quando a criança é submetida por vários meses, ou até anos a violência verbal entre os pais, as sequelas podem se perpetuar por toda a vida.

 

Para entender melhor os efeitos no cérebro infantil, logo após presenciar uma briga agressiva dos pais, o corpo da criança permanece sob o efeito da “química do medo”. Os efeitos podem inclusive afetar o sono profundo (fase do REM), provocar um estado de alerta constante, também conhecido como “hipervigilância oculta”.

 

Os principais sintomas “ocultos” de crianças que estão sofrendo efeitos da “química do medo” são: pesadelos, dores de estômago ou de cabeça, quedas na imunidade. Neste caso, é importante observar se o fato da possibilidade da relação da criança está constantemente gripada, ou sempre doentinha, com o relacionamento abusivo dos pais.

 

A “química do medo” também afeta os bebês de idade entre 6 a 12 meses, de forma a provocar alterações nos batimentos cardíacos e na atividade cerebral se expostos a tons de voz raivosos.

 

O mesmo estudo apresentou que quando a criança experimenta a relação agressiva entre os pais por meses ou por anos, a alteração cerebral, emocional e cognitiva afetam tanto no aprendizado, quanto na regulação emocional, provocando um sentimento constante de culpa. 

 

Infelizmente, é comum observar casais que usam de palavrões como parte do vocabulário diário para demonstrar descontentamento e reprovação contra o cônjuge, companheiro e até mesmo contra o parceiro romântico.

 

Quando brigas estão relacionadas no cotidiano da vida familiar, a “naturalização” de comportamento hostil também pode provocar sentimento de culpa por parte da criança e até mesmo a repetição do mesmo para relações futuras.

 

O que se aprende em casa se propaga no mundo, respinga no outro e afeta à todos. Que tipo de lar você está construindo? Caso não tenha condições de sair de uma relação abusiva, procure ajuda, antes que seu filho tenha a infância roubada por quem deveria amar, proteger e cuidar. Fica o alerta.

 

Fonte: Family Studies Institute

Fonte: Da redação

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