Publicado em 4/11/2008 as 12:00am

Campeão do Karate, Arlindo Vieira sonha com a vitória para o Brasil no Mundial 2008

Enquanto se prepara para a competição que pode ser a chance de ganhar para o Brazil uma medalha no Campeonato Mundial de Karatê, dia 16 de novembro

 

Enquanto se prepara para a competição que pode ser a chance de ganhar para o Brazil uma medalha no Campeonato Mundial de Karatê, dia 16 de novembro, o faixa preta que já ganhou uma medalha para os Estados Unidos e duas para o Brasil não perde de vista o que acha que mais vale nessa trajetória.

“Eu quero mostrar a tradição do trabalho do que está sendo feito lá no Pará e que é muito bom mesmo”, disse  Arlindo Vieira. “A nossa técnica tem nível mundial e é apreciada por muitos aqui nos Estados Unidos”.

Vieira, 38, que vem de uma família inteira dedicada às artes marciais e à qual se refere hoje em dia como Vieiramazon, teve mais certeza de  que sua técnica era especial  depois que recebeu, em 2002,  um telefonema da ex-aluna Cristina Remor, que tinha se mudado para Miami.

“Eles viram a técnica dela e queriam saber onde ela aprendeu”, conta Vieira. “Ela falou que tinha sido em Marabá ( Pará) no Brasil e muitos ficaram interessados.”

Convidado a visitar a Florida, Vieira fez disso a sua prioridade e  disputou um campeonato, ganhando duas medalhas para o Brasil. Dois anos depois, voltou e chegou a tempo de um  campeonato, no qual pensou em  participar respresentando os Estados Unidos, o que nao poderia acontecer nos termos normais. Mas Remor, a fiel aluna, conseguiu para o professor um jeitinho brasileiro sem atrapalhar as regras do jogo.

“Cristina questionou o técnico da seleção dizendo que, se me conseguissem uma vaga, eu poderia talvez conseguir uma medalha pra eles.” conta Vieira. “Eu já tinha uma medalha da copa internacional que era muito maior, com competidores de boa parte do mundo. Eles resolveram criar uma eliminatória e eu poderia participar, sem ter categoria, aberta pra qualquer peso. Lutei com lutadores muito maiores do que eu e ganhei. Ganhei uma vaga na seleção e viajei com eles como atleta, com uma moral mais elevada, pra disputar o campeonato nacional. Ganhei então a medalha de ouro para o estado da Florida como campeão norte-americano”.

Orgulhoso do feito, Vieira queria com urgência aprender inglês, pra ver se ficava nos Estados Unidos e conta que um dia entrou de loja em loja em Fort Myers. e dizia apenas : “I need English School.” Eventualmente encontrou uma mulher americana que prometeu conectá-lo com uma amiga que falava português.

“Ela me ligou e disse que viria se encontrar comigo às sete da manhã e meus amigos criticaram, mas eu nunca vi tanta pontualidade,” conta Vieira. Essa pessoa é Aixa Cruz, porto-riquenha, que junto com o marido, Edgar Cruz, que trabalhava como “oficial da corte,” tornou-se a fada- madrinha de Vieira.

“Essa família praticamente me adotou,” ele conta. “Eles me hospedaram e trabalharam dia e noite traduzindo os jornais com notícias a meu respeito pra poder conseguir em tempo hábil a minha entrada com os documentos, porque o meu visto I-94 já estava próximo de vencer.

“Eles olharam todos os meus diplomas originais e medalhas e viram que eu era um cara que tinha possibilidade de entrar com um processo para o green card chamado “talentos especiais,.” dado só para artistas e atletas de nível alto”.

Vieira vê nessa sequência de amabilidades a sua obrigação de voltar às origens e demontrar apreciação por todos que ofereceram  apoio ao longo do caminho. “A gente aprendeu valiosos ensinamentos com os japoneses,” conta. o faixa preta que cita por nome cada um dos professores que o ajudaram como os mestres Yochisio Machida e Pedro Yamaguchi. Eles nos ensinaram excelente técnicas de karatê e entendemos que a educação é feita de uma forma em que você aprende a ter essa gratidão com as pessoas que te ensinaram. É isso que torna especial o trabalho que está sendo feito”.

Vieira faz questão de citar o pai, um homem simples que cresceu na Ilha de Marajó, no Pará, e  aprendeu cedo a correr atrás de búfalos selvagens para domesticá-los.  Esse treinamento físico forçado, diz, com certeza influenciou suas habilidades na “luta marajoara,” um tipo de arte marcial praticado na ilha.

“Ele começou em 1954,” diz Vieira. “Essa luta usa uma técnica conhecida como ‘cabeçada’ e que é parecida com a ‘baianada’ do  Brazilian Jiu-jitsu. Nessa técnica vence quem consegue primeiro encostar as costas do advsersário no chão, similar ao ‘wrestling’ americano.’”

A decisão de se mudar para Belém deu ao patriarca Paulo Vieira e seus sete filhos a chance de descobrir o karatê, “trazido pelos japoneses que chegaram pelo navio Argentina Maru e aportou no Porto de Icoraci,” conta Vieira.

Foi com esses mestres, que de dia trabalhavam na lavoura, que seu irmão mais velho, Paulo S.B. Vieira adquiriu as habilidades que o fizeram o mestre conhecido que ainda é. Vieira começou ainda pequeno observando o irmão e demonstrando pra outros o que ele pedia. Ambos tiveram trajetórias importantes no Karatê e por causa do mestre Paulo o numero de familiares com faixa  preta  aumentou muito em 1987. Vieira pretende extender a tradição.

“Meu objetivo é poder abrir uma escola e passar a tradição para outros, “ diz. “Nós temos uma excelente técnica , um talento especial nas artes marciais e faz parte da disciplina a gratidão.”  Contando que gosta de ler, Vieira conta que aprendeu que “fazem parte do karatê cinco pontos éticos:  ‘formação de caráter, fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão, criar o intuito de esforço, respeito acima de tudo e conter o espírito de agressão.O objetivo do karatê não está nas vitórias ou nas derrotas em competições, mas sim no aperfeiçoamento do carater de nossos praticantes.”

Mas as competições continuam motivando e por isso Vieira treina como pode para a competição do Mundial dia 16 de Novembro. Ainda não tem patrocinador, mas ficará satisfeito se tiver na comunidade brasileira alguma oferta. Quem estiver interessado pode ligar para 508-579-9779.

Fonte: (Da redação)