Publicado em 10/03/2012 as 12:00am

Mesmo em grande fase, Real continua à sombra do Barcelona

Um ataque extraordinário,

Um ataque extraordinário, com média superior a três gols por partida e um dos melhores aproveitamentos da história do futebol espanhol. Mas não tem jeito. Por mais que o Real Madrid faça neste ano, só se fala em Barcelona.

No último fim de semana, mais um show de Cristiano Ronaldo e cia. no Santiago Bernabéu e massacre diante do Espanyol, que é de Barcelona: 5 a 0, com direito a boa atuação do brasileiro Kaká.

O Real Madrid atingiu média de 3,4 gols por jogo e aproveitamento de 89,3%. O time da capital soma 67 pontos, contra 57 do Barcelona. Hoje, em Sevilha, o Betis tentará evitar que o time merengue chegue à 23ª vitória em 26 jogos no Espanhol.

Com isso, o Real atual é muito superior aos Galácticos originais, campeões de 2003, com Ronaldo, Zidane, Roberto Carlos e Beckham, que fizeram meros 2,26 gols de média e 68,4% dos pontos.

Barcelona com Ronaldinho no auge? Também não é páreo: fez 2,10 gols por partida.

O melhor Barcelona em pontos dos últimos anos foi o de 2010, com Messi em plena forma. Não passou de 86,8% de aproveitamento e 2,57 gols por jogo em média.

Mesmo assim, três dias depois dos 5 a 0 contra o Espanyol, o tal do Messi destruiu o Leverkusen (fez cinco gols). E o Real voltou ao papel de coadjuvante do ano.

Alguns diagnósticos ajudam a explicar o quadro.

Primeiro, o técnico. O estilo cavalheiro de Pep Guardiola poderia ser irritante, mas é cativante. Se o treinador quiser brigar com alguém, passa a impressão de que no máximo o desafiaria para um duelo atrás da igreja.

Pep nunca guarda para si os elogios. Divide com todos do Barcelona, se bobear, agradece a cada cidadão catalão pelo bom desempenho.

Mas, se José Mourinho, técnico do Real, enaltece o rival, possivelmente dirão que ele está tripudiando. Suas entrevistas são marcadas pelo confronto. E o apelido não ajuda a promovê-lo como funcionário do mês: "Special One". Mourinho não pede perdão, enfia o dedo no olho.

Segundo, o craque. Cristiano Ronaldo já se tornou o maior artilheiro de uma temporada em 2011, pelo Real, com 40 gols. Neste ano, tem tudo para quebrar a marca: fez 30, e faltam 13 rodadas.

Messi? Tem só 28 gols.

De novo, o individualismo joga contra. CR7 não é de comemorar muito o gol dos outros. Poupa-se para os seus. Messi, por outro lado, faz 1 bilhão de gols e diz que o importante é a vaga. Por mais que os dois sejam virtuosos, o português está fadado a ser o Salieri de sua geração diante do Mozart argentino.

Terceiro e último, os coadjuvantes. No Real, tem atacante que já foi caso de polícia (Benzema), jogador que questiona técnico (Sergio Ramos) e panelinha luso-brasileira (Pepe, Kaká, CR7 e Marcelo), nada muito simpático aos olhos do público.

O Barcelona parece uma sociedade de pequenos hobbits catalães que nunca falaram palavrão: Iniesta, Xavi, Pedro, Thiago, Fàbregas... Até quando tem um mais ousado, Piqué (que é alto), logo dá-se um jeito de cair nos braços do povo ao iniciar romance com estrela pop (Shakira).

Nem o bom-moço Kaká (que mais se machuca do que joga) tem ajudado a melhorar a imagem do Real Madrid aos olhos do mundo --todos adoradores de Barcelona.

Se a história recente de Real e Barcelona fosse um filme, certamente o time da capital seria o Império do Mal contra os heróis de capa azul-grená.

Fonte: (da uol)