Publicado em 13/03/2012 as 12:00am

Após renúncia de Ricardo Teixeira, clubes brigam para tomar poder na CBF e criar liga

Com a saída de Ricardo Teixeira da presidência da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), ocorrida oficialmente na última segunda-feira, já teve início a disputa nos bastidores do futebol brasileiro pelo controle da entidade e dos campeonatos que ela or


Apesar de o estatuto da confederação determinar que, em caso de renúncia do presidente, o vice de maior idade (José Maria Marin, 79) deve assumir e cumprir o mandato até o fim (ou seja, 2015), federações estaduais e clubes de futebol apostam em outro desfecho.

Boa parte das federações vê a entrada de Marin na presidência da CBF como um fortalecimento indesejado da FPF (Federação Paulista de Futebol) dentro da entidade nacional, já que o cartola é ligado à federação, da qual foi presidente entre 1983 e 1988.

As federações insatisfeitas, junto com algumas equipes de fora de São Paulo, articulam para que haja uma eleição no curto prazo para definir um novo presidente da CBF.

Para o pleito, os clubes apresentariam um nome que os representasse. É nisso, por exemplo, que aposta Alexandre Kalil, presidente do Atlético Mineiro.

"Precisamos [os clubes] brigar por eleições lá [na CBF]. Somos vários clubes, temos muitos votos, isso não pode ser ignorado”, advoga o cartola.

Há, ainda, outra corrente entre os dirigentes, que defende a criação de uma liga de clubes, que seria responsável pela organização dos campeonatos profissionais de futebol no país. Esse projeto, por sinal, é um sonho antigo dos cartolas. A ideia seria aproveitar a fragilidade da CBF gerada pela saída de Teixeira para tentar encampar a iniciativa, estratégia que não agrada a todos.

"Não é hora de pensar em Liga. Primeiro, precisamos tomar conta da CBF. Depois disso, a gente pode pensar na Liga", afirma Kalil.

Na semana retrasada, Marcio Braga e Kléber Leite, ambos ex-presidentes do Flamengo, começaram a mobilizar os clubes. A ideia era lançar oficialmente a campanha pela liga no mesmo dia em que Ricardo Teixeira convocou uma assembleia da CBF. Muitos clubes toparam, mas nenhum quis sediar o evento, temendo retaliações de Teixeira, então ainda presidindo a confederação.

Durante a discussão da semana retrasada, Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo, fora contra a realização da reunião naquele momento. Segundo ele, era necessário esperar um desfecho da situação envolvendo Ricardo Teixeira.

 Agora, o desfecho já ocorreu. Mas vários clubes ainda acham cedo para tomar uma posição, caso do Palmeiras, que prefere esperar o desdobramento da disputa das federações rebeldes com Marin. Rio Grande do Sul, Bahia, Paraná e Santa Catarina estão entre as descontentes.

Já na CBF, um aliado de Ricardo Teixeira afirmou que a ideia de a entidade passar a cuidar exclusivamente das seleções nacionais, deixando a organização dos campeonatos a cargo de uma liga de clubes, é ventilada, justamente por causa da troca no comando. Ainda segundo ele, esta não é a vontade de ninguém dentro da confederação, mas talvez seja uma realidade inevitável.

Os mandatários de Grêmio e Inter foram os primeiros a falar abertamente do assunto. "A CBF tem que tratar de organização, arbitragem, gestão do futebol, com as federações. Mas os clubes têm que tratar das questões de campeonatos, do rateio da verba, das questões econômicas. A única maneira para isso é a criação da Liga Nacional. E para isso não precisa confronto ou briga com a CBF, mas uma conversa. Os clubes não têm que só participarem das reuniões como observadores, têm que ter presença e direito a voto. Uma participação maior no que diz respeito aos clubes da CBF", disse Paulo Odone, presidente gremista.

O colorado Giovanni Luigi seguiu a mesma linha: "Espero que a CBF continue agindo de uma forma que proteja os clubes, esteja atenta com o Comitê Local da Fifa no Brasil e que os clubes também acabem se organizando, assim como nós tínhamos o clube dos 13. Que a gente possa ter uma Liga ou uma instituição que represente os clubes".

Fonte: (da uol)