Publicado em 28/05/2013 as 12:00am

CBF flexibiliza regulamento e desorganiza início do Brasileiro

Na primeira rodada do Brasileiro, a CBF flexibilizou o regulamento do campeonato, aceitando que os clubes explorassem suas brechas na realização dos jogos.

Como resultado, a primeira rodada do Nacional teve itens de desorganização como jogos em estádios pequenos, inversão de mando de campo disfarçada, preços abusivos por mau serviço e falta de promoção para o campeonato mais nobre do país.

O caso mais gritante foi o do jogo entre Santos e Flamengo, realizado em Brasília, no novo Estádio Nacional Mané Garrincha. O mando de campo era do time santista, que vendeu a partida para a empresa Aoxy, como revelou o Lance!. Resultado, Neymar se despediu em um campo dominado pela torcida adversária.

Pelo regulamento do Brasileiro, no artigo 20, fica especificado que "o mando de campo da partida será exercido no limite da jurisdição da federação a que pertença o clube mandante, exceto em situações excepcionais". Ou seja, o Santos teria de jogar no Estado de São Paulo, salvo autorização da Diretoria de Competições da CBF.

A confederação permitiu a mudança. A Aoxy pertence a Tuca Belotti que participa da promoção de outras competições da CBF, Série B e Copa do Brasil. Mais do que isso, é muito próximo a Wagner Abrahão, um dos maiores parceiros comerciais da confederação e de seu ex-presidente Ricardo Teixeira. A alegação oficial para a aprovação da mudança é de que o jogo servia como evento-teste para a Copa das Confederações.

A empresa faturou quase R$ 7 milhões por cobrar ingressos a preços de R$ 160,00 a R$ 400,00. Ou seja, os valores estiveram bem acima do que é o padrão em jogos do Nacional. Mais uma vez, os organizadores contaram com a ajuda da CBF, que aprovou a majoração ou se omitiu. Pelo Regulamento Geral de Competições, no artigo 83, parágrafo 5, nos casos em que o clube mandante atuar fora de seu estado "eventual aumento dos preços de ingressos somente será possível se aprovado pela DCO (Diretoria de Competições)".

Sob o ponto de vista esportivo, a autorização do jogo em Brasília com torcida majoritária do Flamengo representou, na prática, uma inversão de mando de campo. A primeira rodada do Nacional tem o mesmo peso da última. A CBF já tinha permitido algo parecido em 2008, quando o São Paulo conquistou o título do Nacional em Brasília, em jogo que o Goiás tinha mando de campo - a torcida são-paulina era maioria. 

O UOL Esporte procurou a assessoria de imprensa da CBF e sua Diretoria de Competições para ouvir explicações sobre o jogo de Brasília, que não responderam ligações ou não estavam na sede da entidade. A confederação, anteriormente, afirmara não ter ingerência sobre o preço dos ingressos.

Outro item flexibilizado do regulamento foi a exigência de que todos os jogos fossem realizados em estádios de capacidade mínima de 15 mil pessoas.  De fato, as arenas da primeira rodada se apresentam como tendo a possibilidade de receber esse número de pessoas. Mas em pelo menos cinco jogos da primeira rodada foram vendidos menos de 15 mil bilhetes. O regulamento não diz se o clube pode utilizar apenas parte da capacidade de sua arena.

Com isso, o Fluminense jogou para apenas 3.355 pessoas no Estádio Moacyrzão, em Macaé, diante do Atlético-PR. Só 7.791 bilhetes foram vendidos. Em resumo, o campeão nacional atuou com reservas para o menor público da primeira rodada.

É verdade que o Brasileiro teve uma média de 17.670 em seus primeiros jogos, bem superior ao início ano passado com 10.521. Essa média foi incrementada pelo jogo em Brasília, que, aliás, não divulgara o relatório financeiro da partida até o final desta tarde. Isso é obrigatório pelo Estatuto do Torcedor. Mas, se houve público, faltou promoção.

O Corinthians, campeão mundial, estreou em um horário esdrúxulo de 21 horas de sábado - lotou o estádio, diga-se. O Fluminense jogou longe do Rio com reservas. O maior jogador do país se despediu sob vaias da torcida rival. O presidente da CBF, José Maria Marin, não viu: estava em viagem ao exterior.

Fonte: www.uol.com