Publicado em 13/08/2013 as 12:00am

Abaixo da Premier League, clubes vivem terror econômico

Abaixo da Premier League, clubes vivem terror econômico


É natural que anos depois da explosão de donos estrangeiros e milionários, o futebol inglês comece a apresentar sinais de ruptura. Enquanto muitos defendiam a entrada de magnatas russos, indianos e árabes, outros reconheciam que havia o risco desse dinheiro fácil escorrer pelo ralo e deixar equipes em frangalhos.

Mas calma aí, não estamos falando apenas da Premier League: a segunda divisão inglesa é o foco de um estudo do grupo de contabilidade BDO, que revela uma perspectiva assombrosa: um terço dos clubes da segunda e terceira divisão poderão ser colocados à venda. Essa crise foi deflagrada depois que algumas equipes passaram a depender demais do capital injetado por seus donos, o que em caso de retirada pode ser letal, como foi para o Portsmouth, talvez o maior exemplo de todos de má administração. Hoje o Pompey é controlado por um grupo de torcedores que se cansaram das palhaçadas do mandachuva Vladimir Antonov, que teve até um mandado de prisão em seu nome, entre outras falcatruas

O vendaval dos sonhadores

É claro que em tempos altamente comerciais como os de hoje, a tendência por enxergar no futebol uma chance de multiplicar sua dinheirama ou alimentar sua megalomania tornou este tipo de investida algo comum dentro da Inglaterra. Não raro grupos de investimento adquirem parcelas majoritárias de clubes e se em dentro de cinco ou dez anos eles não apresentam resultado, repassam essas ações deixando a situação caótica nos cofres.

Uma matéria do Guardian que se aprofunda nessa questão tenta explicar em números essa debandada, que no fim das contas aumenta o abismo entre os participantes da Premier League e os de divisões inferiores. Cerca de 65% dos times avaliados na segundona reconhecem que o seu principal acionista é quem responde pelas questões financeiras, um aumento de cerca de 13% em relação a 2012.

Vade a bordo, cazzo!

Se isso soa aterrador, o panorama é ainda mais grave quando nos deparamos com o dado de que 94% dos 24 times da segunda divisão relatam essa dependência econômica dos mandatários. Enquanto 83% dos participantes da Premier League se declaram como numa condição financeira bem saudável, equilibrando e separando bem as contas, apenas 14% dos times na League One (terceira divisão) podem alegar isso, de acordo com pesquisa feita pela BDO.

Os aventureiros que apostam num acesso e fortalecem o elenco em busca desse objetivo quase sempre quebram a cara. Nos últimos anos temos visto raros exemplos de solidez como o Swansea, que subiu e se estabeleceu na elite, sem fazer tanto barulho. Ao contrário do espalhafatoso Queens Park Rangers, que subiu e pensou que podia mover montanhas com a bufunfa de Tony Fernandes, contratando baciadas de jogadores que não deram certo no Loftus Road.

A solução para quem se cansa de perder dinheiro? Passar o clube a outro que queira pagar as contas e sanar as dívidas acumuladas. E esse turbilhão não é facilmente revertido como parece. A começar pelo fato de que nem sempre há interessados, o que pode ser um grande salto para a quebra.

Em tempos que a saúde financeira no futebol anda mal das pernas, ações megalomaníacas de Monaco, Paris Saint-Germain e até mesmo a proposta zilionária do Real Madrid por Bale se mostram nocivas ao equilíbrio que tanto se espera do esporte. O dinheiro está fazendo do futebol uma ilha quase inabitável para quem não adere aos donos milionários.

E o erro dessa pequena parcela de ricos irresponsáveis gerou um efeito devastador na estrutura de campeonatos que tentam encontrar medidas para salvar os gastões da falência iminente. Ninguém parece ter aprendido a lição do Portsmouth. Vão esperar um bota fora de times tradicionais para aprender?

Fonte: www.uol.com