Publicado em 24/07/2016 as 8:00am

Brasileiro conta como investiu US$500 mil em estádio do Orlando City em troca de Green Card

Executivo se mudou para os Estados Unidos após sofrer trauma com violência no Brasil e aproveitou oferta do governo americano

Em 2013, Fabrício Bossle, 40, e sua família viajavam de carro da capital ao litoral paulista para aproveitar alguns dias de folga quando uma tentativa de assalto frustrou os planos e também os traumatizou.

Três anos depois, Bossle, executivo com passagem por empresas do mercado financeiro, vive com mulher e três filhos nos Estados Unidos com um visto de estudante. Mas esse status vai mudar em breve.

Bossle é um dos investidores do estádio para 25 mil espectadores que o Orlando City, franquia da MLS, a principal liga de futebol dos Estados Unidos, está construindo na cidade da Flórida.

Em troca do investimento de US$ 500 mil (R$ 1,6 milhão) no projeto, ele receberá nos próximos meses um visto permanente para viver nos Estados Unidos, o "green card".

O visto para quem investe no país é o EB-5, incentivo criado em 1990 pelo governo dos Estados Unidos para atrair pessoas que quisessem fazer aportes em projetos de infraestrutura. A ideia era que as obras ocorressem em zonas rurais e bairros mais pobres de grandes cidades.

Segundo reportagem publicada pelo jornal "The New York Times", depois que o crédito bancário desapareceu devido a recessão, incorporadores de imóveis passaram a recorrer ao programa para financiar hotéis, condomínios e outros projetos em centros ricos, como Miami. O resultado é que o número de vistos EB-5 concedidos chegou a quase 9.000 em 2015, contra menos de 100 em 2003.

"Pretendemos morar nos Estados Unidos por questão de segurança. E vi alguns possíveis investimentos, um em Houston, outro em Washington, estação de esqui em Vermont. Mas avaliei como melhor opção o estádio do Orlando City, com menor risco", explicou Bossle, que conversou com a reportagem no escritório onde funcionam as operações do time, em um prédio no centro comercial de Orlando.

Há advogados nos Estados Unidos especializados em produzir encontros entre pessoas que queiram investir para obter o "green card" com empresas que tenham projetos que se encaixam no visto EB-5. O foco, normalmente, é procurar chineses, que são os que mais procuram projetos para conseguir o visto.

Os brasileiros, porém, estão entre aqueles que nos últimos anos têm buscado o financiamento.

"Vi alguns projetos, mas alguns nem entendi muito bem ou era muito longe de casa. Não vou colocar dinheiro em algo na Virginia [Estado distante mais de 1.000 km de Orlando]", disse outro investidor brasileiro no estádio do Orlando City que pediu para não ser identificado.

Ele explicou que também vive na cidade da Flórida com visto de estudante e que viu no EB-5 a chance de conseguir o visto permanente, mas aliado a chance de um investimento que seja rentável. "Para diversificar com o que tenho no Brasil", disse.

O estádio vai custar aproximadamente US$ 150 milhões e já tem ao menos 30 investidores. A obra já está em andamento –o City deve jogar a temporada 2017 no novo estádio– e pode ser acompanhada pelos investidores via internet.

O clube em que atua o meia brasileiro Kaká não revela quanto promete de retorno aos investidores. "Deixamos claro que o investidor vira parceiro no estádio. Já estamos com pacotes esgotados para a temporada, o estádio nem pronto está. Apresentamos todas as receitas que entrarão. O projeto é bom, e quem investe indica a amigos", disse o diretor-executivo do Orlando City, Alexandre Leitão.

Fonte: braziliantimes.com