Publicado em 18/10/2017 as 9:00pm

Repleta de imigrantes, seleção dos EUA é tudo o que Trump não quer

Não foram poucos os torcedores, por todo o mundo, que celebraram a não classificação da...

Repleta de imigrantes, seleção dos EUA é tudo o que Trump não quer Pulisic nasceu na Pensilvânia, mas tem cidadania croata.

Não foram poucos os torcedores, por todo o mundo, que celebraram a não classificação da seleção norte-americana para a Copa do Mundo da Rússia, em 2018, dada a certa antipatia que os Estados Unidos causam em algumas nações. O sentimento ficou ainda mais forte este ano, o primeiro do governo de Donald Trump, um presidente sem papas na língua para posições anti-imigração e na defesa de uma “América para americanos”.

A seleção norte-americana de futebol, que perdeu a chance de participar da repescagem para a Copa do Mundo 2018, é um exemplo de que de um país que o presidente Donald Trump não quer. A equipe é recheada de imigrantes ou descendentes de país que nasceram em outros países que se mudaram para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor.

Na partida contra Trinidad e Tobago, nove dos 11 jogadores que começaram jogando são ou possuem descendência em outro país. Apenas dois são nativos americanos.

De acordo com o jornal O Globo, a realidade é que a seleção é formada por uma segunda geração de estrangeiros que vivem no país. Só um jogador, o volante Darlington Nagbe, nasceu fora do território americano, na Libéria, e saiu do país natal com a mãe aos cinco meses, refugiado da guerra civil. Passou pela Europa e se instalou em Ohio aos 11 anos.

O craque do time, o jovem meia Pulisic, do Borussia Dortmund, nasceu na Pensilvânia, mas também tem a cidadania croata, já que sua mãe nasceu numa ilha na Croácia. Optou jogar pelos Estados Unidos tendo as duas opções.

Há descendentes de imigrantes em todas as posições: a mãe do goleiro Tim Howard veio da Hungria; os avós do lateral Yedlin são dominicanos, e sua mãe é judia; o zagueiro Omar Gonzalez, como o nome denuncia, é filho de mexicanos, assim como o meia Arriola e o lateral Jorge Villaffana, descendente latino que nunca conheceu o pai, usa o sobrenome da mãe e surgiu para a glória em um programa de reality show, em um típico roteiro americano. No ataque, uma dupla formada por Altidore, o caçula de uma família de imigrantes haitianos, e Wood, nascido no Havaí, filho de um afro-americano com uma professora japonesa.

Só o zagueiro Matt Besler e o meia Bradley são americanos nativos. Besler, católico fervoroso e “bom menino”, sem querer é o representante perfeito do americano típico. Já Bradley, líder do time há alguns anos, expõe publicamente seu descontentamento com Trump: recentemente, em seu Instagram, ele se disse “triste” e “envergonhado” com as ações do presidente.

Isso significa que, em um único time, com seus 11 jogadores titulares, há oito países representados (Libéria, Croácia, Hungria, República Dominicana, México, Haiti e Japão), além dos Estados Unidos.

A FRONTEIRA NO FUTEBOL

Claro, no futebol, há quase sempre um gosto em torcer pela derrota do gigante e pela vitória do pequeno, e a eliminação americana traz satisfação aos que veem a seleção como um símbolo do país, e uma demonstração de fraqueza em meio a tanta força. No caso, porém, a quantidade de descendentes de imigrantes no time mostra que é uma história onde os “Davis” se misturam aos “Golias”, entre um gol e outro.

No fim, ninguém venceu, afinal, o país, a seleção e os jogadores, todos juntos, estão fora do Mundial da Rússia. O fato é que existe um muro construído entre o sucesso e o futebol praticado nos Estados Unidos. E superá-lo, ultrapassar essa fronteira, já é questão que fica para 2022, na Copa do Qatar, depois até das próximas eleições para presidente, que acontecem em 2020. 

Fonte: Redação - Brazilian Times (O Globo.com)