Publicado em 19/02/2008 as 12:00am

Brasileiro chegou aos EUA no bagageiro de um ônibus

Ele disse que vivenciou o "inferno" e não faria de novo

Da redação

 

Para chegar aos Estados Unidos, muitas pessoas enfrentam a morte de frente. Foi o caso do paraibano W.V.S, de 27 anos de idade, que cruzou a fronteira há apenas duas semanas e guarda no corpo as marcas do sofrimento e na mente as emoções. No início, ele ficou receoso em dar entrevista ao jornal e falar sobre o que vivenciou, pois tem muito medo ser pego pela imigração e tudo que enfrentou não valer a pena. Mas depois de muita conversa ele decidiu falar "para alertar a outros brasileiros que não se arrisquem da mesma forma". "Eu pensei que iria morrer", se emociona ao lembrar o que foi obrigado a passar.

Ele, integrante de um grupo de cinco brasileiros foi enviado para a Guatelama, país que faz divisa com o México, onde encontrou-se com um homem identifcado apenas por Arthur, o qual os encaminhou à uma casa. Lá eles permaneceram por cerca de um dia e W.V.S, acompanhado de mais um amigo, resolveu sair do local para comprar comida. Foi então que que foram abordados por quatro guatemaltecos armados que lhes roubaram $60.00. Temendo pela vida, os dois retornaram e lá ficaram até que um caminhão estilo baú encostou atrás da casa e todos foram obrigados à entrar na parte traseira do veículo, onde já estavam cerca de 30 pessoas.

O grupo entrou e os coyotes trancou as portas. Por horas eles ficaram trancado, sem direito a paradas para necessidades fisiológicas e havia poucas garrafas com água. "Senti muita sede, pois estava quente e escuro la dentro", fala salientando que o pouco ar que respirava, entrava no baú através de pequenos buracos feitos nas laterais.

Só fomos liberados quando o caminhão parou em uma cidade mexicana. "Ninguém sabia onde estávamos e os coiotes não nos davam informações", acrescenta salientando que descansaram mais um dia e na manhã seguinte todos foram colocados nos bagageiros de um ônibus. "Um lugar apertado e por 10 horas ficamos todos deitados, na mesma posição, com pouco espaço para se mexer", chora ao contar como foi esta parte da história. "Pensava em minha mãe e minha esposa", fala.

W.V.S. relata que sentiu muita fome e sede no caminho. "O momento mais crítico foi quando uma mulher mexicana começou a passar mau e, desesperada, gritava para ser socorrida", comenta acresentando que ela defecou entre eles. "ficou um cheiro insuportável", segue.

Ele conta que ela pegou uma garrafa que continha álcool e espalhou o líquido pelo chão e, depois juntou as fezes com suas roupas. "O resto do percurso ela viajou nua na parte de baixo do corpo", acrescenta.

O paraibano relata, ainda, que quando chegaram ao Texas, ficaram em uma casa, "pois um dos integrantes do grupo não havia pago a quantia combinada e os coiotes nos prenderam até que tudo fosse resolvido", fala salientando que escutou quando um dos deles ameaçou matar o imigrante caso não fosse quitada a dívida. "Foi um horror", afirma concluindo que depois de tudo acertado ele seguiu para a cidade de Somerville-Massachusetts onde possui parentes e amigos.

Fonte: (Brazilian Times)