Publicado em 28/03/2008 as 12:00am

Filho de ilegais nascido nos EUA é impedido de estudar na Virgínia

Procuradoria-Geral de Virgínia pediu que as escolas verifiquem as condições dos pais de estudantes

Nelson Lopez, um jovem de 18 anos nascido nos Estados Unidos, foi impedido de estudar na Universidade da Virgínia por ser filho de imigrantes ilegais. Segundo reportagem do jornal The Washington Post, ele se inscreveu na instituição de ensino mas recebeu no mês passado um e-mail informando que "se quisesse ser considerado um estudante do Estado, teria que provar que seus pais estavam nos Estados Unidos legalmente".

O caso trouxe preocupação para a comunidade, já que nascer nos Estados Unidos não está sendo suficiente para entrar numa universidade. Na semana passada, a Procuradoria-Geral do Estado de Virgínia disse que as escolas devem verificar o estado jurídico dos pais, porque os alunos são considerados dependentes até completarem 24 anos. Isso significa que os filhos de pais sem residência legal devem ser deixados de fora da admissão e do ensino estadual.

A nota da Procuradoria-Geral enfatizou que a lei estadual permite exceções na análise caso a caso, se os estudantes com 18 anos ou mais oferecerem provas convincentes de que eles devem ser considerados separadamente de seus pais.

Lopez nasceu nos Estados Unidos, tem título de eleitor e será diplomado nos próximos meses pelo colégio Alexandria. Aplicado nos estudos, ele estava tentando uma vaga em uma universidade pública, por não ter condições financeiras de custear uma particular.

Segundo Krishna Leyva, diretora do programa de orientação no Colégio TC Williams, onde se formou, Nelson é surpreendente, por ser aplicado nas aulas e gastar muito tempo como voluntário na escola, orientando outros alunos. "Ele faz muitas coisas boas, e ainda mantém sua (média) tão elevada. E ele nasceu aqui, o seu pai paga impostos. Fiquei realmente chocada."

Polêmica

O assunto ainda provoca muitas controvérsias.
Brad Botwin, que dirige um grupo de advogados chamado Ajudem a salvar Maryland é enfático: "vamos cuidar do nosso próprio povo". Para ele, está cada vez mais competitivo e caro entrar em universidades estaduais, o que justifica o impedimento a filhos de ilegais e indocumentados. "Por que você daria prioridade a alguém que deveria ser preso e deportado?"

Dan Hurley, no entanto, da Associação Americana de Faculdades e Universidades do Estado, questiona: "por que a comunidade procuraria impedir que as pessoas estudem se isso apenas resultaria em contibuições para o Estado no futuro, em termos de força de trabalho, produtividade e rendimentos?".

"É algo que o público em geral está muito sensível ao certo agora. Eles não querem dar incentivos para continuidade da imigração ilegal e não querem recompensar o comportamento ilegal", disse o senador Emmett Hanger, responsável pelo projeto de lei que iria banir o ensino estadual para imigrantes ilegais, mas dar exceções para os estudantes que satisfaçam uma série de critérios fiscais e de moradia.

Funcionários da Universidade de Virgínia disseram que não poderiam falar sobre o caso específico de Lopez. Um porta-voz disse que a escola oferece um generoso apoio financeiro com base na necessidade, por isso alunos de baixa renda não devem ser obrigados a irem para outros locais por causa do custo.

Depois da repercussão do caso, a universidade pediu que Lopez se reinscreva na instituição do Estado.

Fonte: (Fonte: Agência BR NEWS)