Publicado em 9/04/2008 as 12:00am

Agente de imigração fantasiado de negro gera polêmica

A principal responsável pelas questões de imigração no governo dos Estados Unidos ordenou a destruição de fotos de uma festa de Halloween realizada em um escritório da organização, na qual um funcionário branco da agência aparecia fantasiado de presidiári

 

A principal responsável pelas questões de imigração no governo dos Estados Unidos ordenou a destruição de fotos de uma festa de Halloween realizada em um escritório da organização, na qual um funcionário branco da agência aparecia fantasiado de presidiário negro, de acordo com o relatório de uma investigação do Congresso divulgado na terça-feira.

Os assessores da bancada democrata no Comitê de Segurança Interna da Câmara dos Deputados informaram que Julie Myers, secretária assistente de imigração e alfândega no Departamento de Segurança Interna do Governo Federal, ordenou que as fotos fossem apagadas de uma câmera digital, em um "esforço coordenado para ocultar" seu papel na entrega de um dos prêmios por melhor fantasia ao funcionário em questão.

O relatório afirma que Myers pode ter agido para acobertar o acontecido com o objetivo de não ameaçar sua confirmação no posto pelo Senado. Na época do incidente, ela estava exercendo as funções interinamente, à espera de que o Senado a aprovasse.

Kelly Nantel, porta-voz da agência, confirmou na terça-feira que Myers havia ordenado que as fotos fossem apagadas, mas disse que o havia feito ao compreender que a fantasia era indevida e poderia ser considerada ofensiva caso a imagem chegasse a alguma das publicações da agência.

Mas Nantel, diz Myers, depois de compreender tardiamente que a fantasia era ofensiva, não tentou encobrir o fato de que o incidente ocorreu. Ela enviou uma mensagem a todos os funcionários da agência, dois dias mais tarde, reconhecendo que "algumas das fantasias eram impróprias".

"Sugerir que ela tenha de alguma maneira coordenado o acobertamento do incidente é absolutamente falso", afirmou Nantel.

Reportagens sobre a fantasia ofensiva foram veiculadas pela primeira vez no ano passado, depois que um funcionário que compareceu a uma festa na sede da agência apresentou queixa ao comitê legislativo que fiscaliza o departamento.

O Serviço de Imigração e Alfândega, que tem 16 mil funcionários, supervisiona a aplicação das leis de imigração e opera centros de detenção que abrigam cerca de 30 mil pessoas que estão esperando julgamento ou deportação.

Myers, cuja indicação para o comando da agência enfrentou dificuldades quando o Senado expôs dúvidas sobre sua experiência para o cargo, foi uma das juradas no concurso de fantasias de Halloween. O ganhador do prêmio de originalidade estava usando uma peruca com dreadlocks, uma roupa parecida com um macacão de presidiário e tinha o rosto pintado de preto.

"Sou um jamaicano de Krome e estava detido - mas obviamente escapei", anunciou o funcionário aos jurados, se referindo a um dos campos de detenção da agência em Miami, e causando risadas, de acordo com o relatório.

Myers depois posou para fotos ao lado dele, sorrindo para a câmera enquanto ele erguia um pequeno saco com os dizeres "Bag Nasty" (algo como "quentinha" em referência à refeição servida aos detentos).

O relatório afirma que Myers ordenou que o funcionário fosse repreendido depois da festa, e ele foi informado de que seria transferido da sede para um escritório de campo. Os funcionários do comitê dizem que a transferência foi um esforço para ocultar o acontecido.

Mas as fotos da fantasia vencedora não foram apagadas da câmera definitivamente, e o relatório mostra uma foto de Myers, sorridente, ao lado do funcionário fantasiado.

Myers, sobrinha de Richard Myers, um general da Força Aérea que foi chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas norte-americanas, assumiu formalmente o posto em janeiro.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

Fonte: The New York Times