Publicado em 3/08/2008 as 12:00am

ICE incentiva a 'auto-deportação'

Julie Myers, diretora da agência, afirma que objetivo é garantir que indocumentados deixem o país voluntariamente, sem o peso da detenção

Um novo programa do governo americano está incentivando imigrantes em situação irregular a deixarem o país voluntariamente, sem a a passagem por centros de detenção. A chamada Operação Partida Marcada (‘Operation Scheduled Departure’, em inglês) será oferecida por apenas duas semanas, a partir do dia 5 de agosto, em cidades como Santa Ana e San Diego (Califórnia), Phoenix (Arizona), Chicago (Illinois) e Charlotte (Carolina do Norte). Em outras palavras, o ICE (Immigration and Customs Enforcement) quer convencer os indocumentados sem registro criminal que é melhor sair da América pela porta da frente do que correr o risco de serem apanhados pela polícia de imigração.
            A estratégia foi comunicada pela diretora do ICE, Julie Myers, em um programa de grande audiência na Univision, a rede de televisão em língua espanhola. Ela afirmou que muitos imigrantes detidos já confessaram que, se tivessem a oportunidade de retroceder no tempo, prefeririam voltar para o país natal sem enfrentar o sofrimento em centros de detenção. Pelo novo programa, os interessados deverão procurar o ICE para serem processados e, em liberdade, poderem resolver as pendências por algumas semanas, antes de sair de vez dos Estados Unidos. "O programa basicamente dá uma oportunidade aos que buscam uma maneira organizada de se autodeportar", disse Myers.
            Ela acrescentou que o ‘Partida Marcada’ permitirá que os imigrantes evitem os crescentes riscos de serem apanhados em uma batida policial em casa ou no trabalho, mas descartou qualquer possibilidade de incentivos para quem deseja ir embora. A medida está sendo encarada até de forma irônica por quem defende os direitos dos imigrantes. “Quem quer ir embora basta pegar um ônibus ou avião, sem precisar procurar o ICE”, argumentou Doug Rivlin, do Fórum Nacional da Imigração em Washington. Para ele, o programa é uma tentativa de atrair pessoas para desistir de seus direitos e sair do país antes de sequer conversar com um advogado. 

Fonte: (AcheiUSA)