Publicado em 8/08/2008 as 12:00am

Santuário dos Imigrantes é ameaçado

Uma silenciosa operação do ICE prende 80 imigrantes

Santuário dos Imigrantes é ameaçado

Na terça-feira (5), houve rumores sobre uma ronda do Immigrant Customs Enforcement (ICE) percorrendo Somerville-Massachusetts, mas conforme dezenas de residentes da cidade ninguém havia testemunhado nenhuma prisão. Até que, na quarta-feira (6), a discreta operação do ICE já havia computado pelo menos oitenta prisões, entre as vizinhanças de Everett e Somerville.

Conforme Marcony Almeida, diretor da Massachusetts Immigration and Refugees Advocacy Coalition (MIRA), os advogados da coalizão estão providenciando suporte legal gratuito para representar os detidos pelo ICE. “Esses imigrantes presos estão com ordem de deportação, emitida em função de problemas causados no passado, tais como o não comparecimento a corte entre outras razões criminais em seu histórico. As ocorrências vão desde violência doméstica até dirigir sem a carteira de motorista”, explicou Marcony.

O diretor citou que um grupo de vinte cambojanos, mesmo portando green card’s foram presos sob alegações de irregularidades contra as leis do país. “Um brasileiro, residente em Everett, também foi levado, mesmo depois de ter apresentando o green card. Alguns anos atrás, ele havia cometido uma violação, mas nada grave”, disse.

Uma tarefa imediata está mantendo os advogados do MIRA bem ocupados, “Com a lotação das unidades penitenciárias de Massachusetts, os presos estão sendo mandados para fora do Estado”, disse Marcony, preocupado com o bem estar e a localização dos imigrantes. “Estamos tentando encontrar o brasileiro, de Everett, desde ontem”, completou Marcony.

 

Força policial em andamento

A operação foi oficialmente confirmada pela porta-voz do ICE, Paula Grenier, que assegurou ao jornal Brazilian Times, que a concentração das atividades está focadas na busca de indivíduos específicos. Apenas os imigrantes com mandados de prisão lavrados serão abordados pelas patrulhas encarregadas da missão.

Paula enfatizou o objetivo da operação, “Todas as pessoas que foram presas possuíam fichas criminais e seus nomes estiveram relacionados previamente pela ação policial”, disse. Enquanto os oficiais estiverem em execução, a porta-voz comprometeu-se em divulgar os novos dados que surgirem até o final da semana.

 

Apoio

Marcony recomenda que os parentes e amigos dos presos contatem organizações imigrantes e informem o nome completo dessas pessoas. “Um dos nossos parceiros, o Grupo Mulher Brasileira (telefone 617-787-0557), irá encaminhar uma listagem para que nós possamos acionar advogados que irão até os presídios e responder pelos trâmites judiciais para a liberação mais rápida possível”, disse Marcony.

Quanto à repercussão da operação, ele ponderou, “Não há motivo para deixar o medo crescer, pois o ICE não está abordando transeuntes que estão eventualmente circulando nessas cidades. E reforçou os argumentos de Paula, “Eles estão cumprindo as ordens de prisão daqueles que não compareceram a corte e estão ligados a processos criminais”, disse.

   

Orientação

Para Marcony, saber quais são os direitos do imigrante pode ser determinante para evitar a prisão durante uma dessas operações. “O imigrante não precisa falar com o oficial, ele pode resguardar-se mantendo o silêncio. A página na internet www.miracoalition.org contém instruções em português”, concluiu Marcony.

Tratando-se de precaução, Fausto da Rocha, diretor executivo do Centro do Imigrante Brasileiro (CIB), procurou a redação do BT para descrever como essas blitz são programadas, “Eles normalmente agem de madrugada, a tática é surpreender os imigrantes que estão desacordados para que eles não tenham a chance de entender claramente a situação e não ofereçam nenhum tipo de resistência à prisão”, disse. Fausto acredita que as buscas serão intensificadas, “O ICE está usando estratégias de guerra ao criar o efeito surpresa e coibir a oportunidade de discernimento do imigrante. É dessa maneira que eles estão atuando. Então, antes de abrir a porta verifique quem está do outro lado, esteja preparado para exigir respeito aos seus direitos”, disse Fausto.

Pouco otimista, ele não acredita que possa haver reversão dos casos, “Uma vez decretada a ordem de deportação, pouco se pode conseguir na Justiça. O ideal é agilizar os documentos de viagem junto ao Consulado Brasileiro, para ao menos, garantir que o imigrante passe pouco tempo no presídio”, lamentou Fausto.

Se a deportação for a conclusão do processo aberto pelas partes, Fausto torna a indicar, “O deportado tem o direito de levar uma pequena mala e uma quantia em dinheiro na viagem de retorno ao Brasil, os familiares ou amigos podem entregar os pertences a um oficial da imigração, para saber mais sobre os procedimentos, o CIB responde às dúvidas através do telefone 617-783-8001”, disse o diretor.   

Fonte: braziliantimes