Publicado em 14/08/2008 as 12:00am

França condena brasileiros por falsificações

Um tribunal francês condenou a até seis anos de prisão membros de uma quadrilha de brasileiros que ajudava imigrantes indocumentados a cruzar fronteiras e falsificava passaportes e vistos

Um tribunal francês condenou a até seis anos de prisão membros de uma quadrilha de brasileiros que ajudava imigrantes indocumentados a cruzar fronteiras e falsificava passaportes e vistos. O grupo teria lucrado pelo menos 70 mil com a venda de documentos e serviços clandestinos para imigrantes indocumentados. No Tribunal de Boulogne, na França, o Ministério Público local chegou a comentar que a quadrilha havia montado uma "verdadeira empresa" de falsificação de documentos. O nome dos condenados não foi divulgado à imprensa. A decisão do juiz foi tomada no final da semana passada.

A rede começou a ser desmantelada quando um motorista português foi interrogado em Calais, no norte da França. Ele conduzia, em 2006, três brasileiros com documentos falsos até a Inglaterra. Dez pessoas acabaram sendo chamadas ao tribunal.

O Ministério Público acabou indiciando seis brasileiros e um português. Alguns estão em prisão preventiva desde novembro do ano passado. Mas três suspeitos continuam foragidos. O chefe da quadrilha, segundo revelou o Ministério Público francês , continua no Brasil.

Segundo as investigações, a rede era vasta e bem organizada. A base da operação estava na região de Paris, mas a organização também ocorria a partir do Brasil. Uma sucursal em Londres também havia sido criada.

ESTRUTURA EMPRESARIAL

Durante dez meses de atividades, a venda de identidades portuguesas, vistos e certificados de nascimento rendeu 70 mil aos suspeitos. Nos documentos do Ministério Público, o que surpreendeu foi a organização do grupo, com uma "estrutura empresarial".

Os advogados de defesa alegaram que os brasileiros haviam chegado ao país também com o desejo de ter uma vida melhor, mas teriam sido obrigados a buscar alternativas de renda diante de seu status de imigrante ilegal.

Nesta semana, o tribunal ordenou a manutenção dos suspeitos em prisão e decidiu por penas de 12 a 48 meses de detenção aos brasileiros. Os chefes da quadrilha foram condenados a até seis anos de prisão e um mandado internacional foi emitido contra os três líderes, que estão no Brasil. 

Fonte: (Da redação)