Publicado em 24/08/2008 as 12:00am

"Jesus não deportaria ninguém", diz bispo

O porta-voz da ICE Kelly Nantel disse respeitar a opinião do bispo, porém afirma que "a diocese seria mais útil ao incentivar os indivíduos a cumprir com a lei"

O bispo Thomas Tobin , de Providence, Rhoad Island, afirmou em uma carta para a U.S. Immigration and Customs Enforcement in Boston, que os agentes federais que atuam de forma a deportar imigrantes indocumentados, estão agindo contra a vontade de Deus e da paz mundial.

"Muitas vezes nos perguntamos, o que Jesus iria fazer?" disse Tobin em uma entrevista. "Eu sei ao certo o que Jesus não iria fazer. Ele nunca iria varrer uma comunidade, deportando-os para outro país. No meu entender, na minha própria consciência: Jesus não faria isso" avisa Thomas. Tobin fez a carta após um forte debate sobre a imigração irregular no estado, que tem grande tradição católica. "Nós acreditamos que a caça à comunidade imigrante é injusta, desnecessária e imprudente". A carta também faz referências à comunidade brasileira, umas das maiores residentes no país.

O porta-voz da ICE Kelly Nantel, disse que a agência respeita a opinião do bispo, mas considera que a sua diocese "seria mais útil ao incentivar os indivíduos a cumprir com a lei ou a trabalhar para mudá-la, em vez de pedir aos responsáveis pela aplicação da mesma para não aplicá-la”. A Igreja Católica Romana têm repetidamente criticado a caça aos imigrantes comuns, em vez de se ater aos imigrantes que estão cometendo crimes. Mas o pedido de Tobin é incomum, uma vez que sugere que os agentes de imigração se forçem a escolher entre os seus postos de trabalho e sua fé religiosa.

Tobin é bispo da Diocese de Providence, que abrange todo o estado. Ele tem influência política em Rhode Island, um estado onde cerca de 60% dos moradores se dizem católicos romanos, um percentual maior do que qualquer outro estado. Durante a Conferência dos Bispos Católicos, as políticas de imigração do EUA foram classificadas como "moralmente inaceitáveis", dizendo que elas contribuem para dividir famílias e incentivar a exploração de imigrantes.

Para Kevin Appleby, diretor do Instituto de Imigração e Refugiados Políticos “é uma causa interessante a ser debatida porque, a partir de relatórios, as políticas de imigração têm impactado realmente as famílias e os indivíduos e tem deixado as comunidades verdadeiramente aterrorizadas”.  Mas mantém a ponderação ao afirmar que a aplicação da lei não pode ser totalmente ignorada. "Logicamente a intenção é boa, mas se trata de um tema muito delicado para ser debatido somente guiado pela fé" (traduzido por Marcelo Zicker)

Fonte: (Da redação)