Publicado em 14/09/2008 as 12:00am

Imigração melhora desempenho tecnológico dos EUA

Na atual política americana, ambos os partidos concorrentes afirmam que estão do lado do pequeno empreendedor, mas também apontam falhas de cada lado, jogando a batata quente na mão do seu opositor

Na atual política americana, ambos os partidos concorrentes afirmam que  estão do lado do pequeno empreendedor, mas também apontam falhas de cada lado, jogando a batata quente na mão do seu opositor. É o que tem acontecido nos discursos dos candidatos a presidente dos EUA. Barack Obama disse em seu discurso principal na convenção democrática: “ Nós damos valor à força de nossa economia e acreditamos que alguém que tenha uma boa idéia deve correr riscos e começar seu novo negócio”.

Enquanto isso,  John McCain, candidato republicano, afirmou, durante sua indicação pelo partido,  que o plano econômico  proposto por Obama “forçaria os pequenos investidores a fecharem seus negócios ou a diminuirem empregos”.

Mas, esperem um instante – já existe atualmente uma política que promove maiores inovações para pequenos negócios do que os candidatos têm afirmado nos seus discursos. Na verdade, é um tema bipartidário.

Esse novo documento, preparado pela  NBER (National Bureau of Economic Research, ou  Agência Nacional de Pesquisa Econômica), escrito por Jennifer Hunt da Universidade McGill, do Canadá e Marjolaine Gauthier-Loiselle da Universidade de Princeton, em New Jersey, mostra, em abrangente  pesquisa, como os imigrantes são desproporcionalmente os maiores contribuintes às inovações tecnológicas do que os americanos nativos. O BT apresenta, aqui, um sumário dos resultados dessa pesquisa.

Os dados apresentados  implicam em que,  um ponto a mais na percentagem da contribuição dos imigrantes graduados em Faculdades,  aumenta em 6% as patentes per capita. Esse dado poderia ser uma estimativa maior nos benefícios da imigração, se os imigrantes, inventores e criadores de novos negócios, superassem ainda mais os inventores nativos. Usando um painel federal que retrocede aos anos de 1950-2000, mostrou-se que os nativos não são tão criativos quanto os imigrantes e que os imigrantes superam positivamente os nativos, resultando num aumento em patentes per capita em pelo menos 15%, como resposta a um ponto de aumento na percentagem a favor dos imigrantes formados em Universidades.

Admitiu-se, então, na pesquisa, que a maioria dos imigrantes contribui bastante para as inovações em ciência e tecnologia, mas não em negócios. Porém, alguém teria que comercializar as tecnologias patenteadas. Nesse caso, mais patentes registradas nos Estados Unidos, é melhor para os empreendedores americanos.

Parece engraçado,  mas muita gente vê a imigração como um tema perturbador,  no caso de que a competição estrangeira estaria diminuindo os empregos dos americanos. Este estudo, entretanto, mostra que acontece exatamente o contrário. Se os Estados Unidos pretendem aumentar a criação de empregos, deveriam deixar entrar o maior número de imigrantes possível.

Ambos  Obama e McCain têm defendido a política pró-imigração, especialmente para imigrantes com habilidades e formados em alguma Faculdade. Agora, temos que esperar para ver se o candidato que assumir a Casa Branca vai de fato convencer aos americanos que a imigração é mesmo criadora de empregos e não uma ameaça à estabilidade empregatícia americana.

 (Tradução: Phydias Barbosa)

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