Publicado em 14/09/2008 as 12:00am

McCain e Obama levam tema da imigração para a disputa eleitoral

As campanhas do republicano John McCain e do democrata Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos levaram nesta sexta-feira (12) o tema da imigração à disputa pelo cargo na Casa Branca

As campanhas do republicano John McCain e do democrata Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos levaram nesta sexta-feira (12) o tema da imigração à disputa pelo cargo na Casa Branca.

McCain começou com um anúncio no qual acusou Obama e "seus aliados no Congresso" --com imagens dos senadores Harry Reid, Patrick Leahy e do próprio Obama-- de serem responsáveis pelo fracasso da reforma migratória.

Na verdade, o projeto afundou pela rejeição majoritária dos republicanos e de alguns democratas, como indica o registro de votos do Legislativo. Obama, Reid e Leahy, assim como o próprio McCain, votaram a favor da proposta legislativa em 2007.

A campanha de Obama respondeu ao anúncio do adversário em comunicado no qual o senador Robert Menéndez disse que McCain "perdeu sua credibilidade" em imigração.

"Não pode atacar os democratas sobre imigração em espanhol, enquanto tenta agradar à ala da extrema direita no Partido Republicano em inglês", afirmou Menéndez.

Frank Sharry, diretor da America's Voice, uma organização que promove a regularização dos 12 milhões de imigrantes ilegais, disse que o anúncio é "audaz por suas tergiversações" e acusou McCain de fazer "política suja".

Nele, um narrador diz em espanhol que os "esforços" de Obama e de seus colegas no Congresso "foram como cápsulas venenosas que fizeram fracassar a reforma de imigração".

Com isso, refere-se a emendas apresentadas ao projeto de reforma, que a campanha de McCain disse no passado que tinham como objetivo tornar impossível sua aprovação.

A campanha de Obama citou uma emenda que minimizava a importância do nível de educação na hora de outorgar um visto ao solicitante e em seu lugar sobressaía os vínculos familiares, proposta que recebeu o apoio de 40 associações latinas, incluindo o Conselho Nacional da Raça.

Tanto Obama quanto McCain evitaram falar de imigração em seus comícios, mas se referiram ao tema em entrevistas na imprensa hispânica e em suas atividades eleitorais voltadas a conquistar o voto dessa minoria.

McCain foi um dos principais promotores de uma reforma migratória ampla, mas mudou de opinião durante as eleições primárias para se aproximar da ala direita do partido.

Atualmente, afirma que primeiro deve ser garantida a segurança na fronteira, a qual deveria ser avalizada pelos governadores dos Estados que fazem divisa com o México.

Seu partido se atém a este enfoque. Seu programa eleitoral oficial promete aos eleitores medidas para deportar os imigrantes ilegais "sem demora". "Opomo-nos à anistia", diz o documento, que afirma rejeitar qualquer "legalização em massa".

Obama, por sua vez, está em linha com as posições de seu partido, que promove um pacote de reforma completo, com mais vigilância na fronteira ao mesmo tempo que abre um caminho para a legalização dos trabalhadores clandestinos.

Poucas horas após divulgar o primeiro anúncio, a campanha de McCain lançou outro que será transmitido hoje pela rede ABC durante a apresentação dos Prêmios Alma, que celebram as conquistas artísticas dos hispânicos no cinema, na televisão e na música.

Este segundo anúncio abandona a linha de ataque a Obama e, em um tom positivo, o próprio McCain promete que, se for eleito presidente, promoverá uma legislação "prática e justa" em imigração, embora não dê detalhes sobre o que pretende fazer.

Nele, McCain afirma que freqüentemente os imigrantes são recebidos com medo, em vez de serem tratados como "símbolos de esperança", e promete que "o problema da imigração será uma prioridade" de seu governo se vencer nas eleições de novembro.

Fonte: (Folha Online)