Publicado em 25/09/2008 as 12:00am

Richardson faz comício para latinos em Nashua

Embora a reunião com o governador do Novo México tenha sido um comício para Barack Obama, o clima era de reunião entre amigos. Pratos do cardápio do Caribbean Tropical Café foram servidos, e Richardson abriu espaço para vários líderes comunitários falarem

“Estou aqui porque Obama é um de nós,” disse Bill Richardson em Nashua esta semana.

Embora a reunião com o governador do Novo México tenha sido um comício para Barack Obama, o clima era de reunião entre amigos. Pratos do cardápio do Caribbean Tropical Café foram servidos, e Richardson abriu espaço para vários líderes comunitários falarem.

Mas a mensagem implícita era: será que os latinos podem ajudar a eleger um democrata para presidente? De acordo com uma análise do Center for Labor Market Studies, da Northeastern University, a repostas é: não com os números de participação do passado. Em Massachusetts, apenas metade dos cidadãos naturalizados votam, comparados com 63% dos cidadãos nativos. A diferença é similar em vários estados americanos.

Eva Castillo, ativista da Massachusetts and Immigrant Advocacy Colation (MIRA), em Manchester, NH, gostaria de ver Obama falando mais sobre a legalização dos imigrantes.
 “Este é um assunto que não tenho ouvido o senador falar muito,” disse ela.

Mas Margarita Hernandez, membro da comissão latina do governador de NH, Joe Lynch, tem uma teoria que explica o silêncio dos democratas sobre reforma imigratória. “Os republicanos estão usando este debate para jogar os brancos contra os democratas. Precisamos fazer algo sobre o problema, e não usá-lo só para ganhar voto.”

Em entrevista ao EthnicNewz.org, Richardson negou que o silêncio exista.
“Estamos falando sobre o assunto no sudoeste,” disse, depois listou o plano de três fases de Obama.

“Primeiro temos que aumentar o número de imigração legal, tem muita gente tentando se legalizar, mas que está presa na burocracia. Depois, precisamos dar mais segurança às nossas fronteiras, com tecnologia, não com muros. E terceiro, precisamos criar um caminho para a cidadania para os indocumentados. Não automático, mas com leis de imigração compreensivas.”

Richardson está confiante que Obama poderá cumprir a promessa de passar uma legalização nos primeiros 100 dias do seu mandato.

O motorista de caminhão aposentado Alan Farneo, 76, não sabe bem o que Obama pode falar para convencer os idosos a votarem nele.
 “Mas, pior do que temos hoje não dá para ficar. É só olhar o preço do diesel, era US$ 1 a menos que a gasolina, agora é US$ 1 mais caro,” disse Farneo, que durante cinco meses das primárias fez campanha para Richardson.

No outro lado do salão do Adult Learning Center, em Nashua, Roberto Fuentes, de 23 anos, talvez representasse a imagem do futuro da comunidade latina local.
 “Eu posso trazer uma nova perspectiva para a cidade, e é isso que as pessoas querem agora,” disse Fuentes, que é candidato a deputado estadual.

Inexperiência? Fuentes diz que não é problema para ele.
 “Eu conheço bem os problemas da cidade, e estou preparado como qualquer outro,” disse ele, que em sua breve vida profissional já trabalhou no supermercado Market Basket, como vendedor da Sears e como professor substituto nas escolas públicas de Nashua.

Jim Chisholm e David Contant, dois professores de Educação Cívica da Clearway High School, trouxeram 15 estudantes para ver Richardson falar.
 “É importante para pessoas novas no sistema político ver uma pessoa conhecida nacionalmente, alguém que já negociou com líderes internacionais e se reuniu com Saddam Hussein,” disse Chisholm.

O guatemalteco Luis Torres mora em Nashua há 15 anos. Mas foi durante um discurso em Washington D.C. que o senador de Illinois o inspirou.
 “Obama disse na ocasião que cada criança hispânica que abandona a escola não está prejudicando só a sua família, mas o país inteiro.”

Essa não é a primeira vez que a escola de inglês, cuja maior população de estudantes é brasileira, recebeu uma figura importante da política dos EUA. As primeiras-damas Hillary Clinton e Barbara Bush já visitaram o local.

Para Richardson, a escolha de Sarah Palin foi feita “por puro calculismo político”. O governador mediu bem as palavras antes de falar sobre a vice-presidente de John McCain.
 “Sei que ela é inteligente, muito fotogênica. Mas, acho... que... em termos de políticas internacionais ela não tem experiência para ser vice-presidente.”

Mas, a pergunta que não quer calar continua valendo: será que latinos vão comparecer aos pontos de votação em novembro? A mesa que registrava novos eleitores permaneceu vazia durante o evento.

Talvez Fuentes, o jovem político que é filho de salvadorenho com guatemalteca, possa explicar melhor do que Richardson o que Obama significa para eleitores jovens.
 “Obama representa o JFK ou o Ronald Regan da nossa geração,” disse ele.

Fonte: (EthnicNewz.org)