Publicado em 18/11/2008 as 12:00am

Combater a crise econômica é a prioridade

A próxima administração do governo dos Estados Unidos deverá impedir que os defensores das causas migratórias se capitalizem com a derrota sofrida por seus oponentes nas recentes eleições

A próxima administração do governo dos Estados Unidos deverá impedir que os defensores das causas migratórias se capitalizem com a derrota sofrida por seus oponentes nas recentes eleições. Isso deverá atrasar qualquer tentativa no sentido de legalizar o enorme contigente de estrangeiros vivendo ilegalmente neste país.

Dos 13 representantes republicanos que perderam mandatos no dia 4 de novembro, 9 pertenciam ao Grupo de Reforma Imigratória, que tem sido contrário a uma solução para a cidadania dos 12 milhões de imigrantes ilegais que existem no país.

O fundador do grupo de discussão do partido, o republicano Tom Tancredo, do Colorado, está se aposentando, assim como Duncan Hunter, da Califórnia, que sempre fez campanha para aumentar a segurança na fronteira e para discriminar os imigrantes ilegais.

Essas perdas trouxeram mudanças no quadro político, a respeito de um problema que tem desafiado as soluções possíveis nos últimos 20 anos.

Os grupos se dividem, mas a discussão a favor fica por conta de se legalizar os imigrantes que ultrapassaram a permanência ou que tenham entrado ilegalmente no país; aumentar a segurança na fronteira; e ainda admitir mais trabalhadores, segundo a necessidade da economia.

 

Republicanos linha-dura acabaram perdendo mandatos

Os republicanos conservadores e seguidores da ordem e da lei, têm insistido em que a fronteira deveria ser reforçada antes de algum plano para aumentar a imigração. Muitos candidatos republicanos que insistiam contra os imigrantes ilegais foram vistos como anti-latinos e acabaram sendo afetados na Flórida, Virgina e no Colorado.

Mais de 100 mil imigrantes naturalizados recentemente, registraram-se para votar na Flórida, derrubando de seus postos os republicanos Tom Feeney e Ric Keller, ambos membros do grupo de reforma imigratória, contrários à legalização.

E imigração não foi a causa única dessas perdas, pois numa pesquisa que será divulgada hoje, quarta, 19 de novembro, o grupo pró-imigrantes A Voz da América descobriu que outros candidatos linha-dura também perderam seus mandatos.

A Senadora Elizabeth Dole publicou um anúncio, durante a campanha, onde fazia a conexão dos policiais locais com um programa de deportação de imigrantes ilegais. Ela contava com o apoio dos “sheriffs” e dos eleitores a favor da lei e da ordem. Seu movimento enfraqueceu, após o Sheriff de Johnston County, Steve Bizzell, que fazia campanha com a senadora, ter chamado os imigrantes mexicanos de “lixo”. Seu depoimento saiu estampado na primeira página de um jornal local na Carolina do Norte.

Roy Beck, do grupo Numbers USA, discorda que isso tenha feito a candidata perder as eleições, e acrescentou: “O eleitores não puniram os candidatos porque tomaram posições a favor da lei. Em muitos casos, nossos aliados foram substituidos por desafiantes menos influenciáveis em causas imigratórias”.

 

Faltam líderes que lutem pela causa


Porém, a perda de tantos membros deixou os grupos a  favor dos imigrantes mais otimistas, achando mesmo que a administração de Barack Obama irá beneficiar os eleitores hispânicos pelo seu apoio com algum programa de legalização.

Isso não quer dizer que um programa abrangente terá prioridade ou que as chances de se passar uma nova lei no Congresso seja mais fácil. Afinal, o presidente eleito não fez uma siquer promessa imigratória durante a campanha.

                Entende-se que Obama focalizará seu governo na economia e nas cobranças de taxas e não necessariamente vai gastar capital político no assunto imigração, segundo comentários de especialistas.

                E, para piorar a situação, não existem líderes no Senado que possam lutar pelas causas imigratórias, no momento, exceto Edward Kennedy, que está combatendo um câncer. Ontem, (17), por coincidência, o Senador esteve presente a uma sessão no Capitólio, acompanhado de sua esposa e dos dois inseparáveis cães. Mas é improvável que volte com força total.

                Por outro lado, John McCain era o líder republicano que chegou a ter um plano para uma melhoria nas leis, porém, levou tanta pancada dos eleitores nas primárias, que deixou cair a peteca durante a campanha presidencial.

 

                A chave estaria numa anistia em doses homeopáticas


“Se as pessoas estão achando que vai acontecer uma anistia, essa idéia é totalmente incorreta”, afirma Mark Krikorian, diretor do Centro de Estudos Imigratórios, um grupo de Washington que se opõe a qualquer tipo de abertura. 

                Trabalhadores na tecnologia têm pensado numa solução que os possa ajudar, no sentido de receberem vistos temporários de trabalho e green-cards que seriam agraciados a engenheiros, matemáticos e cientistas, que, acreditam, poderiam aquecer a economia.

Poderia acontecer o mesmo com a Agricultura, no sentido de que o campo necessita mais trabalhadores, até mesmo para impedir que grande parte da produção se mude para o México.

Uma das chaves para essas questões acima serem respondidas, será se a administração Obama continuará ou não a reprimir imigrantes ilegais em seus locais de trabalho e se acionará os empregadores e seus gerentes. George Bush não fez por menos. Mandou prender e deportar os ilegais e ainda por cima acionou os empresários, depois que sua proposta não foi aprovada no Congresso.

Fonte: (Da redação)