Publicado em 3/04/2009 as 12:00am

"Imigração nos EUA é um escândalo", afirma a Anistia Internacional

A Anistia Internacional apresentou um relatório na última quarta feira, 1 de abril, que mais uma vez expõe o escândalo no qual se tornou a imigração neste país

 

A Anistia Internacional apresentou um relatório na última quarta feira, 1 de abril, que mais uma vez expõe o escândalo no qual se tornou a imigração neste país;

            "Milhares de pessoas padecem em porões da imigração todos os anos sem siquer receber um chamado para uma audiência a fim de determinar se suas detenções são legítimas", afirma o relatório, intitulado Encarcerados sem Justiça nos EUA.

            O mesmo estudo revela, ainda, inúmeras violações de direitos humanos associadas com o dramático crescimento no uso das detenções como um mecanismo de reforço do ICE. O número de pessoas presas aumentou consideravalmente nos últimos 10 anos. São presas 300 mil pessoas por ano e somente em um dia no ano de 2008, haviam mais de 30 mil pessoas sob custódia da imigração. O número tende a crescer em 2009, sempre de acordo com o mesmo relatório.

            Os detidos incluem documentados e indocumentados, pessoas pedindo asilo, vítimas do tráfico, crianças e até mesmo cidadãos americanos, como no caso de Hector Veloz, de 37 anos, residente em Los Angeles.

            "Meu caso é muito irônico", ele diz. "Sou cidadão americano, mas fiquei 13 meses preso esperando para ser deportado, simplesmente porque a prisão era no Arizona e minha família morava na Califórnia. Não pude nem mesmo ver meu filho nesses 13 meses em que estive detido".

            O seu pai é cidadão americano, veterano da guerra do Vietnam e que até foi agraciado com a comenda Purple Heart (Coração de Púrpura), que é uma condecoração militar dos Estados Unidos, outorgada em nome do Presidente da República a todos os integrantes das Forças Armadas que sejam feridos ou mortos durante o serviço militar, desde 5 de abril de 1917. A mãe de Hector é mexicana. O casal se conheceu nos EUA, mas quando o pai foi enviado para a guerra, a mulher, que estava grávida de Héctor, voltou ao México para ficar com a família e o menino acabou nascendo lá mesmo.

            Ela voltou para os Estados Unidos com o filho, então com 4 meses. Ele cresceu na Califórnia e morava com os pais.

            Hector foi detido pelo ICE depois de ficar 6 meses preso por interceptação de mercadoria roubada. Foi solto com a condicional, mas no mesmo dia foi levado para o Centro de Detenção Eloy no Arizona, onde ficou de Junho de 2007 até Julho de 2008. Aquele centro é um dos diversos que são operados pela Corrections Corporation of America, uma empresa privada e muito lucrativa, a maior do gênero nos EUA.

            Hector afirma que mostrou sua certidão de nascimento, como também os documentos de seu pai, mas os agentes queriam mais provas de sua veracidade e o mantiveram em cativeiro com processo de deportação.  O ICE dizia que Veloz tinha entrado no país ilegalmente, mas ele apelou e finalmente foi solto.

            Ainda de acordo com o mesmo relatório, os detentos são presos sob leis civis de imigração, mas não recebem acusações formais nem são presos por algum crime. Sem direito a conselheiros, são frequentemente sujeitos à prisão obrigatória sem o menor direito de apelo e o pior, nem podem utilizar o direito de habeas corpus.

            A Anistia Internacional fez a divulgação desse relatório e o lançamento de uma campanha para proteger os direitos humanos dos imigrantes e conclui: "Imigrantes, especialmente latinos, têm sido alvo do bicho papão (boogey man, em inglês)", disse Rosa Clemente, diretora para a campanha a favor dos direitos humandos da AA. "Neste momento, estamos focalizados no relatório que acabamos de divulgar, mas a campanha vai tratar da reforma da imigração, dos direitos do imigrante e todos os outros assuntos relacionados com imigração", afirmou. Ela também disse que a Anistia Internacional tinha enviado uma carta à Secretária Janet Napolitano, nova diretora do ICE, onde descrevia os abusos cometidos nos centros de detenção.

            "Essa é uma situação que necessita atenção imediata do ICE", finalizou Rosa Clemente.

Fonte: (Da Redação)