Publicado em 17/07/2009 as 12:00am

Brasileiro conta como fugiu da Imigração ao cruzar a fronteira

A história de Pedrinho, como vamos chamar o brasileiro J.P.C, 25, natural de Ipatinga-Minas Gerais, se assemelha a tantas outras de brasileiros que vieram aos Estados Unidos em busca de mudar de vida

 

A história de Pedrinho, como vamos chamar o brasileiro J.P.C, 25, natural de Ipatinga-Minas Gerais, se assemelha a tantas outras de brasileiros que vieram aos Estados Unidos em busca de mudar de vida e conseguir meios que possibilitem ajudar os parentes que ficaram no Brasil.

Mas Pedrinho procurou a redação do jornal Brazilian Times para contar como foi sua aventura ao cruzar a fronteira deste país com o México. “Foram quatro dias cercado de medo, suspensa e incertezas”, fala salientando que por diversas vezes pensou que não iria conseguir atravessar. “Mas o pensamento voltado em minha famíali foi a maior força que tive nesta trajetória”, continua.

Pedrinho, que é de família humilde na área rural de Ipatinga inicou o seu relato falando dos motivos que o trouxe até os Estados Unidos. “Filhos de vizinhos de nossa roça já estavam morando aqui e eu via ele comprando cabeças de gados. Isso foi o ponto fundamental, pois quem mora no Brasil, vê os Estados Unidos como um país de muitas oportunidades”, comenta salientando que se decepecionou muito.

Ele já está neste país há seis meses e não conseguiu pagar nem 10% dos juros da dívida que contraiu com o agenciador que o trouxe. “Está muito difícil encontrar emprego e isso está me deixando maluco”, fala.

Quanto à sua travessia, Pedrinho conta que quase foi pego por agentes fronteiriços. Ele conta que na primeira noite de travessia o grupo caminhava em fila indiana e em determinado momento ouviu um grito vindo de dois faroletes que vinham em sua direção. “O coiote gritou para que nos separássemos pois se tratava de agentes da Imigração”, fala continuando “Eu corri para o lado de um morro e lá fique por cerca de uma hora até que os faroletes se apagassem”.

Pedrinho disse que depois que desceu ficou vagando por duas horas sem encontrar ninguém. “Pensei que fosse morrer”, conta. “Mas graças a Deus eu consegui encontrá-los e percebi que metade do grupo tinha sido detido”, fala.

Conforme relatos do ipatinguense, essa cena aconteceu por mais três vezes e “graças a Deus conseguiu fugir”. Pedrinho lembra que em uma das vezes, já com fome e sede, se viu obrigado a urinar na mão e beber. “Nunca pensei que fosse passar por isso”, se emociona ao lembra. “Não vale a pena enfrentar tudo isso pelo maldito dinheiro”, se revolta no mesmo instante.

Pedrinho mora na cidade de Medford com cinco amigos e trabalha dando “help” para algumas empresas. “Não ganho muito e somente de juro tenho que pagar $8 mil dólares, além do capital que é $10 mil”, explica.

Hoje Pedrinho diz que se vê entra a “cruz e o punhal”, pois deixou uma propriedade nas mãos do agenciador caso não pague a dívida e do outro lado, ele percebeu que passará anos neste país até quitar a dívida e conseguir juntar um pouco de dinheiro. “Minha vida é um inferno, pois não consigo dormir direito. Tenho medo de ser preso pela imigração e obrigado a voltar ao Brasil. Isso seria um empurrão para o abismo que entrei”, finaliza.

A história de Pedrinho é fictícia, mas serve para exemplificar a vida de milhões de brasileiros que arriscaram a atravessar a fronteira e não conseguem os objetivos traçados no início da viagem. Alguns brasileiros conseguiram sucesso e retornaram ao Brasil com “os bolsos cheios”, o número pe bem maiore quando o assunto são aqueles que não conseguem alcançar a meta.

Existem casos de brasileiros que chegaram aos Estados Unidos com planos de permanecer no país por no máximo quatro anos e já está há mais de oito. Isso devido a realidade ser completamente diferente do que se imaginava no Brasil. Uma grande maiora não pode voltar porque ainda estão em dívida com seus agenciadores e outros pela vergonha de voltar de mãos abanando para casa.

Fonte: (Da redação)