Publicado em 6/08/2009 as 12:00am

Policial da Flórida abusava de imigrantes indocumentados

Ele foi preso na segunda, 4, acusado de abusar sexualmente de suas vítimas, usando o uniforme, o veículo da polícia e durante o seu horário de trabalho

 

Depois de uma série de reclamações recebidas pela polícia do Condado de Broward, o Sheriff Al Lamberti descreveu as ações de Jonathan como "abuso de poder" e "uma vergonha para a insígnia".

            Ele foi preso na segunda, 4, acusado de abusar sexualmente de suas vítimas, usando o uniforme, o veículo da polícia e durante o seu horário de trabalho.

            Jonathan Bleiweiss, 29, de Fort Lauderdale, recebeu honrarias em março, como funcionário do ano, mas perdeu o rebolado quando seus próprios colegas de trabalho o prenderam com 14 acusações, por ter intimidado, ter realizado prisões falsas e perseguido suas vítimas com abuso sexual. O desvirtuado está preso sem direito a fiança.

            O alvo do policial era sempre o mesmo: jovens imigrantes latinos, com idades entre 17 e 25 anos, que eram intimidados pela possibilidade de serem denunciados às autoridades imigratórias. Pelos depoimentos dos imigrantes, as ameaças de Bleiweiss aumentavam na proporção que os envolvidos não retornavam a ligação ou as mensagens de texto via telefone.

            Os investigadores disseram que estavam se preparando para fechar as acusações contra Jonathan envolvendo sete homens, mas afirmam que podem existir mais vítimas. O Sheriff Lamberti comentou aos repórteres do Sun Sentinel e Miami Herald: "Não consigo imaginar alguém cometendo uma traição pública pior do que essa e a verdade é que ele forçava essas ações com pessoas vulneráveis".

 

            Ele usava sua autoridade para manipular imigrantes

 

            A investigação começou em abril, a partir de uma denúncia de que um policial da Flórida estava usando sua condição profissional para se aproveitar dos imigrantes. Como suspeito, Bleiweiss foi afastado da patrulha de rua em julho e, depois, acabou identificado por fotos pelas suas vítimas. Um mexicano confessou que teve cinco encontros com o policial entre abril e junho. Outros admitiram que foram atacados por Bleiweiss.

            Os detetives que investigaram o caso, disseram que Jonathan usava sua autoridade para manipular imigrantes, que em geral temem a polícia. Num dos casos, ocorrido em 23 de abril às 6:30 da manhã, o policial aproximou-se de um homem de 30 anos, que estava esperando uma carona do lado de fora do prédio onde morava. O homem contou à polícia que Jonathan o acariciou, colocando a mão por dentro de sua roupa e pediu o número de seu celular, para o qual ligava e enviava mensagens de texto diversas vezes por dia.

            De acordo com o mandado de prisão, Bleiweiss foi acusado de realizar sexo oral com o homem, pelo menos em quatro ocasiões entre aquele dia e 7 de junho. Ele dizia que o homem tinha que cumprir suas ordens sexuais ou corria o risco de ser deportado, disse Graciela Benito, uma dos detetives.

            Ela disse que quando os investigadores entrevistaram residentes do condomínio, descobriram um padrão semelhante: Em várias ocasiões, Bleiweiss parava as vítimas, exigia um ID e, em seguida, abusava sexualmente delas quando tinha certeza de que eram pessoas indocumentadas.

            O policial Jonathan Bleiweiss, até então era considerado um ícone da comunidade gay no sul da Flórida pela sua luta contra a discriminação sexual.

            Nancy Ramirez, uma advogada ligada à defesa dos direitos dos imigrantes, disse que os indocumentados são vulneráveis a este tipo de crime, pois têm medo de serem denunciados à polícia de imigração e, possivelmente, deportados. Ela acredita que estas pessoas envolvidas no caso de Bleiweiss podem aplicar para o visto ‘U’, para vítimas de crimes de violência ou sexuais. “Em troca do depoimento na Corte, estes imigrantes são passíveis de receber o visto que lhes garantiria a permanência neste país, mas muitos não sabem desta informação”.

            O Sheriff Lamberti enfatizou aos jornalistas que deveriam publicar o seguinte: "ninguém deve temer as autoridades quanto tiverem que reportar um crime, independentemente de seu status imigratório".

 

Fonte: (Da redação)