Publicado em 21/10/2009 as 12:00am

Projeto de reforma imigratória bipartidário é anunciado

Dias antes da caminhada planejada para Washington, dois senadores anunciaram um projeto de lei de imigração bipartidário

 

Dias antes da caminhada planejada para Washington, dois senadores anunciaram um projeto de lei de imigração bipartidário, que aumentaria os recursos para aplicação nas fronteiras e criaria um cartão de social security biométrico, para evitar falsificações e legalizar milhões de imigrantes indocumentados.

Os senadores Charles Schumer, democrata de Nova York e Lindsey Graham, republicana de South Carolina, apresentaram a sua proposta em um artigo de opinião publicado no "Washington Post", dizendo que "o povo americano merece mais do que uma retórica vazia e impraticável para a deportação em massa. " O plano também pede a criação de um programa de admissão de trabalhadores temporários.

 

O presidente Obama elogia a proposta

O artigo foi imediatamente elogiado pelo presidente Obama, que prometeu ajudar a traduzir a ideia numa proposta legislativa e de continuar a trabalhar "para forjar um consenso bipartidário este ano."

 

O plano dos senadores "responde à necessidade de escorar as nossas fronteiras", disse Obama em um comunicado, "e exige responsabilidade, tanto dos trabalhadores que estão aqui ilegalmente e os empregadores que jogam com o sistema."

 

Pelo menos 50.000 pessoas participaram ontem da caminhada. Um comício realizado por simpatizantes do movimento e transmitido ao vivo pela CNN pressionava a Casa Branca e os legisladores no sentido de tomarem medidas urgentes sobre a reforma da imigração.

 

"A reforma da imigração não pode esperar mais um ano, um outro prazo", disse Angélica Salas, diretora executiva da Coalition for Humane Immigrant Rights, de Los Angeles. "O momento é esse e a caminhada em Washington serve para deixar isso claro."

 

Ali Noorani, diretor executivo do Fórum Nacional de Imigração, disse que Schumer e Graham entendem que o sistema está falido e precisa ser corrigido. "O plano deles é um importante passo em frente", disse Noorani. "A probabilidade de reforma da imigração fica muito forte com esses aliados."

 

Os esforços anteriores para aprovar uma lei de reforma da imigração fracassaram em 2007. Agora, com a desaceleração econômica e os milhões de norte-americanos sem trabalho, os adversários à reforma disseram que era ainda menos provável que o público apoiasse a legalização de cerca dos 12 milhões de imigrantes indocumentados.

 

"Permitir que milhões de imigrantes ilegais fiquem (nos EUA) e tirem empregos dos cidadãos é como dar a chave da casa a um ladrão", disse o deputado Lamar Smith (R-Texas).

 

Mark Krikorian, do Center for Immigration Studies, que favorece os controles mais rigorosos da imigração, disse acreditar que não havia "nenhuma possibilidade" de a legislação ser assinada pelo presidente. "Esta é apenas uma maneira de fingir que mostram que há progresso quando não há absolutamente nada de novo no que eles têm escrito", disse ele.

 

 

O plano dos dois senadores abrange um território já familiar de todos: a segurança nas fronteiras, melhoria da segurança interna, trabalhadores temporários e legalização. O plano de legalização de imigrantes indocumentados determina que eles teriam que admitir que infringiram a lei, prestar serviços comunitários, pagar multas e impostos atrasados e aprender Inglês. Segundo o plano, o projeto de lei também daria o "cartão verde" (green card) para imigrantes que fizessem um mestrado ou doutorado em ciência, tecnologia, engenharia ou matemática, de qualquer universidade americana.

 

Desde que assumiu, Obama e a sua administração foram sugerindo aos legisladores e simpatizantes, para conseguirem apoio para a reforma do sistema de imigração. Janet Napolitano, Secretária do Departmento de Segurança Territorial (Homeland Security) realizou dezenas de reuniões com membros da Câmara e do Senado e organizou sessões de mesa redonda com políticos, empresários e grupos religiosos em várias cidades do país.

 

Tamar Jacoby, que administra a "ImmigrationWorks USA", uma federação de empregadores simpatizantes com a reforma, disse que foi encorajado pelo plano dos dois senadores a sugerir um adendo, para mais trabalhadores poderem vir legalmente para os EUA quando fosse necessário. Jacoby disse que a publicação desse artigo mostra agora ao público e a todos os interessados de que é chegado o momento certo para o processo.

 

"Faz parte, para se passar qualquer projeto, de se granjear o apoio do público", disse ela. "Os eleitores vão prestar atenção no que aconteceu neste fim de semana."

 

Fonte: (tradução: Phydias Barbosa)