Publicado em 2/11/2009 as 12:00am

Estudantes brasileiros atuam em projeto de assistência à saúde dos imigrantes

Recentes estudos promovidos por organizações como a American Cancer Society e Journal of National Cancer Institute, afirmam que a comunidade de origem latina e brasileira dos EUA, vem sofrendo nos últimos anos de doenças consideradas graves como diabete

Recentes estudos promovidos por organizações como a  American Cancer Society e Journal of National Cancer Institute, afirmam que a comunidade de origem latina e brasileira dos EUA, vem sofrendo nos últimos anos  de doenças consideradas graves como diabetes, problemas cardíacos e câncer em geral. A dura jornada de trabalho, a adaptação da dieta americana, rica emgordura e pouco equilibrada em termos de nutrientes, e a  falta de cuidados preventivos com a própria saúde,  contribuem para  elevar os preocupantes índices de  enfermidades entre brasileiros em Massachusetts.

Em um projeto promovido por um convênio entre universidades norte-americanas, brasileiras e latino-americanas, estudantes de várias partes do mundo se unem atuando na informação e na divulgação dos preocupantes dados da saúde do imigrante no país.O catarinense  Francis Giovanella Valle faz parte da iniciativa  e frisa a importância de alertar o imigrante com relação ao risco que sua saúde está correndo com a falta de cuidados que previnam doenças. “ A mudança no estilo de vida é um fator proeminente  para esses resultados. No Brasil, o brasileiro era acostumado a comer mais frutas, verduras, arroz, feijão, que além de mais saudáveis, são alimentos mais acessíveis financeiramente  e fazem parte da nossa cultura alimentar. Com a mudança de país, normalmente as gerações dos filhos desses imigrantes se acostumam com a cultura americana, marcada pelo sedentarismo e má alimentação. As pesquisas confirmam essa triste realidade” opina o catarinense, que veio ao país cursar um ano de sua graduação de Enfermagem, em parceria da Universidade Federal de Santa Catarina com uma universidade americana. “ Vim para ficar somente um ano, mas fiquei sabendo desse projeto voluntário, que me interessou muito e pode contar pontos para conseguir uma bolsa estudantil no país” conta o brasileiro.

 

As ações do projeto incluem palestras em escolas, igrejas, hospitais e empresas que tenham um bom número de funcionários latino-americanos e brasileiros. Além disso, periodicamente um grupo de voluntários visita bairros e cidades que contém muitos residentes brasileiros e hispanos, para conversas individuais e personalizadas. “ Dessa forma pretendemos alertar os brasileiros que o estilo de vida que eles levam no país pode determinar a longevidade de sua trajetória por aqui, e que a saúde tem que estar sempre em primeiro plano. As visitas são melhores porque os conselhos tornam-se mais personalizados, e de acordo com o perfil e as necessidades de cada família. Porém as palestras ministradas para grandes audiências pode, mais rapidamente, alcançar um numero maior de pessoas em menos tempo. Não há custo para aqueles que recebem visitas e conferências” continua o estudante.

 

 Números preocupantes

Francis ainda cita alguns dados, que ilustram o tamanho do problema. “ Os estudos  mostraram que um terço dos latinos que morrem de câncer nos EUA são vítimas de câncer de próstata, que pode ser prevenido com uma dieta adequada, por exemplo. Um estudo com cerca de 48 mil homens, publicado no Journal of National Cancer Institute, revelou que os homens que consumiam 10 ou mais porções de tomates por semana tinham metade da probabilidade de desenvolver câncer de próstata do que aqueles que comiam menos de 2 porções por semana. Além disso, estima-se que seis em cada dez imigrantes de língua latina que vivem nos EUA e regressam ao seu país, estão acima do peso” afirma ele. “ Outro fator que contribuiu para a criação deste programa é a falta de assistência médica adequada entre os imigrantes, devido ao seu estado migratório e ao alto custo do seguro de saúde. As entrevistas conduzidas pela Universidade de Massachusetts em Lowell, com 626 trabalhadores imigrantes do Brasil, mostraram que 42% deles tiveram problemas de saúde relacionados ao trabalho em um ano, e apesar disto, 80% dos entrevistados nunca procurou cuidados médicos” completa.

 Este projeto está atualmente em curso na Flórida, Connecticut, Nova York, Maryland, Ohio, Michigan, Califórnia, Virgínia, Texas, Geórgia e, agora, em Massachusetts.

A agenda em Massachusetts começa no região norte de Boston, incluindo a área de Lawrence e Lowell. Aqueles interessados em aprender mais sobre prevenção de doenças e qualidade de vida, entre em contato com o programa através do email: homehealth@massachusetts.usa.com ou pelo telefone: (978) 902-3891. Seja para visitas domiciliares ou para solicitar palestras para grupos. Vale lembrar que este é um programa social universitário e que não há custos envolvidos (os alunos ganham pontos para sua bolsa de estudos).

 

Fonte: (ABTN - Agência Brazilian Times de Notícias)