Publicado em 6/01/2010 as 12:00am

Imigrantes Indígenas serão contados no Censo 2010

No Censo 2010, serão tabuladas respostas manuscritas, especificando que o entrevistado pertence a um grupo de indígenas da América Central como Maya, Nahua, Mixtec, ou Purepecha

 

Para a maioria das pessoas, será fácil se descrever para o Censo. Simplesmente terão que marcar se são Brancos, Pretos ou Índios americanos.

Mas não é tão simples assim para os imigrantes indígenas - nativos americanos do México e América Central. Eles muitas vezes precisam de mais do que uma nomenclatura, porque sua ascendência pode abranger várias categorias do Censo. E ainda devem superar uma barreira linguística significativa, além de uma certa desconfiança natural que têm do governo.

O Bureau do Censo quer mudar isso na contagem de 2010, que abrange pela primeira vez grupos de imigrantes indígenas, na esperança de obter um retrato mais completo de um segmento crescente da população.

No Censo 2010, serão tabuladas respostas manuscritas, especificando que o entrevistado pertence a um grupo de indígenas da América Central como Maya, Nahua, Mixtec, ou Purepecha. A lista de populações diferentes que acabam sendo contadas serão tornadas públicas quando os resultados forem liberados em 2011, disse Michele Lowe, porta-voz do Escritório do Censo.

"Estamos sempre nos esforçando para apresentar um retrato fiel do povo americano, e isso é parte desse trabalho", disse Lowe.

Uma contagem precisa é importante para os próprios grupos indígenas e para o governo federal, que aloca recursos para governos estaduais e municipais de acordo com os resultados.

O Ministério do Trabalho dos EUA estima que os migrantes indígenas representam cerca de 17 por cento dos trabalhadores do país e pode representar até 30 por cento de trabalhadores agrícolas da Califórnia. A Flórida também tem uma grande população de imigrantes.

Organizações indígenas estão trabalhando de forma independente dentro de suas próprias comunidades para dissipar a apreensão e incentivar a participação. Eles falam muitas línguas diferentes, e fazer uma única campanha educativa é impossível. Somente alguns poucos falam espanhol.

Muitos já sofreram discriminação em seus países de origem por causa de sua origem indígena e nos EUA por causa de seu status de imigrante.

"No passado, muitas pessoas não gostariam de dizer que eram indígenas", disse Miguel Santos Tzunum Vasquez, do Esperanza Asociacion Maya Quiche da Flórida.

Segundo Vasquez, a organização foi fundada para ajudar os sobreviventes do massacre de 1997 em uma aldeia na Guatemala, chamada La Esperanza. A Guatemala sofreu 36 anos de guerra civil, que deixou dezenas de milhares de civis mortos, muitos deles civis indígenas que eram suspeitos de ajudar insurgentes.

Vasquez se sente mais seguro nos Estados Unidos - o suficiente para olhar para a frente e falar de seu passado indígena.

"Estou orgulhoso do que sou. Sou indígena, sou Maya," disse ele. "Isso é o que vou dizer no censo."

"A consciência política e a organização dentro dos grupos indígenas, especialmente na Califórnia e na Flórida, tem ajudado", disse Jonathan Fox, um professor de Latim e Estudos Latinos Americanos da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz.

"Mais migrantes indígenas estão dispostos a sair em público e afirmarem sua identidade étnica", disse Fox. "Mas esse progresso não aconteceu por acaso".

O Centro Binacional para o Desenvolvimento das Comunidades Indígenas de Oaxaca em Fresno, representa imigrantes indígenas do estado mexicano de Oaxaca. A organização lançou recentemente uma campanha de promoção da participação no Censo através de workshops, fóruns públicos, folhetos e rádio.

"Queremos ser contado como somos - como Mixtecos, Zapotecos, Triques", disse Rufino Dominguez, diretor-executivo da organização. "É importante que todos saibam que estamos aqui, e que há muitos de nós."

Oralia Maceda, organizadora da comunidade Mixtec no Centro Binacional, em entrevista recente, numa reunião de mulheres indígenas na zona rural da cidade do Vale Central de Madera, na Califórnia, disse que a contagem pode ter implicações para a sua vida cotidiana. Dados do Censo vão ajudar a determinar como mais de US$300 bilhões em recursos federais serão distribuídos para os governos estaduais e municipais.

 

Fonte: (ABTN - Agência Brazilian Times de Notícias)