Publicado em 17/03/2010 as 12:00am

Agricultor de Vermont investigado pelo ICE

Um fazendeiro de Vermont, que estava sendo visado pelo ICE a respeito de trabalhadores indocumentados, afirma que pensou que três dos seus trabalhadores ilegais tinham a documentação adequada

 

Um fazendeiro de Vermont, que estava sendo visado pelo ICE a respeito de trabalhadores indocumentados, afirma que pensou que três dos seus trabalhadores ilegais tinham a documentação adequada.

Clement Gervais acreditava que a fazenda tinha sido liberada quando da inspeção feita em novembro pelas autoridades de imigração, mas os federais disseram que quatro casos envolvendo fazendas ainda estavam pendentes em Vermont.

A repressão tem abalado os produtores de leite, alguns dos quais lutam para preencher a ordenha e muitas vezes dependem de trabalhadores estrangeiros, sendo que muitos podem ter entrado ilegalmente no país. Os agricultores estão relutantes em falar sobre o assunto publicamente, com medo de causar mais problemas.    

Gervais concordou em dar uma entrevista  depois que seu caso foi dado como encerrado, dizendo que espera que isso possa ajudar os produtores a serem autorizados a contratar trabalhadores estrangeiros, ao abrigo de um programa de vistos temporários de trabalho.

A fazenda foi inspecionada como parte de um esforço nacional do ICE anunciado em novembro, para verificar os registros de mais de 1.000 empregadores de todo o país, que eram suspeitos de terem contratado imigrantes ilegais. As empresas que deliberadamente contrataram ou continuaram a empregar os trabalhadores não autorizados poderiam enfrentar multas ou acusações criminais.

“O ICE provavelmente vai liberar uma atualização sobre esses casos nos próximos meses”, disse a porta-voz Gillian Brigham. Numa auditoria semelhante anunciada em julho de 2009, a agência revisou mais de 85.000 documentos de trabalho de mais de 650 empresas, determinando que pelo menos 14.000 contratos eram questionáveis. Foram emitidos R$ 2,3 milhões em multas, disse ela.

Gervais, 36, dono da fazenda com seus três irmãos e os pais, a cerca de 20 quilômetros da fronteira canadense, disse que não foi multado ou acusado. Ele mostrou os formulários I-9 dos trabalhadores, que provam que eles podem trabalhar legalmente nos EUA, além da cópia da folha de pagamento.

"Nós estávamos preparados. Eu tinha os I-9 de todos”, ele disse, acrescentando que a sua esposa, que faz a contabilidade, tinha feito todos os cursos técnicos, oferecidos pelo estado, em como documentar os trabalhadores.

"O problema é que a documentação que eles (trabalhadores) entregam, acredita-se que seja fiel e verdadeira", disse ele. "Você olha para eles, e a menos que você possa sentir algo que seja obviamente fraudulento, você tem que aceitar os documentos do jeito que são, e foi o que nós fizemos”.

Mas, depois da visita do inspetor da imigração, três trabalhadores latino-americanos deixaram a fazenda. Sete, que são residentes permanentes, continuaram lá.

“O ICE inspeciona fazendas e empresas quando recebe dicas sobre trabalhadores ilegais, ou quando eles estão trabalhando próximos ou ligados à infra-estrutura e recursos importantes, como o abastecimento de alimentos, reatores nucleares, sistemas de tratamento de água e centros de transporte”, Brigham disse. Gervais afirmou que foi informado que a escolha das fazendas foi aleatória e não sabe porque logo a sua foi alvo.

Com 950 vacas que precisam ser ordenhadas três vezes ao dia, Gervais disse que se esforçou para encontrar trabalhadores confiáveis. “Muitos só procuram emprego aqui, quando não conseguem encontrar trabalho em outro lugar. Eles freqüentemente têm problemas de droga ou álcool ou problemas em casa”, ele disse.

Seu pessoal recebe de $10 a $12 por hora, mas “a ordenha pode ser monótona e nem todo mundo gosta, ou detesta trabalhar com animais”. "Não há número suficiente de pessoas que querem fazê-lo. Esse é o problema real e verdadeiro", disse Gervais. "Quero dizer que há bons americanos que podem ordenhar leite, mas não há número suficiente deles, que possam e queiram. O jeito é contratar estrangeiros!"

Fonte: (da AP, tradução de Phydias Barbosa)