Publicado em 8/11/2010 as 12:00am

Alunos brasileiros de escola de aviação podem ser deportados

Presos em outubro numa ação do ICE, 34 alunos brasileiros da TJ Flight Academy, situada em Stow- MA, agora encaram o drama e a agonia na Côrte Federal do país, onde também podem sofrer a acusação de tentativa de terrorismo

Presos em outubro, numa ação especial do U.S. Immigration and Customs Enforcement,   34 alunos brasileiros da escola de aviação TJ Flight Academy, situada em Stow- Massachusetts,  agora encaram o drama e a agonia na Côrte Federal do país, com  possibilidade de serem deportados e até mesmo responderem por terrorismo, em audiências que começam no dia 9  e se estendem até o dia 30 de Novembro.

Além dos 34 alunos, na ocasião da ação do ICE foi preso também o proprietário da escola, Thiago de Jesus,  de 26 anos, que detém uma licença para pilotar aviões monomotores, e que já estaria sendo procurado pela Imigração desde Julho,  por faltar à uma Côrte de Imigração marcada em Fevereiro. Apesar dos controles rígidos de segurança colocados em prática após os atentados de 11 de setembro de 2001, o caso tem criado polêmica entre a  opinião pública norte-americana, principalmente porque envolve a concessão de licença de voô para estrangeiros indocumentados,  o que tem sido tratado na mídia americana como um risco eminente de terrorismo, explicitando o buraco no sistema de segurança interna do país.

Funcionários da TSA e da Federal Aviation Administration, que emite as licenças de piloto, não conseguiram explicar esta semana porque imigrantes indocumentados foram autorizados a ter aulas e obter as licenças em Stow. Eles afirmaram que estão realizando uma revisão das condições e requerimentos pelos quais os imigrantes obteram os documentos, mas não divulgaram o número total de estudantes que obtiveram as permissões.  "O TSA realizou uma verificação completa dos antecedentes de cada candidato no momento da aplicação, incluindo antecedentes criminais,  mas não fez uma pesquisa profunda na situação migratória dos mesmos', disse a porta-voz Ann Davis, em comunicado.

Segundo informações do jornal Boston Globe,  a TJ Aviation Flight ainda continuava aberta e realizando aulas,  até o fim dessa semana. Thiago foi procurado pela equipe de reportagem do Brazilian Times, mas não retornou as ligações e seu celular nem mesmo liberava mensagens de voz. Ele teria chegado ao país com 16 anos e fala inglês fluentemente.  “ Esses estudantes foram aprovados pelo TSA e todo o procedimento de obtenção das licenças foi realizado com sucesso. Tudo foi feito com o aval do TSA” disse ele ao jornal americano.  No mês passado, o TSA enviou um email ao empresário afirmando que estava revogando as licenças de vários estudantes da escola, e segundo o próprio Thiago, no mesmo período o ICE começou a procurar e a prender muitos de seus alunos. “ Você acha que se tivéssemos feito algo de errado , eu teria permissão para abrir uma escola de aviação?” questiona ele. “ No Brasil, ser um piloto tem o mesmo status social de ser um médico. Meu alunos são pessoas honestas. Só queriam construir um futuro melhor para eles” continua.

A advogada que defende o grupo de alunos, Willian Joyce,  afirma que eles se sentem traídos por Thiago, por não esclarecer que eles poderiam ser expostos a verificações migratórias. Porém,  a advogada admite que seus clientes agiram com ingenuidade,  levando em consideração que indocumentados não podem nem mesmo ser elegíveis para driver’s license, quanto mais para uma licença de vôo. “O que temos consciência, é que todos estão num grande problema”  disse ela.

Fonte: (Da redação)