Publicado em 2/05/2011 as 12:00am

ICE libera brasileira para amamentar o filho

Ela foi presa na semana passada e conseguiu sua liberdade devido ao fato de ter um filho em fase de amamentação

Vivendo ilegalmente nos Estados Unidos, a mineira de Belo Horizonte, Cynara Katia Borges, foi detida por agentes do departamento de imigração durante uma blitz no trânsito, na cidade de Reading - Massachusetts, na semana passada. Ela suplicou que a prisão não fosse realizada e alegou que tem um filho com 13 meses de vida que precisa ser amamentado. Mesmo assim ela foi encaminhada para a cadeia do Condado de Suffolk.

Depois que a brasileira foi presa, a imprensa norte-americana se interessou pelo caso e foi atrás de informação. Foi justamente este interesse que forçou a Justiça determinar pela sua libertação. Segundo uma nota divulgada pelo Immigration and Customs Enforcement – ICE, “a detenção da brasileira contraria as normas adotadas pelo departamento depois da batida em uma fábrica na cidade de New Bedford, em 2007”. Pelas normas adotadas, mães em processo de amamentação não podem ser presas.

Ela chegou aos Estados Unidos em 2006 e atualmente mora na cidade de Revere com o marido e o filho. Cynara trabalha na área de limpeza de casas e o esposo na área de construção civil. Ele pediu para não ter seu nome identificado, pois também vivem em situação ilegal no país. Durante o tempo que a mineira ficou presa, quem cuidou do filho foi o pai, que precisou se afastar do trabalho.

Assim que chegou à sua casa, Cynara abraçou e beijou o marido e, chorando, pegou o filho no colo. A cena emocionou a todos quando o menino sorriu ao ser abraçado pela mãe. Ela contra que durante sua estadia na prisão foi medicada com Motrin para aliviar a dor que estava sentindo devido a interrupção da amamentação. “Apesar de meu bebê já estar se alimentando de comida sólida, ele ainda continua querendo leite”, explica.

Jessica Vaughan, diretora de estudos políticos do Center Immigration Studies, em Washington, disse que nestes casos é preciso que as autoridades investiguem a veracidade do fato antes de tomar qualquer iniciativa. “No momento em que aconteceu a prisão, se tratava de uma fugitiva da Justiça. Assim que ficou comprovado que ela estava em processo de amamentação, foi autorizada a sua liberdade”, explica.

A diretora do Grupo Mulher Brasileira, Heloisa Galvão, disse que não tem conhecimento de caso semelhante ao da brasileira, desde que aconteceu a batida na fábrica em New Bedford. Ela colocou a entidade à disposição da família de Cynara e ajudará a encontrar uma assessoria jurídica.

A brasileira terá uma nova audiência no dia 21 de outubro e será obrigada a utilizar tornozeleira enquanto aguarda decisão da Justiça.

Fonte: (da redação)