Publicado em 24/06/2011 as 12:00am

Jornalista renomado revela que vive ilegalmente nos EUA

Um ex-jornalista do Washington Post, vencedor de um prêmio Pulitzer por sua cobertura do massacre de Virgínia Tech, revelou nesta quarta-feira que reside ilegalmente nos Estados Unidos há quase duas décadas.

Um ex-jornalista do Washington Post, vencedor de um prêmio Pulitzer por sua cobertura do massacre de Virgínia Tech, revelou nesta quarta-feira que reside ilegalmente nos Estados Unidos há quase duas décadas.

José Antonio Vargas, de 30 anos e originário das Filipinas, anunciou em um artigo de 4.300 palavras, publicado pela revista do The New York Times, que vive sem documentação legal nos Estados Unidos desde que chegou ao país, em 1993, um dado que até agora mantinha em segredo até mesmo de amigos próximos.

Segundo o artigo, o jornalista decidiu fazer a revelação numa tentativa de apoiar o Dream Act, uma disposição judicial que permitiria aos jovens imigrantes que vivem nos Estados Unidos obter a nacionalidade americana.

Vargas relatou que, em 1993, sua mãe o embarcou em um avião das Filipinas para os Estados Unidos, quando ele tinha apenas 12 anos, com o propósito de que ele fosse morar com seus avós em São Francisco,Califórnia.

O jovem descobriu que estava ilegal no país aos 16 anos, quando foi tirar sua carteira de motorista e um funcionário lhe pediu para que se retirasse do local porque seus documentos eram falsos.

"Desde então decidi que não daria a ninguém razões para duvidar de que eu era americano", disse.

Nos 14 anos seguintes, "me graduei e construi uma carreira como jornalista que me permitiu entrevistar alguns dos personagens mais famosos deste país", disse. "Pude viver o sonho americano", completou.

"Ainda sou, no entanto, um imigrante ilegal e todos os dias sinto medo de ser descoberto, inclusive por meus amigos mais próximos", disse.

"Já não quero essa vida", afirmou ele, ao mesmo tempo em que admitiu que ignora quais serão as consequências legais de ter revelado seu segredo. "Estou me informando a respeito", disse.

Fonte: (AFP)