Publicado em 23/09/2011 as 12:00am

Estudantes explicam benefícios do Intercâmbio nos EUA

Jovens dizem que é preciso estar disposto a enfrentar desafios e choques culturais  

Por Larissa Gomes

O programa de Intercâmbio nos EUA oferece oportunidades de emprego durante as férias no Brasil e com possibilidade de ganhos em dólar. O participante deve ser estudante, ter de 18 a 30 anos, falar inglês e estar disposto a enfrentar desafios e choques culturais. O intercâmbio é indicado àqueles que queiram viver uma experiência internacional. Por ser de baixo custo, muitos brasileiros têm optado pelo programa como chance de viver por um tempo o ‘Sonho Americano’.

As oportunidades são diversas e o candidato tem a possibilidade de escolher o estado e em que ele trabalhará. Segundo a agência de intercâmbio CI, as áreas mais procuradas são resort, estação de Ski, cassinos e Disney. Há duas maneiras de conseguir uma vaga de emprego nos EUA durante as férias no Brasil. A primeira é de forma independente, o candidato deverá procurar por conta própria um trabalho no exterior, obtendo ajuda de uma agência de intercâmbio no Brasil, com orientações e dicas, além de providenciar todos os documentos necessários para o visto. A outra é participando de feiras de recrutamento realizadas pelas agências, com a presença de empregadores americanos.

Marcela Quitan, residente no Rio de Janeiro (RJ), participou do programa de intercâmbio em 2010 nos EUA, na cidade de McHenry, Maryland. Segundo ela, os gastos com a viagem foram de U$ 2.500,00, já incluindo passagens, visto e taxa de inscrição na agência de intercâmbio. "Durante três meses tive uma experiência maravilhosa, aprendi muito, melhorei meu inglês e cresci como pessoa também", disse.

Marcela indica o intercâmbio para pessoas com "cabeça aberta", sem preconceitos e dispostas a encarar trabalhos pesados e que estejam preparadas para imprevistos. Ela recomenda que o participante não deixe de viajar para conhecer lugares.. E alerta que aqueles que desrespeitarem as regras do programa poderão ser demitidos e terão que retornar ao Brasil.

Rachel Souza, também do Rio, participou do programa de intercâmbio durante quatro meses, em 2009, em Norfolk, Virgínia. Ela participou do ‘Work Experience’, em um restaurante, preparando saladas. Segundo a carioca, os gastos com a viagem foram de R$ 6.900,00 e no fim do programa conseguiu recuperar o investimento. "A experiência é ótima pela troca cultural, melhora da compreensão auditiva do inglês, visão de mundo e amadurecimento. Indicaria o programa pelo aprendizado e a importância da experiência de viver em outro país, além de fazer novas amizades", comenta. Rachel diz que o intercâmbio é indicado para jovens que estão cursando a faculdade ou recém-formados. "É necessário ter espírito jovem por causa do trabalho desempenhado (em restaurantes, resorts, estações de Ski), pois se trata de "subemprego" e deve-se ter bastante disposição, pois trabalha-se muito!", revela Rachel. Ela completa dizendo que o candidato deve ter dinamismo para lidar com adversidades, "jogo de cintura", já que está longe do Brasil e da família. "A pessoa que vai fazer o programa não pode deixar de viajar, aproveitar a oportunidade de estar em outro país para conhecê-lo melhor, conhecer pontos turísticos. O que não pode ter é preconceito, desobedecer as leis e culturas do país. Lembrar que os intercambistas que estão nos EUA devem se adaptar aos novos lugares", diz a ex-participante.

Camila Lopes, outra carioca, trabalhou em um albergue como recepcionista e atualmente está em uma agência de intercâmbio. Ela também fez o programa durante quatro meses em Santa Barbara (CA), USA em 2007. "Certa vez um hóspede passou mal e tive que ligar para o 911, ele tinha problema de convulsão", lembra Camila,que diz que tal situação foi marcante para ela.

"Gostei do programa e foi uma ótima experiência pessoal e profissional. Sou formada em Turismo e, na época, era estudante, não tinha nenhuma experiência e ao voltar do intercâmbio consegui uma vaga de recepcionista em uma rede de hotéis, por conta da experiência internacional e do inglês que melhorou". Camila indica o intercâmbio para estudantes universitários, com bom nível de inglês, dispostos a enfrentar dificuldades e que estejam procurando uma experiência no exterior. "A pessoa que quer fazer intercâmbio deve ser maduro, dinâmico e capaz de enfrentar desafios, não é indicado para qualquer um, muitos desistem, pois não estão acostumados a pegar no pesado".

Jaime Hilário, residente em São Carlos (SP), viajou pelo programa Work Experience em 2005 para o Mobile (AL) e trabalhou durante quatro meses no McDonalds. Ele morou com mais nove estudantes, sendo oito brasileiro e uma argentina. A rotina de trabalho era puxada e chegou a trabalhar 60 horas em uma única semana. Jaime recebia U$ 8,00 por hora e ganhava U$ 12,00 quando fazia hora extra. Na casa em que morou só havia um carro e duas pessoas somente estavam autorizadas a dirigir. Por isso, ele revezava com o colega para levar e buscar os amigos no trabalho, em horários diversos, às vezes, às cinco horas da manhã e outras à meia-noite.

Segundo Jaime, o dinheiro investido foi compensador, pois conseguiu recuperar tudo, mas ele alerta que a intenção não deve ser essa e sim de ter uma experiência única na vida. "Adorei a experiência, pois em um programa de intercâmbio, principalmente para alguém que nunca tinha saído do Brasil, como eu, representa uma experiência marcante na vida, devido, principalmente, à divergência cultural. Mesmo antes de participar do programa, eu já morava em uma república de estudantes em São Carlos, cursando faculdade de Engenharia Mecatrônica na USP. Mesmo assim, a experiência de dividir uma residência com mais oito pessoas em outro país foi totalmente diferente.  Ainda segundo Jaime, o participante deve estar disposto a dividir a casa com pessoas, inicialmente, desconhecidas, ser flexível à mudanças no estilo de vida, ter desapego material e ser curioso.

"Durante o programa, o participante não poderá ter a intenção de guardar dinheiro. Falo isso porque se alguém que faz o programa quer ganhar dinheiro, acho que está errado, o programa é justamente para você ir a lugares, sair e para isso você vai precisar gastar dinheiro. O que não pode deixar de fazer é gastar todo centavo que você ganhar, lembre-se de comprar uma lembrancinha para sua família. Mas se eu pudesse dar um conselho para os futuros participantes, seria: trabalhe 60 horas em uma semana e gaste 600 dólares na próxima!" revela ele.

Fonte: (da redação)