Publicado em 17/01/2012 as 12:00am

Imigração pode cancelar deportação de brasileiro

Dias antes da sua data de deportação, o brasileiro Maurício Perozin foi informado pelas autoridades federais que tinha conseguido mais um ano para viver ao lado de sua família nos EUA

Dois casos divulgados recentemente pela mídia norte-americana retratam visivelmente que a Justiça dos Estados Unidos não tem uma posição fixa em relação a deportação de imigrantes indocumentados.

O salvadorenho Carlos Quintanilla, 43 anos, que trabalha como zelador na cidade de Worcester, em Massachusetts, é pai de três filhos, e vinha enfrentando deportação. Ele entrou nos Estados Unidos há 21 anos através da fronteira com o México. Mas um juiz de imigração interrompeu o processo e ao invés de ser deportado, o imigrante acabou recebendo permissão para ficar legalmente no país.

A justificativa dada pelo juiz foi que os filhos do salvadorenho, nascidos nos Estados Unidos, poderiam sofrer com a ausência dos pais ou até mesmo com a mudança de cultura, caso Carlos levasse os filhos para morar em El Salvador.

Uma situação completamente diferente do que aconteceu com o brasileiro Maurício Perozin, que passou as últimas semanas dizendo adeus aos amigos e parentes. Ele é pai de dois meninos que nasceram nos Estados Unidos e vive no país há 13 anos. Mesmo tendo entrado nos EUA “pela porta da frente”, os pedidos de perdão não foram ouvidos e a sua deportação foi determinada.

Na semana passada, dias antes do brasileiro ser deportado, as autoridades federais ofereceu o prazo de um ano para que ele permaneça no país. Essa mudança aconteceu depois que alguns veículos de comunicação resolveram investigar a decisão dos dois casos. Nada ficou definido depois que este período terminar, mas o brasileiro conseguiu mais um ano para viver ao lado da família, antes de ser deportado.

Este tratamento diferenciado para os dois homens, ambos com laços familiares nos Estados Unidos e vínculo com as suas comunidades locais, mas levantou uma questão de quantos casos semelhantes aconteceram.

O salvadorenho fez um apelo ao juiz para cancelar a sua deportação e limpar o caminho para obter o “Green Card”. A lei de imigração permite aos juízes decidir por deportar ou não um imigrante que vive há mais de 10 anos no país, desde que cumpram algumas exigências, tais como provar que os filhos nascidos nos EUA sofreriam muito em caso de deportação dos pais ou até mesmo com mudanças de cultura.

Mesmo Carlos Quintanilla tendo um registrado em seu passado, várias detenções por dirigir sem carteira de motorista e um processo por estar embriagado à frente da direção de um veículo, o juiz achou que ele merecia o perdão e deveria ficar legalmente nos Estados Unidos. Isso porque além de morar há mais de 10 anos no país, o salvadorenho tem filhos estadunidenses e paga os seus impostos corretamente.

Já o brasileiro Maurício não teve a mesma sorte. Ele chegou aos Estados Unidos com visto de turista quando ainda tinha 26 anos e optou por ficar no país quando expirou seu prazo de permanência. Logo em seguida, grande parte da sua família também emigrou para o país.

Atualmente quase todos os seus parentes mais próximos moram em Massachusetts. tanto que ele precisa solicitar o salão da igreja que frequenta para realizar almoço ou outros eventos familiares.

A mãe do brasileiro, que está se recuperando de um tratamento de combate ao câncer de ovário, tem Green Card, a irmã Simone é uma cidadã naturalizada norte-americana e os dois filhos, um de 9 e outro de 4, nasceram no país. Seu pai morreu no ano passado e foi enterrado em Massachusetts.

Maurício é diácono de uma igreja e não tem antecedentes criminais. Consta apenas um delito em 2007, quando a polícia o deteve por excesso de velocidade e o multou por dirigir sem carteira de motorista. Foi nesta época que ele foi entregue nas mãos da imigração e desde então, trava na Justiça a possibilidade de permanecer nos EUA. No período da prisão ele estava há apenas nove anos no país e talvez seja por isso a decisão por não aceitar o pedido de perdão.

O porta-voz do Immigration and Customs Enforcement – ICE, Ross Feinstein, disse que o Governo considera os pedidos de perdão baseado em caso a caso. “Nós iremos rever a situação do brasileiro e tomaremos nossa decisão em breve”, afirma ressaltando que ele terá mais um ano para permanecer por mais um ano, até que as autoridades cheguem à um posicionamento.

Todos os familiares e amigos estão mais aliviados, mas Maurício sabe que sua batalha judicial não acabou e terá um longo caminho até que consiga sensibilizar as autoridades e provar que suas raízes familiares estão nos Estados Unidos.

Fonte: (Da redação)