Publicado em 14/01/2013 as 12:00am

Legisladores de MA pedem reforma migratória ampla

"Uma reforma migratória verdadeira exigirá uma forte colaboração bipartidária", disse a deputada federal Niki Tsongas (D-3rd)

Apesar de a primeira tarefa do Congresso em 2013 será lidar com o déficit econômico e orçamento, vários legisladores e ativistas também dizem que o projeto de lei de uma reforma migratória ampla também estará na agenda esse ano. A delegação de Massachusetts, em particular, apoia a apresentação de uma proposta.

"O povo americano quer ação", disse a deputada federal Niki Tsongas (D-3rd). "Uma reforma migratória verdadeira exigirá uma forte colaboração bipartidária e eu estou comprometida a atuar com o presidente assim como os meus colegas do outro partido para aproveitar o momento e completar essa tarefa fundamental".

A recém eleita Senadora Elizabeth Warren também acredita que esse seja o momento ideal para o Congresso agir. "A Elizabeth espera que o Congresso se una para aprovar, de comum acordo, uma reforma migratória ampla", disse Mindy Myers, supervisora de Warren.

Ativistas defensores dos direitos dos imigrantes em Massachusetts disseram que membros de ambos os partidos estarão prontos para abordarem o tema migratório esse ano. "O Presidente afirmou que essa é uma de suas prioridades e nós temos todas as indicações que o Congresso está preparado para lidar com isso", disse Frank Soults, diretor de comunicações do Massachusetts Immigrant & Refugee Advocacy Coalition. "Os líderes do partido republicano estão cientes que alienaram a parte da população que mais cresce, os latinos".

Soults frisou que os efeitos de tal alienação não foram somente percebidos a nível nacional, com a derrota do candidato presidencial republicano Mitt Romney em 2012, mas também nas eleições ao cargo de senador em Massachusetts. "(O republicano Scott) Brown votou contra o Dream Act e não se encontrou com líderes representantes dos imigrantes", frisou ele. "Como resultado, ele não teve muito apoio em cidades multiétnicas, onde existe uma grande população de imigrantes".

Steve Kropper, chefe do Massachusetts Citizens for Immigration Reform, que defende uma reforma mais restritiva nas leis de imigração, disse acreditar que haverá a pouca probabilidade da aprovação de uma reforma migratória ainda esse ano. "Eu não acho que a administração (Obama) se encarregará da aprovação de uma reforma migratória ampla, eu penso que eles sabem que o Congresso não apoiará isso", comentou.

Ele acrescentou que, apesar do resultado das eleições, uma reforma migratória não receberia apoio suficiente para passar pela Casa dos Representantes. "Apesar de as eleições terem provocados uma mudança no cenário nacional, os representantes ainda levarão em conta os seus próprios distritos quando avaliarem um assunto dessa magnitude", disse ele.

Ainda assim, os defensores de uma reforma migratória esperam ver decisões, como o Dream Act, implantado em 2012 pelo Governador Deval Patrick para garantir descontos nas mensalidades das universidades para estudantes indocumentados, ocorra a nível nacional como parte de um pacote de leis da reforma migratória.

"Para qua a reforma migratória obtenha sucesso, ela deve abranger o sistema atual repleto de ameaças à nossa segurança nacional e economia", disse Tsongas. "Uma reforma migratória vitoriosa deve também oferecer a possibilidade de legalização para milhões de trabalhadores indocumentados e suas famílias que vivem nos Estados Unidos".

Soults calculou que entre esses milhões de estrangeiros, entre 150 mil e 200 mil residem em Massachusetts e qualquer reforma afetaria a forma como eles se integrariam à sociedade. "Primeiramente, deve haver o reconhecimento das pessoas que já estão aqui", disse ele. "Eles devem pagar multas e impostos atrasados; não penso que qualquer pessoa questione essa realidade. Eles devem assistir à aulas de inglês, isso é óbvio".

Soults frisou que uma reforma deva incluir dispositivos que evitem a entrada de mais trabalhadores indocumentados no futuro. Ele acrescentou que o mercado de trabalho deve reconhecer que necessita da mão-de-obra imigrante. "Deverá haver um sistema mais baseado na necessidade econômica, ou seja, muito mais aberto. Dessa forma, não haveria essa economia paralela. Nós poderíamos nivelar o jogo para todos", disse ele.

Kropper argumentou que qualquer reforma deva, na realidade, proteger os cidadãos norte-americanos desempregados porque os trabalhadores imigrantes estão dispostos a fazer o mesmo serviço por salários mais baixos. "A política migratória deveria ser baseada no que for melhor para o país", defendeu ele. "As pessoas deveriam poder vir aqui e gerar empregos, estudantes estrangeiros deveriam ficar e enriquecer a economia".

Cada grupo defende um tipo diferente de reforma migratória, mas todos concordam com a necessidade de uma reforma ampla e os legisladores esperam que 2013 seja o ano em que esse impasse seja solucionado. 

Fonte: Brazilian Voice