Publicado em 30/01/2013 as 12:00am

Obama e senadores anunciam reforma migratória

Presidente relançou tema no debate no início de seu segundo mandato. Democratas e republicanos parecem prontos para trabalhar juntos, disse.

Presidente relançou tema no debate no início de seu segundo mandato. Democratas e republicanos parecem prontos para trabalhar juntos, disse.

O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou nesta terça-feira (29), que o plano de reforma migratória proposto por senadores está "muito alinhado" com as propostas da Casa Branca sobre o tema. "A boa notícia é que, pela primeira vez em muitos anos, republicanos e democratas parecem prontos para lidar com o problema juntos", disse Obama em discurso em Nevada nesta terça.

"Neste momento, parece que há um genuíno desejo de fazer isso logo. E isso é muito encorajador", disse Obama, acrescentando que a reforma fortaleceria a economia americana.

Ele afirmou que é hora para um acordo para uma reforma "abrangente" e regida pelo senso comum, que ajude os ilegais a "virem para o lado certo da lei", e pediu apoio ao Congresso para que o aprove.

Busca de consenso

Ao iniciar seu segundo mandato, Obama tenta atingir um consenso bipartidário em torno de um plano que permita conceder cidadania aos mais de 11 milhões de estrangeiros que hoje vivem clandestinamente no país.

O desafio de Obama é obter apoio popular à proposta dos senadores, mas sem afastar os republicanos mais aguerridos, que podem resistir a qualquer coisa que leve a assinatura do presidente democrata.

"No minuto em que isso virar o plano de Obama, os republicanos passam automaticamente para a oposição", disse Bill Schneider, cientista político da Universidade George Mason, na Virgínia. "A Casa Branca sabe recuar por enquanto."

Os senadores

O grupo de senadores democratas e republicanos apresentou nesta segunda-feira um conjunto de princípios comuns para avançar uma reforma migratória integral nos Estados Unidos que inclua uma via à cidadania para parte dos cerca de 11 milhões de imigrantes ilegais. Os senadores, entre eles Marco Rubio no lado republicano e Robert Menéndez no lado democrata, indicaram que este acordo bipartidário é uma oportunidade para conseguir uma reforma migratória alardeada desde antes da chegada do presidente Barack Obama à Casa Branca em 2009.

A proposta dos oito legisladores (quatro democratas e quatro republicanos), que assinam o acordo, poderia traduzir-se em um primeiro projeto de lei no próximo mês de março e, segundo o senador democrata Charles Schumer, ser aprovado "no meio do ano". Se o consenso for alcançado no Senado, a Câmara dos Representantes poderia dar sinal verde a uma reforma integral de um sistema que líderes de ambos partidos consideram quebrado, defasado e que não contribui à melhora econômica do país.

Um dos signatários, o senador republicano e candidato presidencial em 2008, John McCain, espera que o texto da lei conte com um majoritário apoio bipartidário no Senado, já que, em sua opinião, "2013 representa para nós a maior oportunidade em muitos anos para conseguir uma reforma do sistema migratório".

Tanto democratas como republicanos concordaram que a reforma inclua uma "via para a cidadania dura, mas justa" para milhões de imigrantes que vivem na ilegalidade, com especial preferência para aqueles que chegaram ao país ainda crianças e os trabalhadores do setor primário, que realizaram trabalhos mal remunerados durante anos.

"Imediatamente depois que a lei for aprovada, as pessoas que vivem agora na sombra terão o direito legal a ficar e trabalhar aqui. Não serão deportados, desde que não tenham antecedentes criminais. Não serão perseguidos nunca mais", indicou Schumer em entrevista coletiva. O processo de regularização seria feito de maneira progressiva e obriga àqueles que permitiram que seus vistos caducassem ou que ingressaram no país de maneira ilegal a submeter-se a revisões de antecedentes e pagar multas para obter a residência permanente.

Por sua parte, os conhecidos como "dreamers", que chegaram ao país quando eram menores e não por vontade própria, terão preferência para optar à cidadania, enquanto os trabalhadores imigrantes ilegais do setor agrícola poderão também se transformar em cidadãos mediante um plano específico desenhado para eles.

Os republicanos Rubio e McCain quiseram destacar a necessidade que se melhore o controle fronteiriço para reduzir a chegada de pessoas sem documentos, assim como os sistemas de verificação de vistos e permissões de trabalho, requisitos prévios para poder iniciar as regularizações. Além disso, as permissões de entrada legal para trabalhar nos EUA estarão ligadas à situação trabalhista no país e levarão em conta a chegada de pessoas com talento ou em setores nos quais se requer mão de obra estrangeira.

As facções mais conservadoras do Partido Republicano se opõem a uma lei que inclua a possibilidade da cidadania, já que, segundo sua opinião, se trataria de uma nova "anistia" como as regularizações de 1986 que serviria de "efeito chamariz". Obama esperará o dia de amanhã para delinear a reforma que a Casa Branca considera apropriada, em discurso em Las Vegas, onde espera-se que ponha acento nas regularizações mais que no controle fronteiriço, um ponto com o qual os republicanos esperam obter o apoio dos mais receosos

Fonte: Brazilian Times