Publicado em 24/06/2013 as 12:00am

Sindicalista do ICE se torna "inimigo nº 1" da reforma migratória

Sindicalista do ICE se torna "inimigo nº 1" da reforma migratória

Chris Crane é presidente do National Immigration and Customs Enforcement Council, que representa 7.700 dos 20 mil funcionários do ICE

 

da redação

 

Após a aprovação da emenda que garante o aumento da segurança nas fronteiras, durante a votação do projeto de lei de reforma migratória pelo Senado, a situação não está favorável a Chris Crane, presidente do Sindicato dos Agentes de Imigração, que fez do combate à proposta a sua principal missão.

“Os americanos têm que entender que essa legislação somente permite a legalização do status de estrangeiros ilegais, incluindo criminosos perigosos”, disse Crane. “Ela não contém nenhuma promessa de resolver os problemas migratórios de nossa nação”.

Crane também se encontrou com o Senador Marco Rubio, um republicano que ajudou a redigir o projeto de lei, quando criticou as emendas relativas à segurança. Então, ele participou de uma conferência de imprensa, a qual o Senador John Barrow (D-GA) apresentou a sua alternativa às emendas de segurança, as quais cumprem a maioria das exigências de Crane, ou seja, mais agentes de imigração e menos liberdade por parte da chefia do Departamento de Imigração (ICE) sobre como aloca-los.

Chris é presidente do National Immigration and Customs Enforcement Council, que representa 7.700 dos 20 mil funcionários do ICE.

A proposta, que sobreviveu à uma barragem de emendas hostis no Comitê Judiciário e está sendo votada no Senado, tem surpreendido até seus apoiadores, liderados por uma coalisão formada por latinos, empresários da indústria de alta tecnologia, agricultores, sindicatos e entidades religiosas. Ela permite a criação de um caminho à cidadania ao longo de 13 anos para os imigrantes indocumentados, fortalece a segurança nas fronteiras e remodela a imigração legal. Seus oponentes, na defesa, argumentam que o projeto de lei é fraco no quesito segurança e que permitiria o surgimento de uma nova onda de imigrantes indocumentados. Crane é o “garoto propaganda” desse argumento. Ele alega, em termos simples, que a atuação da administração Obama não poderia ser pior.

“Em geral, não estamos fazendo com que a lei seja obedecida”, disse ele durante uma entrevista em Salt Lake City, onde está baseado. “É perturbador, como funcionário em geral, ver o Departamento de Segurança Interna (DHS) mentir para o povo americano diariamente sobre quem estamos prendendo”.

Ele alegou que representantes do ICE tem exposto agentes ao perigo de membros de gangue nos centros de detenções e que eles ameaçaram disciplinar os agentes por deter imigrantes indocumentados encontrados nas ruas. Para justificar seu ponto de vista, ele acionou judicialmente Janet Napolitano, secretária do DHS. Um juiz do Texas ainda avalia o caso e brevemente emitirá uma decisão.

Representantes do DHS responderam que os dados do órgão falam por si mesmos. Durante a administração Obama, o ICE deportou mais de 1.4 milhão de pessoas, incluindo um número crescente de criminosos estrangeiros condenados; 225 mil no ano passado. Os representantes alegam que Crane ignora o número de deportados como parte de uma cruzada pessoal para posicionar a política migratória mais à direita, a qual alegam estar fora das atribuições dele como agente de segurança.

Crane disse ter crescido em uma área conservadora em Wyoming e serviu dois turnos na Marinha, antes de ingressar no ICE há 10 anos. Ele creditou suas dúvidas com relação ao órgão nesse período quando, segundo ele, seu supervisor estava constantemente bêbado no horário de trabalho. Ele sindicalizou-se por temer retaliações por ter denunciado esse mesmo supervisor.

“Os nossos gerentes estão completamente fora de controle”, disse Crane. Ele recordou um episódio ocorrido em 2009 em um escritório do ICE em El Paso quando dois agentes casados alegaram que seu bebê nasceu com problemas de saúde devido à pressão no trabalho e assédio sexual durante a gravidez. Agentes do ICE defenderam a colega de trabalho, disse Crane emocionado.

Recentemente, sua disputa com a chefia do ICE envolve a política que instrui agentes de deportação de focalizar em criminosos ao invés de imigrantes cujo único delito é estar indocumentado no país. Crane alegou que muitos agentes consideram a política, iniciada há 2 anos, confusa e contrária à sua missão. Ele deu início à uma guerra contra os gerentes do ICE sobre quando e como os agentes deveriam ser treinados como agir.

“Eles estão pedindo as autoridades para simplesmente ignorarem os seus livros de Direito”, disse Crane. “Para os agentes em campo, nós não podemos funcionar dessa forma. Nós temos que ter leis bastante claras, que não sejam ambíguas, que possamos de forma confiante sair às ruas e exerce-las”.

Representantes do ICE discordam de muitas declarações dadas por Crane. Brian Hale, porta-voz do ICE, rebateu que o incidente ocorrido em El Paso foi rapidamente levado a conhecimento do inspetor geral e que os gerentes foram substituídos.

“Qualquer sugestão que essa alegação de conduta inapropriada tem a ver com discordâncias de política entre o sindicato e o ICE é incorreta e tendenciosa”, disse Brian.

Crane faz parte da minoria no ICE, pois quase 9 mil agentes de investigação do órgão são representados por um sindicato diferente, o Federal Law Enforcement Officers Association, e eles não concordam com sua abordagem.

“O sindicato tem a tendência de atirar pedras na administração”, disse Andrew Rakowsky, representante do sindicato junto ao ICE. “Nós trabalhamos na busca do diálogo e entendimento”.

Crane faz parte de uma minoria ainda menor entre as autoridades líderes; com líderes sindicais da polícia e xerifes mobilizando-se junto à Casa Branca em prol do projeto de lei. Além disso, ele está nadando contra a corrente no movimento trabalhista, embora o seu próprio sindicato seja afiliado a AFL-CIO, que lançou uma campanha nacional de apoio à proposta. Seus representantes também pediram à administração Obama para suspender quase todas as deportações enquanto ela tramita no Congresso.

Fonte: Brazilian Times