Publicado em 8/07/2013 as 12:00am

Empregadores serão obrigados a verificar status imigratório dos contratados depois da reforma

Empregadores serão obrigados a verificar status imigratório dos contratados depois da reforma

Grupos pró-imigrantes temem os erros cometidos com o uso do sistema E-Verify, que confirma a legalidade do trabalhador

 

da redação

O E-Verify, um sistema que obrigará todos os empregadores a fazer um controle para saber se seus trabalhadores estão autorizados a trabalhar, é uma faceta da reforma imigratória que promete converter-se em um pesadelo burocrático para os cidadãos americanos, segundo seus críticos.

O E-Verify é um programa federal que utiliza bases de dados de vários órgãos do governo para determinar se um indivíduo pode trabalhar nos Estados Unidos.

A reforma imigratória aprovada na semana passada no Senado, e que ainda precisa passar pela Câmara de Representantes, inclui um importante fortalecimento da vala na fronteira com o México e na implementação do E-Verify a nível nacional, para que novos estrangeiros não possam ser admitidos em empregos sem permissão.

Mas o E-Verify tem um percentual de erro que afeta principalmente as mulheres, pode ser usado como represália contra os trabalhadores e se presta à discriminação racial, asseguram órgãos de direitos humanos.

Apesar disto, os ativistas pró-imigrantes estão dispostos a aceitá-lo como parte da reforma imigratória, mesmo segurando a respiração, se esta for a única maneira de os conservadores aprovarem o projeto que pode regularizar os 11 milhões de indocumentados.

"O problema é que estas bases de dados das quais depende o sistema contêm erros que se refletem particularmente nos trabalhadores autorizados que não são cidadãos, assim como sobre as mulheres e sobre os empregados com sobrenomes não tradicionais", disse Joshua Stehlik, advogado da National Immigration Law Center, uma organização de assistência legal com sede em Los Angeles.

Os erros mais frequentes ocorrem quando as mulheres mudam de nome ao se casar ou se divorciar ou quando uma pessoa tem um sobrenome estrangeiro que propicia incorreções ortográficas, explicou Stehlik.

Por ora, o E-Verify é usado em 20 estados por 7 por cento dos empregadores do país (cerca de 411,000), que preenchem um formulário para cada novo candidato, o remetem ao Departamento de Segurança Interna (DHS) e esperam pela resposta.

De 20.2 milhões de indivíduos que passaram pelo E-Verify em 2012, 1.09 por cento não estavam autorizados a trabalhar nos EUA e 0.26 por cento foram vítimas do sistema que emitiu um resultado negativo incorreto, segundo números do Serviço de Imigração e Cidadania, uma divisão do DHS.

Este percentual de 0.26 representa 52,520 pessoas falsamente catalogadas como não aptas para trabalhar.

"Desta forma, um trabalhador americano precisa enfrentar uma gigantesca burocracia para corrigir este resultado antes de poder conseguir um emprego e sustentar sua casa", criticou a União de Liberdades Civis (ACLU) em um comunicado.

Nesse meio tempo, o candidato corre o risco de perder uma oportunidade de emprego.

Fonte: Brazilian Times