Publicado em 21/11/2014 as 12:00am

Obama tira milhões de imigrantes das sombras

Hoje nosso sistema de imigração está quebrado e todo mundo sabe disso", disse. "Tem sido assim há décadas e há décadas que não temos feito muito sobre isso, afirmou.

Durante no seu discurso na noite desta quinta-feira (20), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu uma revisão mais abrangente do sistema de imigração, que está defasado há décadas. O chefe do Executivo rejeitou as acusações feitas pelos conservadores de que ele está oferecendo um passe livre para os imigrantes indocumentados e advertiu que iria reforçar a segurança nas fronteiras e tornar mais difícil para que pessoas entrem no país ilegalmente. "Hoje nosso sistema de imigração está quebrado e todo mundo sabe disso", disse. "Tem sido assim há décadas e há décadas que não temos feito muito sobre isso", continuou.

Por isso o presidente decidiu fazer grandes mudanças no sistema de imigração, sem o consentimento do Congresso, que não conseguiu aprovar um projeto de reforma abrangente. O anúncio provocou uma resposta irritada do presidente da Câmara, John Boehner. "Ao ignorar a vontade do povo americano, o presidente Obama tem cimentado o seu legado de ilegalidade e jogou fora o pouco de credibilidade que ele tinha", Boehner.

Um elemento-chave desta Ordem Executiva de Obama é instruir os agentes de imigração para direcionar suas atividades aos imigrantes indocumentados que são perigosas, ao invés de ir atrás de cumpridores da lei, pais de cidadãos norte-americanos sem documentos, entre outros. “Eles devem ir atrás de criminosos e não de famílias e trabalhadores”, disse.

Esta Ordem Executiva vai oferecer a oportunidade para aqueles que se encaixam nas exigências de ficar legal no país temporariamente pelo período de três anos, desde que eles passem por verificações de antecedentes criminais e paguem seus impostos. Mas não será oferecido um caminho para a Cidadania ou direito a benefícios federais e programas de saúde. Especialistas afirmam que estas medidas podem ser revertida por um futuro presidente. "Se você atender aos critérios, você pode sair das sombras e se acertar com a lei. Se você é um criminoso, você vai ser deportado. Se você pretende entrar os EUA ilegalmente, suas chances de ser pego e enviado volta aumentaram", disse Obama.

O presidente argumentou que promover uma anistia em massa seria injusto, mas deportação em massa "seria impossível e contrário ao nosso caráter".

As mudanças mais profundas, desta Ordem é a liberação de Autorização de Trabalho para até quatro milhões de pessoas que são imigrantes indocumentados pais de cidadãos americanos ou residentes permanentes legais, desde que eles vivam nos EUA por cinco anos ou mais.

Obama também removeu o limite máximo de idade de 30 anos do programa conhecido como “Deferred Action for Childhood Arrivals” (DACA) ou Dreamers que beneficia os imigrantes trazidos ilegalmente ao país quando ainda eram crianças, oferecendo alívio para milhares de pessoas.

O programa abrangerá qualquer um que chegou aos EUA antes de 2010 e se estenderá a garantia anterior de alívio de dois anos para três anos. Mas os advogados da Casa Branca concluiu que o presidente não tem o poder de oferecer aos pais de quem foi beneficiado pelo Daca, para permanecer no país e trabalhar, um ponto que vai desapontar alguns grupos que lutam pela reforma de imigração.

Em uma concessão, no entanto, os pais dos chamados "Dreamers" serão removidos das listas prioritárias para a deportação. "Ação diferida não é um caminho para a cidadania. Não é status legal. Ele simplesmente diz que durante três anos, você não é uma prioridade para a aplicação da lei e não será perseguido por agentes de imigração”, disse um alto funcionário. "Isso é temporário e é revogável", continuou.

O governo também vai reformar as regras de imigração para tornar mais fácil para que alunos de ciência e tecnologia possam estudar nos EUA. Haverá também um novo programa para atrair empresários que queiram investir no país.

As mudanças que Obama anunciou, no entanto, estão muito aquém das reformas que poderiam ser decretadas se o Congresso tivesse aprovado o projeto de reforma imigratória.

O presidente não tem poder para colocar imigrantes indocumentados no caminho para a cidadania. Ele não pode conceder autorizações de residência permanente, conhecidos como Green Cards, e todas as suas mudanças podem ser alterados por um futuro presidente.

Fonte: Da Redação