Publicado em 29/01/2016 as 12:00am

Brasileira critica brasileiros indocumentados e gera protesto na internet

Ela afirma que um indocumentado não pode declarar impostos e nem tem direitos trabalhistas

Quando Carol Capel publicou um vídeo em seu canal no You Tube, ela pensava estar fornecendo informação e ajudando seus seguidores. Mas o resultado foi totalmente o contrário do que ela pensava. Com o título de “Como é a vida de um brasileiro ilegal nos EUA”, ela já entra falando que “todos os brasileiros que moram nos EUA, principalmente na Flórida são fofoqueiros”.

As afirmações que ela fez em todo o vídeo geraram muita polêmica e revolta e quem vive há muitos anos no país discordaram de todo o conteúdo. Publicado dia 09 no You Tube, a dona do canal enfatiza que um dos principais problemas dos brasileiros que vivem ilegais nos EUA é o próprio compatriota. Ela qualifica a comunidade como um povo “explorador, ganancioso, invejoso, traidor e desleal”.

Outra afirmação dela que revoltou foi o fato de que um trabalhador ilegal não tem direito de reclamar a falta de pagamento ou exploração no trabalho, chamando o brasileiro indocumentado de “uma bosta”. Mas ela se engana, pois as questões trabalhistas não têm nada a ver com a imigratória.

Isso é o que garante o Centro do Trabalhador Brasileiro (CTB), com sede em Allston (Massachusetts). “Se você trabalhou, independentemente do seu status migratório, você tem o direito de receber pelo serviço executado”, afirma uma nota enviada à imprensa.

Assim como CTB, outras entidades afirmam que os direitos trabalhistas não são baseados em “status imigratório”. A organização brasileira trabalha há mais de 20 anos defendendo os trabalhadores, inclusive quem é imigrante indocumentado. “Todos devem saber as leis estaduais de proteção a todos os trabalhadores, por isso  oferecemos clínica trabalhistas para as pessoas”, disse Natalícia Tracy, diretora-executiva.

Na página do CTB é possível ler histórias de vários trabalhadores indocumentados que entraram na justiça por não receber seus direitos trabalhistas e ganharam a causa.

Ela erra também ao generalizar que nos EUA é preciso de uma carteira de motorista dos EUA para comprar um carro, sendo que em Massachusetts e alguns outros estados, o brasileiro pode adquirir um veículo apresentado Passaporte e Habilitação do Brasil. “Ela mostrou que não pesquisou e nem se interessou em saber sobre como é viver realmente em todos os EUA”, disse um internauta.

Outro erro de Carol é afirmar que uma pessoa indocumentada não consegue abrir uma conta bancária. Em Massachusetts, a maioria dos bancos abre conta com a apresentação do Passaporte e um comprovante de residência, tal como conta de luz, água ou telefone.

Mais um dos equívocos dela é que o imigrante indocumentado não pode fazer a declaração do imposto de renda, por não ter documento dos EUA. Qualquer pessoa, com documento ou sem documento, pode obter o ITIN Number, o que te possibilita declarar o imposto sem problemas.

Carol apresenta outros pontos negativos para tentar convencer as pessoas de que é muito perigoso viver ilegalmente nos EUA. Mas no final do vídeo, curiosamente, ela divulga outro vídeo de sua autoria no qual “ensina” como imigrar legalmente aos EUA, a obra custa R$ 60, e, sem detalhar, alega que alguns compradores já obtiveram sucesso, mesmo que as leis migratórias americanas ainda não tenham sido reformadas. Daniel Pontes, um dos internautas que criticou a ação dela, afirmou que nas entrelinhas das “mentiras e ataques promovidos por ela ao imigrante indocumentado” mostra que tem cunho comercial e não informativo. Pois ela diz que uma pessoa de baixa renda consegue imigrar legalmente aos EUA, mas tem uma fórmula que a blogueira disponibiliza a um custo de R$ 60.

Até o fechamento desta edição o vídeo já tinha quase 27 mil visualizações. O endereço https://www.youtube.com/watch?v=hIPXfXm5Nns&sns=

 

VEJA OS COMENTÁRIOS DE ALGUNS INTERNAUTAS:

“Carol ainda tem um fundo de verdade, mas já vi em vários outros locais que, independente do status da pessoa, ela pode sim chamar a polícia e denunciar e qualquer um que te trate mal por causa de seu status você poderá denunciar. Não é tão fácil assim você ser deportado, só terá se levar risco para à sociedade como tráfico de drogas, ser parado muitas vezes no trânsito, matar, roubar, aí você será chamado à Corte e, caso seja necessário, você será deportado, mas não é tão fácil ser deportado”, postou Lucas Daniel.

“Eu já fui ‘fora de status’ e sou hoje cidadã americana. Muitas coisas que a Carol falou nesse vídeo estão totalmente erradas! Acho muito errado se fazer um vídeo tão equivocado como se fosse ‘dona da razão’. E com as respostas que vejo dela aqui para o pessoal, nossa, nem vale a pena. Quem a segue que deixe de seguir. NÃO SABE do que está falando. Moro nos EUA há mais de 12 anos e já morei em vários estados nos EUA. Já ví de tudo e esse vídeo está mais da metade equivocado em informações. Uma pena que muitos que nunca vieram para cá ainda acreditam e elogiam o vídeo. Fora a ‘boca suja’ … só vi esse vídeo e pra nunca mais dessa Carol. Foram os minutos mais mal usados de minha vida”, postou Clívia Brenner Horton.

“Acho que moro em outro Estados Unidos porque o que eu moro há mais de uma década não é assim não”, postou Dan Rocha.

“Muito bom!!” Postou Mariana Vitorato.

 “O quê que te deu mulher?! Você está acabando com os sonhos de muita gente, eu penso que a finalidade desses vídeos é ajudar as pessoas com menos condições a ir para os Estados Unidos e essas pessoas dignas é que vão fazer todo o trabalho que as pessoas daí não querem fazer. E no fim ainda vende curso????? Amanheceu num dia mal”, postou Laudicéia Maia.

 

 

 

Fonte: braziliantimes.com