Publicado em 4/02/2016 as 12:00am

Sanders e Hillary disputam credenciais 'progressistas'

Após a apertadíssima vitória nas primárias de Iowa ? por apenas 0,2% ?, a ex-secretária de Estado tenta conquistar os eleitores mais à esquerda do espectro político

A pré-candidata à indicação do Partido Democrata para as eleições presidenciais dos Estados Unidos, Hillary Clinton, saiu nesta quarta-feira em defesa de suas credenciais "progressistas" diante das críticas de seu principal rival, o senador socialista Bernie Sanders. Após a apertadíssima vitória nas primárias de Iowa - por apenas 0,2% -, Hillary tenta reforçar seu apelo entre os eleitores mais à esquerda do espectro político.

Em um encontro televisionado com eleitores em Derry, no Estado de New Hampshire, a ex-secretária de Estado respondeu Sanders, que minutos antes, nesse mesmo evento, tinha voltado a criticá-la por não ter demonstrado fortes convicções progressistas ao longo de sua trajetória política. "Sou uma progressista que gosta que as coisas sejam feitas. Não vou deixar que isso me incomode", disse Hillary. Pouco antes, Sanders tinha criticado a ex-primeira-dama dos EUA ao assegurar que não se pode "ser um moderado num dia e um progressista no outro", e lembrou algumas palavras de Hillary em um discurso em Ohio, no qual ela definiu a si mesma como "moderada".

"Há alguns temas nos quais acho que Hillary não é progressista. Não conheço nenhum progressista que tenha um grupo político gigantesco por trás e pegue milhões de dólares de Wall Street", disse Sanders, para lembrar depois que quando ela era senadora por Nova York votou a favor da Guerra do Iraque. O senador por Vermont, que votou contra a intervenção no Iraque, também mencionou as mudanças de posicionamento da ex-secretária de Estado ao longo da campanha em questões como o Tratado de Associação Transpacífico (TPP).

"Estamos enfrentando a organização política mais poderosa do país, a organização Clinton", reiterou o senador, que agradeceu seu bom resultado no caucus de Iowa e seu crescimento nas pesquisas em nível nacional, já que começou a corrida pela indicação 50 pontos atrás da ex-primeira-dama. Hillary aproveitou sua intervenção posterior para se defender das acusações de Sanders e para justificar suas posições mais pragmáticas contra o "idealismo irrealizável" de seu rival socialista.

'Mea culpa' - Hillary admitiu que foi um "erro" votar a favor da Guerra do Iraque em seu período como senadora, algo que "realmente lamenta". Ela também tentou desvincular sua figura das corporações de Wall Street. "Acredito que o senador Sanders foca em um alvo muito pequeno quando fala dos bancos. Eu quero perseguir as outras grandes corporações, como as farmacêuticas e as seguradoras", afirmou a ex-secretária de Estado. Na próxima terça acontecem as primárias em New Hampshire, e Sanders parte como favorito, segundo as pesquisas.

 

Fonte: http://veja.abril.com.br/