Publicado em 19/02/2016 as 12:00am

Imigrantes protestam em Burlignton (MA)

Os manifestantes, incluindo brasileiros, diante do prédio da imigração e pediam o fim das deportações

Como Papa Francisco preparado para orar na fronteira entre Estados Unidos e México em uma demonstração de fé com os imigrantes, Angela Arce pegou um megafone a 2.400 milhas (cerca de quatro mil quilômetros) de distância, em Burlington (Massachusetts). A ação aconteceu nesta quarta-feira (17), em frente ao Escritório da Imigração, e ela contou sua história durante um protesto na cidade.

Arce tinha 30 anos e era uma estudante de Direito, com uma filha pequena, quando fugiu da violência do Paraguai e buscou abrigo nos EUA ela começou uma nova vida trabalhando com limpeza em Massachusetts. Agora, aos 47 anos, ela dirige uma empresa na região do North Shore, que emprega outros dois funcionários e paga impostos.

Cronometrando sua manifestação para coincidir com a visita do Papa à Ciudad Juárez, na fronteira, o grupo em ressaltou a ansiedade dos pais sem documentos e seus filhos - alguns cidadãos, alguns imigrantes com estatuto - vivendo sob a ameaça de deportação e da separação das famílias.

“Se meu pai fosse deportado, eu não saberia o que fazer”, disse Kevin Rojas, de Brockton, um jovem de apenas 15 anos de idade. Ele falou isso segurando o megafone com a sua mão direita. “Sem ele, a vida seria difícil e eu mão suportaria a ideia de separação”, continuou.

Rojas disse que seu pai deixou o México quando tinha 19 anos, mais de duas décadas atrás.

Desde então, ele trabalha seis dias por semana, como mecânico, para prover “uma vida melhor a sua família”, aqui nos EUA e enviar dinheiro para parentes no Brasil. “Deixe-me explicar como é a sua vida diária: trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho – com a pressão adicional de temer a deportação”, se emocionou.

Arce sente um medo semelhante, mas decidiu declarar o seu status em um estacionamento no Centro de Detenção, onde acontecia o manifesto, com uma meia dúzia de agentes do ICE assistindo. “Eu não posso mais ficar às sombras”, disse.

Com a filha de nove anos, segurava uma placa escrita “Pare a luta, mais amor”. Arce disse: “Eu não vejo minha mãe há 17 anos. Meu irmão morreu e eu não tinha como vê-lo, abraça-lo ou rezar com ele”.

Ela ressaltou que vive com medo de que um dia possa ser deportada e que seus filhos fiquem sem a presença dos pais. Ela pediu, diante dos agentes, misericórdia pela sua família.

Durante o protesto, os manifestantes gritavam para pararem os ataques e investir dinheiro em trabalho e educação e não para promover a expulsão dos trabalhadores imigrantes. O Reverendo Gerald Souza, um padre católico da Arquidiocese de Boston, citou a visita do Papa à fronteira e a retórica inflamada de alguns candidatos presidenciais. "Os migrantes não são peões políticos. Eles são pessoas que têm dignidade vinda de Deus e precisam ser recebidos e tratados como pessoas dignas", disse.

Segundo Heloisa Galvão, presidente do Grupo Mulher Brasileira (GMB), mais de 30 organizações, inclusive a entidade liderada por ela, protestaram na sede da imigração em Burlington. “Hoje pedimos pelas famílias. Alguém tem que fazer algo, independente de quem está no governo. Somos contra a separação das famílias e a deportação de trabalhadores," disse ela.

Fonte: braziliantimes.com