Publicado em 19/04/2016 as 9:30am

Sanders diz que 'EUA não podem continuar derrubando governos na AL'

Pré-candidato democrata à presidência dos EUA fez afirmação em entrevista. Ele se alçou como 'único' com uma visão diferente das relações diplomáticas.

Bernie Sanders, pré-candidato do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos, disse que a política intervencionista de seu país na América Latina deve terminar, para que se inicie um novo período baseado no "respeito mútuo".

"Temos que ser honestos. A história dos Estados Unidos em relação à América Latina foi a de uma nação poderosa, com o exército mais forte do mundo, dizendo: 'Não gostamos deste governo, vamos derrubá-lo'", disse o senador pelo estado de Vermont. Ele afirmou que o "caos" e "massacres" sucederam os golpes de Estado.

"Os Estados Unidos não podem continuar intervindo na América Latina e derrubando governos ou tentando desestabilizá-los por razões econômicas", disse o pré-candidato durante um bate-papo com o vocalista do grupo porto-riquenho Calle 13, René Pérez "Residente", cujo vídeo foi divulgado na internet.

O pré-candidato se alçou como o "único" com uma visão das relações diplomáticas com a América Latina diferente da que imperou nas últimas décadas. Ele concorre com a ex-secretária de Estado Hillary Clinton para obter a candidatura democrata. Donald Trump e Ted Cruz disputam a indicação democrata.

Sanders garantiu que, se chegar à Casa Branca, fomentará "uma nova relação baseada no respeito mútuo" com a América Latina e criticou a atual administração do presidente Barack Obama por não ter feito o mesmo.

O senador e Hillary se enfrentam nesta terça-feira (19) nas primárias do estado de Nova York, nas quais a ex-secretária de Estado aparece como favorita segundo a maioria das pesquisas. Os republicanos também vão às urnas para escolher entre Trump ou Cruz.

Golpes militares
Sem mencionar o nome de Hillary Clinton, o vocalista do grupo Calle 13 comentou sobre a relação da ex-primeira-dama com o ex-secretário de Estado Henry Kissinger, que é apontado como um dos responsáveis por promover os golpes militares dos anos 70 no Cone Sul.

"Não compreendo como um latino pode apoiar a mesma candidata que apoia Kissinger, que tanto prejuízo causou para a América Latina", afirmou René Perez. Sanders disse que Kissinger "causou" prejuízo à América Latina.

O pré-candidato se referiu especificamente ao caso de Salvador Allende, no Chile. "Não é um segredo que Allende foi derrubado pela CIA e que após isso surgiu um governo neofascista que foi responsável pelo assassinato de milhares de pessoas. Isso é inaceitável", disse o senador.

Sanders também mencionou sua viagem à Nicarágua durante os anos 80, para mostrar sua rejeição ao apoio dos EUA e do presidente então presidente americano, Ronald Reagan, aos Contras - um grupo armado financiado pelos EUA para lutar contra a Revolução Sandinista.

Ele também se disse favorável a tornar Porto Rico um estado de pleno direito dos EUA - atualmente, é um Estado Livre Associado -  e a promover um referendo para que os cidadãos possam decidir sobre o status político da ilha, com a independência entre as opções.

Fonte: http://g1.globo.com/