Publicado em 15/07/2016 as 1:00pm

Com propostas anti-imigrantes e racistas, Trump escolhe vice nesta sexta (15)

Sobretudo em questões morais e de costumes, em que o nova-iorquino Trump é mais liberal do que grande parte do seu partido

Construir um muro ao longo de "toda a fronteira" com o México, tornar obrigatório o ensino da Bíblia nas escolas públicas, revogar a decisão do Supremo Tribunal que torna legal o casamento entre pessoas do mesmo sexo nos EUA, declarar a pornografia um perigo para a saúde pública ou considerar o carvão como uma energia limpa. Estas são apenas algumas das propostas inscritas na Plataforma Republicana, espécie de programa do partido que terá de ser aprovado na convenção dos dias 18 a 21, em Cleveland, Ohio.

Mistura entre as ideias de Donald Trump - como a do Muro na fronteira com o México - e as propostas apresentadas na segunda e terça-feira, dias 11 e 12, pelos delegados republicanos, a Plataforma surge ainda mais à direita do que o seu candidato às presidenciais de 8 de novembro nos EUA.

Sobretudo em questões morais e de costumes, em que o nova-iorquino Trump é mais liberal do que grande parte do seu partido. Afinal é um homem que já foi democrata, tem filhos de três mulheres e apesar de ser contra o casamento gay, não hesitou já na campanha em dizer que não tem problemas com o fato de uma pessoa transgênera usar o banheiro que quiser nos seus edifícios.

Não deve ser portanto de Trump a proposta para que os legisladores usem a religião como guia para o seu trabalho. Nem a que defende que os pais devem ser livres de usar "terapia de conversão" se descobrirem que os filhos são homossexuais sem interferência do Estado. Ou a que garante que um "casamento natural" entre um homem e uma mulher tem mais probabilidade de resultar em filhos que não terão problemas com as drogas.

Já a ideia do muro na fronteira com o México é claramente de Trump. Desde o primeiro dia de campanha que o milionário defende a construção de uma barreira com o vizinho do Sul. Tudo para não deixar entrar imigrante, os mesmos que ele definiu como "violadores e traficantes".

No domingo, 10, o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, garantiu que se o republicano quiser construir o muro, que o construa, mas o México não o irá pagar por ele.

Num texto que o New York Times (NYT) descreveu como "quase vitoriano na sua moral e profundamente crítico da forma como a família americana evoluiu", a Plataforma Republicana defende ainda a nomeação para o Supremo de juízes que defendam "os valores tradicionais da família".

O Supremo está desde fevereiro com oito juízes, depois da morte de Antonin Scalia e de os senadores republicanos terem recusado sequer ouvir em audição o nomeado do presidente Barack Obama para o substituir, Merrick Garland. O argumento é que deve ser o próximo chefe do Estado a decidir quem entra para o Supremo, um cargo vitalício na mais alta instância judicial dos EUA, que molda a sociedade norte-americana.

Quebrando a tradicional neutralidade dos juízes do Supremo, Ruth Bader Ginsburg veio nos últimos dias criticar ferozmente Trump. Vista como um bastião liberal, a juíza nomeada em 1993 por Bill Clinton garantiu à CNN que o candidato republicano "não tem qualquer consistência". E brincou que se ele chegar à Casa Branca se muda para a Nova Zelândia, um cenário que nem quer imaginar. "Não consigo imaginar como é que isso seria [com Trump na presidência]", garantiu ao NYT a juíza de 83 anos.

A reação de Trump não se fez esperar, pedindo a demissão de Ginsburg.

Vice na sexta

Com a última sondagem nacional, da McClatchy-Marist, a dar Trump a reduzir a desvantagem frente à rival democrata, Hillary Clinton - 42% das intenções de voto para ela, 39% para ele -, o republicano deve anunciar nesta sexta-feira, dia 15, a sua escolha para vice-presidente.

O milionário reuniu-se com o governador do Indiana, Mike Pence, um dos favoritos a juntar-se a Trump. Outro nome é do antigo porta-voz da Câmara dos Representantes, Newt Gingrich, que ganhou fama ao liderar o processo de destituição contra Clinton.

Fonte: braziliantimes.com