Publicado em 12/08/2016 as 4:00pm

Brasileiro indocumentado faz trabalho na casa de agente de imigração em Randolph (MA)

Ele ficou apavorado, pois além de estar ilegal no país, usou um número de Social Security falso para conseguir o emprego

O uso de documentos falsos é comum para milhares de imigrantes que vivem ilegalmente nos Estados Unidos, inclusive brasileiros. O esquema mais adotado é a falsificação do número do Social Security para conseguir algum emprego. Esta tática é adotada há anos e existem alguns destes documentos que foram tão usados a tal ponto de se “tornarem quase verdadeiros”.

Mas nesta semana um caso foi bastante comentado na cidade de Allston (Massachusetts). Um brasileiro natural de Nova Viçosa (Espírito Santo) trabalha para uma empresa sediada em Brighton (MA) há quatro anos. Ele, que pediu para não ser identificado, conta que usou um número de social falso para conseguir o emprego. “A empresa exigia o tal documento e como e como eu precisava de trabalho, meus amigos me aconselharam a inventar o número”, explica.

Alberto, nome fictício do capixaba, já perdeu a conta de quantos trabalhos já fez para esta empresa, mas o desta semana resultou em uma história que ele jamais esquecerá. Ele conta que foi escalada com mais cinco amigos para derrubar parte de uma casa na cidade de Randolph (MA) e depois outra equipe iria assumir e fazer a reconstrução. “Iniciamos tudo na segunda-feira, dia 08, mas foi na quarta que tudo aconteceu”, fala.

Segundo o capixaba, ele chegou ao local na van, junto com a equipe. Todos desceram esse dirigiram para o local de trabalho. Faltava pouca coisa para finalizar a demolição. Mas ao entrar no cômodo que seria demolido, um susto. Alberto se deparou com o dono da casa, que lhe deu um bom dia. “O problema é que o cara estava saindo para o trabalho e vestia uniforme do ICE, a polícia de imigração”, fala ressaltando que ficou sem reação.

Por sorte, o gerente do grupo, um norte-americano, vinha logo atrás e retribuiu o cumprimento e puxou conversa com o tal agente de imigração. Ambos falaram sobre a demolição, prazo de entrega da obra e se estava tudo certo. Mas Alberto, que se afastou aos poucos, estava pálido, suava frio e os olhos ficaram aflitos. “Eu não sabia o que fazer. Em minha cabeça eu achava que ele tinha percebido que eu não sabia falar inglês por não ter retribuído o bom dia. Mas eu fiquei foi com medo”, explica.

O agente conversou por cerca de 15 minutos com o gerente da equipe e depois saiu para trabalhar. Neste período, Alberto conta que não conseguiu fazer nenhum tipo de serviço e ficou encostado atrás de uma porta pensando como fugiria se o policial aparecesse e pedisse-lhe o documento. “Juro que eu queria pular a janela e sair correndo”, continua.

Alberto fala que seus amigos perceberam que havia algo errado e o acalmaram. “Mais tarde o gerente foi conversar comigo e perguntou o que havia acontecido e neste momento eu confessei que não tinha documento e contei toda a história. Ele me tranquilizou e disse que não contaria nada aos seus superiores, pois na empresa tinha alguns amigos que ele mesmo indicou e que também usaram números falsos de SS”, afirma. Mesmo assim, Alberto disse que está com medo de que isso volte a acontecer e que da próxima vez ele não tenha tanta sorte. “E se este agente percebeu meu medo. Só de me olhar sabe que sou imigrante. E se ele armar para me pegar no futuro”, fala o capixaba que está prestes a deixar o emprego de quatro com medo de ser preso.

Fonte: Da redação