Publicado em 9/12/2016 as 10:00am

Grupo afirma que agentes mataram milhares de imigrantes na fronteira

Grupo afirma que agentes mataram milhares de imigrantes na fronteira

Os agentes da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos adotaram estratégias desumanas de apreensão contra imigrantes indocumentados que atravessam a fronteira do país com o México, cometendo um "grande crime histórico", de acordo com um grupo de defesa.

A agência de fronteira é responsável pela morte e o desaparecimento de dezenas de milhares de pessoas que atravessaram a fronteira usando o deserto como "arma", afirmou na quarta-feira (07) o grupo "No More Deaths", com sede no Arizona.

Segundo as afirmações, “os agentes perseguem e dispersam imigrantes indocumentados em terrenos hostis em uma estratégia que acaba deixando muitas pessoas feridas, mortas ou perdidas, transformando os desertos do sudoeste do país em um "vasto cemitério de desaparecidos".

O grupo também condenou a Agência de Patrulha de Fronteira dos EUA por sabotar os esforços de ajuda humanitária e discriminar pessoas que tentam ajudar os indocumentados.

"O desaparecimento de milhares de pessoas no remoto deserto da zona fronteiriça entre os EUA e o México é um dos grandes crimes históricos de nossos dias", disse o grupo em um relatório polêmico, o primeiro de três relatórios documentando supostos abusos por parte da Patrulha de Fronteira.

Dezenas de milhares de pessoas que atravessaram a fronteira desapareceram desde a década de 1990, incluindo 1.200 no ano passado.

O relatório acusou os agentes de fronteira de caçar migrantes, deixando alguns feridos e outros mortos, e agindo com brutalidade contra aqueles que são capturados. "A morte em massa e o desaparecimento são os resultados inevitáveis ??de um plano que usa o deserto como uma arma para se livrar dos imigrantes", disse.

"Se encontrados, os desaparecidos estão em centros de detenção, em necrotérios ou esqueletizados no chão do deserto; Muitos restos humanos nunca são identificados. Milhares nunca mais são localizados. Com cada dia que passa, outro pai, irmã, tia, irmão, parceiro ou filho desaparece enquanto tenta atravessar a fronteira", continuou.

A organização de patrulha da Fronteira, US Customs and Border Protection (CBP), que é um componente do Departamento de Segurança Interna dos EUA, emitiu uma declaração se defendendo: "O CBP valoriza a vida humana, e nós colaboramos estreitamente com funcionários governamentais estrangeiros, parceiros de aplicação da lei e organizações comunitárias para educar potenciais migrantes sobre os verdadeiros perigos de cruzar a fronteira ilegalmente".

Fonte: Brazilian Times