Publicado em 3/02/2017 as 5:28pm

Brasileiro conta como atravessou a fronteira na "Era Trump"

Brasileiro conta como atravessou a fronteira na "Era Trump"

No dia 29 de Dezembro, o mato-grossense criado em Cacoal(Rondônia) Jonatas Amparo Menezes, saiu de sua casa em direção à Belo Horizonte (Minas Gerais), onde se encontrou com uma pessoa identificada por Larrisa. Ela era o contato final, no Brasil, depois de seis meses negociando com um “coiote” que o levaria até os Estados Unidos. “Eles me garantiram que seria uma travessia rápida e sem perigos. Como eu conhecia o representante do grupo em meu estado, confiei”, disse.

De BH, Jonatas seguiu para São Paulo, onde embarcou em direção a Guatemala. Segundo ele explica, o trajeto seria de no máximo 10 dias de viagem, desde a sua saída do Brasil, o que aconteceu no dia 04 de janeiro.

Quando chegou à Guatemala, Jonatas entrou em um caminhão baú, com mais três pessoas, e partir daí não sabe que rumo tomou. “Mas a cada uma hora, o motorista abria a porta traseira para ver se está tudo bem”, fala ressaltando que em determinado ponto, começou a entrar mais pessoas. “Acredito que já estávamos no México, a caminho da fronteira”, fala.

Mas a cabeça de Jonatas estava nas ameaças que o presidente Donald Trump havia feito se fosse eleito presidente. Mesmo sem saber que o novo chefe da nação estava assinando várias ordens executivas, inclusive fortalecendo a segurança na fronteira, o brasileiro sentia que algo estava errado. O seu medo se confirmou quando o caminhão parou em uma região deserta e todos desceram. “Fomos até uma casa e lá fomos informados do que estava acontecendo.

A travessia que deveria acontecer no dia seguinte, seria adiada devido as ações do presidente atrapalharem. “Não nos informaram quanto tempo iríamos ficar ali, mas eu estava com muito medo, pois já conhecia as histórias de imigrantes mortes por traficantes de drogas e pessoas abandonadas pelos coiotes”, lembra.

Jonatas relata que não conseguiu dormir e qualquer barulho era motivo para pânico. “Eu estava com muito medo, a ponto de orar, em silêncio, a cada 20 minutos pedindo proteção de Deus”, fala ressaltando que parte do dia seguinte o grupo ainda permaneceu na casa. “Somente no final da tarde alguém chegou e disse que nosso trajeto foi modificado para nos dar mais segurança. Isso quer dizer que os dez dias de viagens já tinham sido alterados”, continua.

O brasileiro fala que o grupo foi dividido em duas camionetes antigas e cada um seguiu para uma direção diferente. “Acho que rodamos por mais menos uma hora até chegar em uma região com uma vegetação baixa. Andamos por mais menos uma hora e um veículo nos esperava. Entramos e seguimos para uma cidade que não me lembro mais o nome”, fala.

Jonatas já estava em solo norte-americano, mas o medo ficava ainda maior, pois a cada parada, ele só escutava as conversas entre os coiotes sobre as pressões impostas pelo novo presidente. “Não via a hora de chegar em meu destino, que era a casa de um primo na cidade de Kingston (Massachusetts)”, fala. “Graças a Deus cheguei bem e já estou conhecendo bastante pessoas”, continua.

O brasileiro disse que não sofreu na travessia e que o seu medo maior era as ameaças do novo presidente se concretizarem. “Meu medo era ser pego e enviado de volta ao Brasil. Eu perderia tudo que investi nesta viagem”, fala finalizando que assumiu uma dúvida de $13 mil com o coiote que ficou no Brasil.

Fonte: Brazilian Times